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Matas ciliares e sua importância na preservação das águas

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É necessário cautela para investigar as causas, conhecer e compreender a dinâmica da natureza

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Helton A. C. Carneiro e Daniel C.F.Bocchese*

Aline Viancelli; William Michelon e Jairo Marchesan**

 

 

No ano de 2020 a região Sul do Brasil foi afetada por uma das mais intensas estiagens das últimas décadas. Decorrente desse desastre ambiental, gerou-se preocupações devido à diminuição da disponibilidade de água em quantidade e qualidade, além de intenso desconforto ambiental, tanto para o abastecimento público, quanto para os setores produtivos, como o industrial e agropecuário. Ainda, tal situação exigiu transporte de água por meio dos caminhões-pipa, e crescente busca e dependência pelas águas subterrâneas, via perfuração de poços tubulares.

 

 

 

Passado esse período crítico, devemos analisar a situação e tentar aprender com a ela. Normalmente, as pessoas tendem a fazer análises imediatas ou simplistas – quando fazem, pois, às vezes tendem a encontrar e apontar culpados, especialmente instituições e órgãos públicos. No entanto, entende-se que é necessário cautela para investigar as causas, conhecer e compreender a dinâmica da natureza, reconhecer os equívocos da sociedade humana com o ambiente, bem como, analisar e interpretar o fenômeno que gerou esse cenário ambiental.

 

 

 

Diante da carência de água superficial, o que podemos e devemos fazer para minimizar os impactos das estiagens e melhorar a disponibilidade hídrica regional? As respostas para tal situação ancoram-se em conhecimentos validados cientificamente e de resultados sociais e, principalmente, ambientais já alcançados, como por exemplo, ações proativas desenvolvidas e com resultados positivos, tais quais o uso e ocupação adequado do solo, a preservação das matas ciliares, recuperação e proteção de fontes superficiais, dentre outras. Afinal, a qualidade e a quantidade de água de um manancial estão diretamente relacionadas à preservação da mata ciliar, por exemplo. Neste sentido, quanto maior a preservação da mata ciliar ao longo dos rios, maiores serão as possibilidades de disponibilidade de água em quantidade e de melhor qualidade.

 

 

 

 

O termo mata ciliar refere-se à formação vegetal que ocorre nas margens de córregos, rios, lagos, nascentes e reservatórios, tendo como função evitar processos erosivos e o assoreamento dos rios. Esses processos podem ser reduzidos ou evitados se fizermos o manejo adequado dos solos e houver mata ou vegetação ciliar ao longo dos rios e córregos. Afinal, a vegetação funciona como uma barreira natural, evitando que o solo e demais materiais sólidos sejam carregados e depositados nos leitos dos rios, implicando negativamente também sobre a vida aquática. Além disso, a vegetação ciliar mantém a umidade do solo, qualifica e oferece a perenidade das águas e serve como corredor ecológico para a interação entre diferentes espécies da flora e fauna. Outra prática de cuidar das águas é por meio do manejo adequado dos solos, afinal, os mesmos são os maiores armazenadores de água na natureza.

 

 

 

 

A conservação desses ecossistemas possui regramento desde o ano de 1965, e atualmente é regida pela Lei 12.651, de 25 de maio de 2012, conhecida como novo “Código Florestal”, a qual manteve a obrigação de preservar e recompor as áreas de preservação permanente, como as áreas de mata ciliar. Apesar de termos uma legislação que estabelece a conservação da mata ciliar, percebemos que a sociedade, de maneira geral, não cumpre suficientemente com as determinações legais e na execução de práticas preservacionistas.

 

 

 

 

 

Somos todos responsáveis pela disponibilidade, qualidade e gestão das águas. Para isso, uma das ações básicas e funcionais é a preservação das matas ciliares. A perda e degradação deste componente ambiental provocam o agravamento de problemas relacionados ao fornecimento de água em quantidade e qualidade. A falta de água exige a adoção de medidas de impacto e, às vezes, de expressivos valores econômicos, como a realização de dragagem dos reservatórios para restaurar a capacidade de armazenamento de água; limpeza de reservatórios; busca de águas em mananciais distantes; utilização de caminhões-pipa para transporte de água a fim de atender o abastecimento público; busca pelas águas subterrâneas, dentre outras. Normalmente, tais ações são onerosas economicamente e impactam financeiramente para toda a sociedade. Os impactos da redução da quantidade de água de um manancial são de fácil entendimento, mas e quanto aos impactos da redução de qualidade? Quando a qualidade da água diminui, são necessários esforços maiores para remover os contaminantes e deixá-la potável. Neste sentido, temos um acréscimo econômico no custo de tratamento da água, pois pode envolver aumento na dosagem dos produtos químicos utilizados para remoção dos poluentes.

 

 

 

 

 

Desta forma, sugere-se a observância e o cumprimento da legislação, como, por exemplo, a que prevê a preservação das matas ciliares. Além disso, propõe-se o uso integrado das águas, tais como: recuperar, preservar e utilizar as águas superficiais (fontes, lagos e rios), aproveitamento da água das chuvas, implementar práticas de reuso de águas; além de utilizar parcimoniosamente as águas subterrâneas. Evidentemente que as ações cotidianas e domésticas de uso parcimonioso ou de cuidado das águas é importante, como: banhos curtos, utilizar racionalmente a água, dentre outras. Assim, estas e outras práticas devem ser sistemáticas e contínuas e, consequentemente, podem contribuir sobremaneira na disponibilidade de água com regularidade para todos.

 

 

 

 

*Helton A. C. Carneiro e Daniel C.F.Bocchese são mestrandos no Programa de Mestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC)

 

**Aline Viancelli; William Michelon e Jairo Marchesan são docentes do Programa deMestrado Profissional em Engenharia Civil, Sanitária e Ambiental da Universidade do Contestado (UnC)

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