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Conversas espirituais

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Antes do tenebroso primeiro de abril de um mil e novecentos e sessenta e quatro éramos um grupo maior

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Nos tempos tumultuados que em cinza tornaram o viver em nosso antes tão colorido Brasil poucas eram as horas em que alguns amigos conseguiam reunir-se em preces em torno de uma mesa e enviar irradiações aos carentes de luz e amor.

Uma pequena sala, mesa com branca toalha, cadeiras em torno. Sobre ela uma jarra com cristalina água, copos, folhas de papel em branco, lápis e canetas.

Ficava em uma das salas do mesmo prédio em que eu tinha o meu consultório.

Nos dias de reunião, após atender o último cliente, lá eu ficava a aguardar os demais. E a rabiscar o que para mim seria apenas uma conversa com os meus guias espirituais.

Antes do tenebroso primeiro de abril de um mil e novecentos e sessenta e quatro éramos um grupo maior. Alguns se mudaram para outras plagas. Outros, temerosos de participarem de qualquer reunião. Reuniões que poderiam ser confundidas com grupos contrários ao governo de exceção que do país tomava conta.

Hoje, quase cinquenta anos depois, encontro estas perdidas páginas. Sempre estiveram em minha memória, pois uma vez que adentrei, estudei e entendi o mundo espiritual dele jamais me afastei.

Curtos apelos a pedir proteção, a pedir ajuda. Pois somos, aqui neste planeta de provas e de expiações, eternos pedintes.


Você … o canto maior

Foi assim que chegaste naquela noite de muito temporal. De leve. Imperceptível como a sombra apagada dentro da noite sem luz. Apenas o ruído das águas a cair e ali apareceste.

E ante meus olhos perplexos ficaste. Uma poça de água a escorrer pelo chão. E o clarão do olhar que emanava de ti era mais forte que o clarão dos relâmpagos que eu via lá fora. Chegaste assim naquela noite de intenso temporal. Quieto. Encharcado de água. E encharcado de amor.

Eu sabia que virias. Há muito eu já sabia. Mas eu não me lembrava de ti.

Eu sempre soube que trarias para o meu esquecido canto o canto maior. E a tua presença encharcada de amor numa noite de chuva foi o alento mais puro em um sonho acordado.

Falaste que as nuvens também passam. E me fizeste recordar que também havia sol. E me fizeste recordar dos sons já há muito esquecidos e guardados nos lugares mais remotos da memória.

Fizeste com que eu ouvisse dentro de uma noite escura o trinar de passarinhos. E os acordes de orquestras celestiais. Teu olhar era um farol que inundava as trevas. E a tua voz era suave ao falar dos raios luminosos dos sóis de todos os mundos.

E para sempre comigo ficaste.

Mesmo depois que novas trevas envolveram o teu manto e a tua imagem foi diminuindo na distância continuaste a docemente sorrir para mim.

Ficaste na esperança aqui plantada.

Ficaste num sorriso renascido.

Ficaste na lágrima remota que já não existe mais.

1975


Mestre Amigo:

Aqui estamos reunidos num múltiplo esforço para fundirmos nossos espíritos nesta hora que nos parece mais uma preliminar dos trabalhos de encerramento de nosso grupo.

Sentimos todos a não prorrogação. Mas sabemos que nós não esmoreceremos. Continuaremos aqui, ficaremos unidos, coesos na linha de conduta que nos foi traçada. E aqui permaneceremos. E permaneceremos enquanto durar o nosso breve convívio.

Sabemos que na parte espiritual muito já se fez. Embora não tenhamos visto. Mas cremos. E foi esta nossa crença e esta nossa fé que nos animou na continuação das tarefas espirituais a que nos propusemos.

E aqui estamos ainda com a crença e a fé de que o Pai está conosco, regendo-nos e orientando-nos.

Não importa em quantos estamos aqui. Não importa o número. Importa, sim, a fé de que sempre estivemos imbuídos. Essa fé que nos sustentou durante os longos anos de nossa perseverança. A semente permanecerá para ajudar aqueles que não conseguirão sobreviver sob essas espessas camadas plúmbeas que nos toldam a visão do infinito e impedem-nos de ver o sol. Mas ele existe, o sol. E o infinito azul está para além de tudo o que a nossa imaginação possa sequer perceber ou sonhar.

18/03/1976


Ω

Meu irmão amigo de outras eras:

Agora é a hora de sentar-me no espaço a tua espera.

Sei que é difícil a tua vinda até aqui.

Assim como eu sei também que o meu peso me prende e amarra-me neste canto onde me encontro.

A saudade é grande, imensa, ilimitada, assim como toda a saudade o é. Conseguiste vencer e subir. E eu fiquei na distância, sem ver teu vulto, sem sentir tua presença, sem de ti nada saber. Apenas sei que existes.

Agora eu procuro o espaço, as nuvens, a aurora… o infinito… para tentar sentir tua presença, tua força, a energia que de ti emana. Mas a minha busca é falha, minha procura é falha. Limito-me nas coisas-terra que me rodeiam. Não posso sequer dizer-te que tento, que sempre estou tentando. Porque sabes que estas tentativas são poucas. Que estas tentativas são falhas.

Sabes que miríades de pensamentos pululam em minha mente. Tu sabes. Eis o empecilho maior. Esta é a minha limitação. Eu não tenho desculpas, tu sabes. Porque eu poderia tentar múltiplas vezes sentar-me numa branca nuvem lá do espaço e lá ficar a tua espera.

Eu sei que poderia, mas nem tento.

Estes turbilhões de dardos agitados parecendo movimentação de elétrons dentro de seu átomo não permitem a elevação que em vão procuro.

Assim permanecemos nós aqui no solo, arraigados ao cerne e à carne que nos rodeia.

Quem sabe, algum dia, amigo, estes pensamentos loucos conseguirão enraizar-se e ir em busca das luzes que ofereces em todos os momentos a estes peregrinos seres, que como eu, plasmam pela terra.

1976

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