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Ódio ao PT e as raízes do bolsonarismo em Canoinhas

Imagem:Arquivo

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Região de Canoinhas é majoritariamente de direita

POLARIZAÇÃO

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COLUNA DE DOMINGO Se tomarmos por base a última eleição geral, não há dúvida. Pelo menos 70% da população canoinhense se identifica mais com a direita do que com a esquerda. Foi este o percentual de votos alcançados por Jair Bolsonaro (PL), derrotado por Lula (PT), votado majoritariamente no Nordeste e Norte, o que garantiu sua eleição. Some-se a isso a eleição para governador. Foram 22.528 votos (71,69% do total da cidade) para o candidato de Bolsonaro, Jorginho Mello (PL). Seu adversário, Décio Lima (PT), teve a preferência de apenas 28,31% dos eleitores e registrou 8.895 votos.

A filiação da prefeita Juliana Maciel Hoppe no PL, apadrinhada por Bolsonaro, com direito a foto e tudo, é mais uma prova da força do ex-presidente na cidade.

Curiosamente, se olhar grosso modo, os dois primeiros governos de Lula foram mais benéficos para Canoinhas do que Bolsonaro no seu mandato único. Antes de me apedrejarem e me queimarem em praça pública, leiam com atenção. Trago argumentos.

Durante o primeiro governo Lula, Canoinhas recebeu a travessia urbana da BR-280 e, no segundo, o Instituto Federal (IFSC). Creio que sejam os maiores feitos do Governo Federal em Canoinhas em décadas, até porque não há muita coisa para se comparar. Foi no seu governo, também, que muitos canoinhenses conquistaram a casa própria por meio do Minha Casa Minha Vida. Somente de casas populares foram 520 (420 no Loteamento Nossa Senhora Aparecida).

Bolsonaro, por sua vez, mandou recursos a rodo para cobrir os impactos da pandemia, um enorme problema que, frise-se, atrasaria a vida de qualquer governo. Tentou aquecer o mercado imobiliário sem sucesso com o Casa Verde e Amarela e, segundo ele, só não fez mais por causa do Supremo Tribunal Federal e da pandemia. Na concepção de Bolsonaro, o cargo de presidente deveria dar salvo-conduto para qualquer ação. Noves fora, destaque-se uma crise mundial e suas justificativas estão postas à mesa. Se houver feitos maiores de Bolsonaro em Canoinhas, por favor, mandem email ([email protected]) para a redação.

Muitos canoinhenses colocam a culpa na corrupção escancarada pela Laja Jato e o escândalo do mensalão como motivos para odiar Lula. Pode até ser, mas esse ódio vem de muito antes. O próprio ex-prefeito Beto Passos, réu confesso da Et Pater Filium, vem sendo comparado a Lula – “Se o Lula voltou a presidência, então, porque o Beto não pode voltar à política?”, ouço muitos questionar se esquecendo que Passos é réu confesso, ao contrário de Lula, que mesmo com as evidências esfregadas na cara do povo, sempre negou os crimes que cometeu. Cito Passos para lembrar que ele sempre simpatizou com o PT, mas foi obrigado a trocar de partido para vencer a primeira eleição. Se seguisse no PT não se elegeria, muito provavelmente.

Antes de o bolsonarismo surgir como força política, o canoinhense já votava em massa no PSDB para não votar no PT. Fez isso em todas as eleições em que os tucanos e os petistas (com Lula e, depois, Dilma) foram para o segundo turno. O entusiasmo com o PSDB, contudo, nunca foi tão grande como foi com Jair Bolsonaro.

Se não é ódio a corrupção praticada pelo PT, o que é então essa preferência pelo bolsonarismo se, comparados, o PT fez mais pela cidade do que Bolsonaro?

Eis um grande mistério. Ouso arriscar que o conservadorismo, fruto da colonização europeia, talvez, possa explicar, em partes, essa preferência. Há uma grande valorização de pautas conservadoras na cidade, talvez o que causa maior ranço em relação ao PT, de linha liberal nos costumes e patriarcal na economia, exatamente o oposto do que defende o bolsonarismo.

Torna-se ainda mais difícil entender essa preferência por Bolsonaro quando se analisa que uma pequena parcela de canoinhenses pode se considerar de classe média alta, por óbvio, muito menos que 70% da população. São aqueles cansados de pagar altos impostos e receber quase nada em troca. Defendem autonomia para trabalhar. Um Estado menor. O que diz Bolsonaro soa como música a seus ouvidos.

Contudo, se o governo intervir menos e cobrar menos impostos, reduzindo o tamanho do Estado, como vai sustentar programas sociais que pagam o Bolsa-Família, o Fies, o ProUni, o BPC, todos benefícios recebidos pelas classes menos favorecidas, logo, o grosso da população? Eis mais um mistério.

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