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De quantos séculos precisaríamos ainda para ouvir as mulheres?

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Quantas mulheres terão ainda que perder a vida, torpidamente, porque devem obediência aos homens?

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Nas eras esquecidas pelo tempo as mulheres eram tratadas como deusas. Somente a elas os deuses concederam o direito de gerar um filho. De dar à luz a outro ser.

Era o tempo ainda da pedra bruta, da pedra lascada.

E diante destas mulheres de então debruçavam-se todos os homens.

Muitas eras depois. Talvez quando adveio a era da pedra polida perceberam os distintos cavalheiros de então que para a concepção de um novo ser era imprescindível a colaboração deles.

Foi então que o tempo da barbárie começou. E em vingança, pelos séculos de subserviência à mulher, a força bruta teve início.

Já há alguns milhares de anos a mulher é considerada como ser humano de segunda categoria.

Obrigaram-na aos mais torpes serviços. Além de servir aos homens em seus momentos de prazer, passaram a realizar todos os serviços pesados dentro e fora de um lar.

No decorrer dos nove meses de uma gestação a mulher já via as modificações de seu corpo. Mas não havia trégua. Tudo em torno, por mais difícil que fosse, por mais pesado que fosse, por mais traumatizante que fosse, era colocado em seus ombros.

Aravam a terra, semeavam, plantavam, colhiam. Mal acabavam de dar à luz a um filho, outro em seu ventre logo germinava.

E os homens a dedicaram-se à caça e às guerras.

E assim caminhava a humanidade por milênios pós-milênios. Com esta mesma cultura. Mulheres não podiam e nem deviam estudar.

Em algum dia há apenas uns dois ou três séculos, às escondidas, elas começaram a colocar seus pensamentos em múltiplas folhas de finos papéis.

E magníficas obras literárias começaram a aparecer. Livros publicados em nome de seus maridos. Porque às mulheres não se dava o direito de escrever.

Outras, mais ousadas, obrigadas foram a usar nomes masculinos se quisessem mostrar seus escritos ao mundo.

Não apenas na arte literária, as mulheres não foram ouvidas. Clara Schumann, esposa do compositor Robert Schumann, era sempre colocada em segundo plano. As peças musicais por ela escritas eram publicadas no nome dele.

O que mais me chocou foi saber que a Academia Brasileira de Letras foi idealizada pela escritora Júlia Lopes de Almeida. Na época participou ativamente de muitas reuniões, contribuiu intensamente para a sua fundação e jamais foi indicada para ocupar uma cadeira nesta importante organização literária.

Encontramo-nos já na terceira década do vigésimo primeiro século da era cristã. E em suas pregações Jesus louvava as mulheres e colocava-as sempre em local de destaque. Mas quantos séculos ainda levaremos para entender as suas palavras?

Quantas vozes levantar-se-ão ainda para que as vozes das mulheres possam ser ouvidas?

Quantas mulheres terão ainda que perder a vida, torpidamente, porque devem obediência aos homens? Porque são propriedade de um homem?

Por quanto tempo ainda mulheres terão que ouvir da boca de garotos imberbes execrados deboches?

O germe que por séculos pulula nas mentes masculinas parece não haver encontrado ainda um agente que o extermine.

Qual a razão para que mães não possam ensinar a seus filhos que além do respeito, devem tratar as mulheres como seres iguais a eles?

Notamos a segregação em todas as áreas por onde andamos. Mesmo que uma mulher esteja em local de destaque, como dirigente de alguma empresa ou presidindo alguma associação, sempre é colocada em degraus abaixo daqueles onde se encontram os homens.

Fui protagonista de várias destas segregações.

Em alguma época a Associação Catarinense de Medicina contava com cinco distritos. Tínhamos um presidente e cinco vice-presidências. Coube-me ser vice-presidente do Distrito Norte, que congregava toda a região que abrange todos os municípios desde São Francisco do Sul até um pouco além de Porto União.

Joinville sediava um Congresso Brasileiro de Anestesiologia. Como anestesiologista atuante fazia eu parte de uma das comissões.

Na noite de abertura do Congresso — que foi realizado no Centro de Eventos Cau Hansen — são convidados para tomar assento à mesa representantes do governo e de várias entidades médicas. O presidente da nossa Associação Catarinense de Medicina, não podendo comparecer, designou o presidente da Sociedade Joinvillense de Medicina para representá-lo. Um homem. Demonstrando, claramente, não dar importância para quem ocupava a vice-presidência do Distrito Norte da ACM.

Em outra ocasião estávamos participando de uma convenção estadual das Cooperativas de Trabalho Médico. Mesas Redonda, Simpósios e Palestras faziam parte da programação. Como de praxe, da mesa sempre fazem parte um presidente e um secretário, além dos palestrantes.

Logo cedo após o café da manhã dirigiamo-nos para a sala das sessões. Pasma fiquei eu ao ver os meus colegas, presidentes das Cooperativas de Trabalho Médico das cidades vizinhas, trajando seus melhores ternos, camisa de colarinho e gravata.

Além da Seccional de Canoinhas, também a presidência da de Brusque era ocupada por uma médica.

E para surpresa, dela e minha, todos os presidentes das demais ocuparam a mesa principal, presidindo as sessões. Todos os homens. Nós duas mulheres, fomos sumamente ignoradas. Éramos invisíveis. Presenças amorfas.

Notem os times femininos de futebol, de vôlei e de outros esportes. Em sua maioria, treinadores homens.

Não consigo entender como até nas homenagens que algumas organizações e agremiações prestam às mulheres os palestrantes convidados são, na maioria das vezes, homens.

O que dá o tom do fraco verniz que se passa quando nestas poucas tentativas que se fazem de homenagear as mulheres neste mês de março a elas dedicado.

Ficamos na esperança de que pelos séculos futuros, realmente, toda a humanidade consiga entender que somos todos iguais.

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