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“Eu resolvia o problema da forma errada, mas resolvia”, diz Alberti sobre maquinário

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“É um tentando passar a perna no outro, uma coisa nojenta”, diz o ex-prefeito

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O ex-prefeito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti, passou por interrogatório na tarde quarta-feira, 14, no fórum de Canoinhas no âmbito da Et Pater Filium. Esta fase de depoimentos abarca as negociatas existentes entre Bela Vista do Toldo e Major Vieira. Pesam contra Alberti 126 acusações de peculato e desvio de dinheiro público e 245 de lavagem ou ocultação de valores.

Alberti é acusado de chefiar uma organização criminosa que utilizava empresas de fachada para firmar contratos com a prefeitura. Os serviços eram prestados pela metade ou sequer prestados, mas o valor dos contratos era pago pela prefeitura de forma integral.

Como o JMais já mostrou, ao menos três empresas de fachada participavam das concorrências em Major Vieira e Bela Vista do Toldo. Entretanto, como essas empresas não tinham maquinário, equipamentos da prefeitura, do próprio prefeito e de Joziel Dembinski eram utilizados.

“Eu resolvia o problema da forma errada, mas resolvia”, afirmou Alberti sobre a falta de máquinas das empresas aprovadas no credenciamento da prefeitura. Ele disse isso porque mandava suas máquinas particulares para obras públicas e cobrava pelos serviços de acordo com as horas trabalhadas.

Entretanto, se faltasse algum equipamento, Joziel Dembinski entrava na obra para suprir as demandas. Joziel recebia pelo serviço prestado com superfaturamento e Alberti ainda recebia uma porcentagem das horas trabalhadas.

ORILDO

De acordo com Alberti, não era possível que Orildo Severgnini não soubesse do esquema supostamente realizado por seu filho, Marcus Vinicius, o Mano.

“Eu acho difícil que o Orildo não soubesse, ele tinha que saber”, declarou. Alberti aponta que mesmo que fosse apenas o filho do prefeito que fizesse as tratativas para fraudar licitações, quem assinava o cheque para pagamento em Major Vieira era o prefeito.


BANCO PIKE

Alberti afirmou que Renato Pike não havia entrado no esquema de Bela Vista do Toldo, como disseram os investigadores do Gaeco em depoimento.
De acordo com Alberti, Pike serviu como um banco para que efetivasse a compra de uma retroescavadeira. Pike teria feito uma transferência bancária de R$ 80 mil direto para o vendedor da máquina.

“A retroescavadeira nunca foi do Pike”, afirmou. Seria o próprio Alberti que gostaria de estender o esquema para Canoinhas, mas foi frustrado quando descobriu que o ano de produção da máquina deveria ser no máximo 2011 e a retroescavadeira que comprou foi fabricada em 2008.

Os repasses de R$ 10 mil e R$ 20 mil que confirma ter feito a Pike seriam para pagar o empréstimo.

A máquina foi adquirida por Alberti em parceria com João de Lima Sobrinho, por ele chamado de Joãozinho. Mas o registro de compra e venda ficou apenas no nome de Sobrinho. Alberti afirmou que mais tarde comprou a parte de Sobrinho na máquina, mas a documentação não foi alterada.
“Eu ocultava essas coisas para eu não aparecer, mas a máquina era minha”, confessou Alberti. Ele contou que vendeu a máquina a Joziel Dembinski, mas não recebeu o dinheiro, então, a retomou.
Um atrito teria surgido entre Adelmo e Sobrinho, segundo o depoimento. Depois da prisão de Alberti, Sobrinho teria se apropriado da retroescavadeira com a justificativa de estar em seu nome. Alberti considerou isso errado, pois na prática era o dono da máquina.


LOTEAMENTO

Outro elemento que foi explicado por Alberti foi a questão do loteamento com 60 terrenos em Bela Vista do Toldo. O ex-prefeito destacou que convenceu seu compadre Aristeu Tibes da Rocha a comprar um terreno para lotear. Eles seriam sócios, cada um com 50% dos lotes, mas todos ficariam no nome de Rocha, pois Alberti não podia aparecer em negócios para não levantar suspeitas de atividades ilícitas.

Sendo dono do terreno, Alberti passou a negociar a venda dos 30 lotes que lhe pertenciam. Ao menos cinco lotes foram vendidos.

NOVO ELEMENTO

Por ser um loteamento urbano, algumas obras eram necessárias, uma delas a instalação elétrica. Enquanto comentava sobre essa demanda, Alberti afirmou que uma empresa do setor elétrico tinha contrato com a prefeitura de Bela Vista do Toldo e teria feito a instalação elétrica no loteamento.

O então gerente de empresa prestou depoimento como testemunha e afirmou de maneira veemente que quem pagou os serviços de engenharia elétrica no loteamento foi Aristeu da Rocha Tibes. Ele negou participação da empresa em qualquer esquema ilícito.

Entretanto, Alberti afirmou que os valores foram pagos pela prefeitura, uma vez que a empresa já participava de um esquema de pagamento de propina.

Esse suposto esquema, porém, não foi detalhado.

DÍZIMO

Alberti reafirmou que os empresários que tinham os nomes envolvidos no esquema pagavam uma espécie de dízimo. Tanto João de Lima Sobrinho quanto Vilson Stelzner pagavam de 10% a 20% do que recebiam acrescentado horas às sua máquinas.


LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO

“É um tentando passar a perna no outro, uma coisa nojenta. Deus o livre, é até ruim da gente lembrar, foi a declaração de Alberti quando questionado sobre a dinâmica dos contratos públicos.

Para ele, os esquemas de corrupção somente ocorrem porque o sistema de controle das prefeituras é falho, com muitas pessoas que não querem se indispor com os mandatários. “Em prefeitura, principalmente do interior, o sistema não funciona. Se funcionasse, teriam detectado”, asseverou.


ENCERRAMENTO

Os depoimentos desta quarta-feira foram encerrados com Claudinei Ribeiro, o Baixinho. Ele ratificou boa parte do que disse Alberti e acrescentou que Marcus Vinicius utilizava o cartão bancário com nome de Rodrigo dos Santos. Ele também disse nunca ter visto Rodrigo.

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