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Entre violoncelos plangentes surgiu Amor em Fragmentos

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Gosto de escrever ao som das sonoras melodias clássicas que me acompanham pela vida. Viajo com a música e através da música.

Foi ao som do clássico Adágio de Albinoni solado por um exímio violoncelista que em obnubilada noite os meus fantasmas dançantes apareceram diante de minha janela.

Nunca soube dizer se as lágrimas que vertem ao ouvir esta melodia são um misto de lágrimas de saudade e alegria ou de uma tristeza imensa que corrói todas as moléculas de meu ser.

Através destas melodias surgem letras que ensaiam poemas, surgem imagens surreais inimagináveis em outros momentos de horas vazias.

Os meus fantasmas desfilam pelas páginas de Amor em fragmentos em inúmeras noites de meu insano viver. Perseguem-me em noites de nevoeiro e até no encantamento de um réveillon.

Mas não só os meus fantasmas desfilam em meu livro. Rememoro versos de um adolescer em que poetar era o incentivo maior para os meus quinze anos.

Em alguns contos os eternos poemas de nossa poetisa Isis Maria Tack Baukat, patrona da cadeia número 11 da Academia de Letras do Brasil – Canoinhas.

Falo de tristes histórias ouvidas junto à ardentes chamas que crepitavam em um rústico fogão a lenha, nas noites em que a lua cheia mostrava-nos os brancos lençóis que a geada estendia na relva.

Emociono-me ao contar do afago das mãos das mães, do consolo de amigos num jardim de faiscantes e coloridas luzinhas anunciando o Natal.

Imagino a vinda dos açorianos para a ilha de Santa Catarina e o sonho de amigos artistas da pena e dos pincéis que trouxeram poemas e cores para a nossa romântica Canoinhas.

Sonho com o milagre de um Natal em que livros não sobrarão mais nas prateleiras de livrarias, pois a humanidade acorda para sentir novamente o enlevo e o prazer em ler as histórias que escrevemos.

Meu amigo e Confrade Adnelson Campos redigiu um belo prefácio inspirando-se no Adágio de Albinoni e teceu sobre ele este magnífico texto de onde surgiu o título do livro. Eis:

Escrevo este texto ao som do Adágio de Albinoni, imaginando alguns dos fantasmas dançantes de Adair, que a provocam enquanto ela aprecia uma taça de vinho ou de Asti espumante, observando-os em meio a um dos seus jardins, através da vidraça de uma janela aberta para o mundo. Mundo que ela observa de um jeito só seu, algumas vezes de forma solitária, como no solo do violoncelo plangente, outras dividindo momentos com pessoas amadas ou com algumas que apenas cruzaram seu caminho, num breve momento. Várias formas de amar, várias lembranças do Amor.

Sempre dizem que num texto a história de muitas das personagens estão associadas às experiências do autor. Creio que não poderia ser de outra forma, pois o autor não pode ficar indiferente ao que acontece à sua volta. Ele se mistura às personagens, pois o que somos senão um pouquinho daqueles que dividiram conosco uma parte de sua história, que nos fizeram compreender a vida, ou, mais particularmente, o que é o amor. Então, emprestamos um pouquinho deles e um pouco de nós para construir nossas narrativas.

Mas só algumas dessas pessoas são capazes de transformar nossos pensamentos, de nos proporcionar a felicidade, ou a dor, de forma impactante, marcante. Só algumas podemos chamar de Amor.

Nesta coletânea, Adair nos mostra a sua visão de como o amor se apresenta, algumas vezes obnubilada, turvada pelo sentimento, outras pela necessidade de fuga ou de reencontro.

O Amor nos faz cruzar oceanos, navegar por rios caudalosos, ou buscar ajuda cruzando um país num pequeno carro conversível.

Em certas atividades profissionais, o amor se acentua, se apresenta de uma forma ainda mais concreta: o amor pela vida humana. Nestas experiências, não importa a história de vida daquele que se atende, que se acolhe, que se trata. Apenas se cuida com amor pela profissão, para fazer diferença na vida de quem sofre, de quem quer a cura para seus males.

O amor de mãe, o amor amigo, estes incondicionais, também estão presentes nesta obra, lembrados em momentos especiais, como num Natal ou no início de um Novo Ano.

Voltando a Albinoni, boa parte de sua obra se perdeu na Biblioteca Estatal de Dresden, na Segunda Guerra Mundial, até que em 1945, Remo Giazotto reconstruiu o seu Adágio a partir de um fragmento encontrado. Um adágio, um andamento musical lento, 66 a 76 batidas por minuto, que soa no ritmo do coração, que envolve, que nos faz sonhar.

Talvez Adair também tenha construído este livro a partir de fragmentos, lembranças do Amor vivido, experimentado, observado ao longo de sua jornada, no ritmo do coração, e que agora compartilha conosco, pois compartilhar também é uma forma de amar.

Adnelson Campos

Cadeira Nº 6. Academia de Letras do Brasil – Canoinhas.




***

E meu outro grande amigo e conterrâneo, Confrade Francisco de Assis Vitoski, escritor e poeta que hoje tece seus versos às margens do belo e longínquo rio Araguaia, em plena floresta amazônica, mais valorizou meu livro ao colocar suas palavras na contracapa.

Este livro de Adair lembra uma frondosa árvore, carregada de frutos, cujas raízes horizontais permeiam o solo na busca de nutrientes, mas para manter-se altaneira, não se dobrar ao vento e distribuir seus frutos para quem tem fome, lança uma raiz conífera para as profundezas da terra, de onde retira a seiva da vida.

Assim Adair permeia nossas mentes, inebriando-as com seus contos, mas em todos eles, como a raiz profunda da árvore, alcança com suas palavras o âmago de nossas vidas, em cujas reflexões, mágoas ou alegrias vividas, espelha as nossas, fazendo-nos sentir que o conto que lemos é a lembrança de algo que vivemos. E os fantasmas dançantes, vestidos no branco da pureza, que por vezes riem e outras choram à Adair em seus contos, levam-nos também ao etéreo, enquanto na leitura com eles vivemos.

Contos lindos, intrigantes, parecem ter vida, ou talvez, retratam o amor de Adair que transcendeu à vida e o transcenderá também nela, para que nós, leitores, saibamos verdadeiramente o que é amar.

Francisco De Assis Vitovski

ALMESC – Cadeira 12

ALB – Canoinhas – Cadeira 10

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