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fevereiro

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É impossível viver carregando um cemitério na cabeça

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Que amor? Ainda é possível amar diante de tanta dor?

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…Nunca sei como iniciar um texto como também não sei como terminá-lo…

Por isso, começo sempre com reticências e provavelmente não conseguirei dizer tudo em palavras finitas que ficarão abertas com muitas reticências…

Todavia, sempre desejoso de dizer a Verdade: mas que Verdade?

Fica a…

Sei que carrego um conjunto de túmulos e memoriais na minha cabeça, que podem ser lembrados, referenciados, enfileirados, às vezes cronologicamente, outras vezes embaralhados.

O que sei a respeito? Não sei mais o que dizer, somente reticências…

Somente sei que em 1973, Stevie Wonder, cantava nos alertando que a superstição não era o caminho, pseudociências e religiões não podem nos dar respostas, são esquizofrenias.

Não demos ouvido a solícito cantor.

Apenas sei que em 2023, pedaços de corpos de crianças palestinas são recolhidas em sacolas de supermercado e seus pais desesperados, futuros suicidas, vivem o inferno na terra, carregando um cemitério na cabeça, imagens do mais recente genocídio contra o povo palestino. A vida não é mais possível.

Tudo espetacularizado, pornograficamente exposto, televisionado, transparente, com a nossa participação direta ou indireta, capturados sadicamente pelas imagens expostas em redes sociais.

Apenas sei que há cinquenta anos, em 1973, o mundo se perpetuava na sua eterna crise existencial e David Bowie buscava uma linha de fuga: ‘Existe vida em Marte?’ Ou quando Doobie Brothers dizia: ‘Sem amor, onde você estaria agora, sem amor?’

E, hoje eu pergunto: Que amor? Ainda é possível amar diante de tanta dor?

Quando a face do demoníaco está diante de si você ainda é capaz de amar? Apenas sei que em 1973 os Stones cantavam em algum lugar:

‘O que faremos agora? Sem amor em nossas almas e sem dinheiro em nossos casacos. Não se pode dizer que estamos satisfeitos (…) Eles não podem dizer que nunca tentamos’.

Realmente: tentamos e fracassamos. Somos um fracasso enquanto cultura e civilização. Gosto das últimas palavras do personagem Hank na série Californication: ‘Roma está em chamas’, diz ele… enquanto punha mais um drinque. Estou aqui banhado em um rio de xoxotas. Lá vem, ele pensou, mas uma crítica bêbada, como se tudo era melhor no passado, e como nós, coitados, nascidos tardes demais, para ver os Stones em algum lugar, ou inalar a boa coca no estúdio 54, nós praticamente perdemos tudo que valha a pena viver, e a pior parte foi que ele concordou com ela. Aqui estamos no fim do mundo… no fim da civilização do oeste, e todos estamos desesperados para sentir algo… qualquer coisa que caímos uns nos outros… e fodemos nossos caminhos ao longo do fim dos dias’.

Muito lerão com horror estas palavras: louco e pervertido. Na minha imaginação infantil e insana eu diria: Por quê? O que é isto pornográfico? Uma bunda linda sendo alisada maliciosamente, acariciada, ou crianças palestinas com as vísceras expostas por uma bomba israelense enquanto todos assistem em seu sofá, couro reclinável, enquanto colocam mais um drinque? O que é isto o pornográfico? Explique-me porque estou confuso.

Ser pornográfico é incentivar que as mulheres saiam às ruas com seus seios empinados ou não, redondos ou quadrados expostos, ou crianças palestinas com sua massa encefálica exposta em alguma calçada de pedra romana para servir de alimento aos abutres locais?  Apenas sei que em 1973 o eterno Pink Floyd cantava: “Por que ninguém faz nada? Não sei, eu estava realmente bêbado naquela hora. Eu acabei de dizer para ele que já tinha chegado. Que ele podia pegar no Número Dois. Ele estava perguntando por que não estava aparecendo no canal 11. Depois, eu estava gritando e dizendo a ele. Por que não estava aparecendo no canal 11?”.

Apenas sei que não ouvimos o velhote Roger. E continuamos a agir cinicamente diante do sofrimento humano, espetáculo mundial, sadismo moderno, realizador da profecia do divino Marquês de Sade: “mais um esforço se quiseres ser republicanos’.

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