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A verdade e a justiça na política

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Seria justificável usar da mentira para se manter no poder?

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Nos últimos dias, temos visto que o que se alardeava como “verdade” na política brasileira recente talvez não fosse bem “verdade”, no sentido próprio do termo, por mais que seus defensores levantassem bandeiras com dizeres bíblicos de conhecer a verdade e serem libertos por ela. Entre delações, investigações e batidas policiais, as notícias indicam que o que vinha a público não refletia necessariamente a verdade. Mas seria justificável usar da mentira para se manter no poder? Ou, ainda, seria justo usar a mentira para se proteger, proteger seus filhos e cônjuges?

Utilizaremos da contribuição clássica de Kant para essa abordagem, cujo centro de sua ética é o chamado Imperativo Categórico, que estabelece que devemos agir de acordo com máximas que possam ser universalmente aceitas. Kant sustenta que a mentira é incompatível com o Imperativo Categórico, pois, ao mentir, a pessoa age de maneira que não pode desejar que todos ajam da mesma forma. O mentiroso quer ser a exceção, ser o único autorizado a mentir.

A mentira é incompatível com a justiça, viola o Imperativo Categórico, que proíbe ações que não possam ser universalizadas. Se todos mentissem em busca de seus próprios interesses, isso levaria ao caos e à impossibilidade de confiar nas palavras dos outros. Portanto, para Kant, a justiça exige a honestidade e a veracidade. O pensador defende que a proibição de mentir é categórica e não admite exceções, mesmo em situações difíceis ou extremas. Ele argumenta que a mentira viola a dignidade e o respeito pela autonomia moral, princípios fundamentais para Kant.

Nesse sentido, uma mentira é uma falsificação deliberada da verdade com a intenção de enganar. Mesmo meias-verdades ou omissões com a intenção de induzir alguém ao erro são consideradas mentiras, uma vez que violam a máxima de agir com honestidade.

Kant associa a mentira ao desrespeito à razão humana. Ele argumenta que, ao mentir, comprometemos a capacidade racional dos outros de formar julgamentos e tomar decisões baseadas em informações precisas. Se tomamos as decisões confiando no que diz um líder político e esse líder político está mentindo para a gente, não temos como saber que foi a melhor opção que tomamos dentre as disponíveis, pois tomamos a decisão baseados em mentiras, fomos tratados como um mero meio para que o mentiroso alcançasse seus objetivos e isso é contrário à visão kantiana de tratar as pessoas como fins em si mesmas.

O filósofo explora a ideia de que, em algumas circunstâncias, pode ser tentador mentir para promover um bem maior, como a preservação da vida. No entanto, ele rejeita essa possibilidade, argumentando que a mentira sempre viola a dignidade e a moralidade, independentemente dos resultados pretendidos.

Quando líderes políticos usam a mentira para tentar manter o poder, para ficar fora da cadeira, não ser investigado, proteger seus filhos de investigação contra rachadinhas… isso levanta questões éticas relacionadas à justiça. A confiança do público pode ser abalada, a legitimidade do sistema político pode ser questionada, e a capacidade do sistema de promover a justiça pode ser comprometida.

Parece-nos natural que a figura a liderar o grupo seja revestida de confiança, pois, para bem liderar, os liderados precisam poder acreditar no que está sendo dito. Contudo, o que temos visto é que por vezes nem mesmo os aliados do mentiroso costumam ser poupados das mentiras, das espionagens ilegais e das manipulações.

Já o povo que nele acreditou, muitos dos quais ainda acreditam, estão vendo dia por dia lampejos de verdade a surgirem entre linhas de jornais e páginas processuais. Parte desse povo, diga-se de passagem, está lendo de dentro de celas, pagando anos de prisão pelo oito de janeiro, por terem acreditado.

Mas as mentiras por parte de líderes políticos não é uma exceção da esfera federal. Nossa comunidade local teve momentos esclarecedores nos últimos tempos relacionados ao que se fez na prefeitura municipal em anos anteriores.

A necessidade de confiança nas instituições e nos líderes políticos é crucial para o funcionamento saudável de uma democracia. A confiança é a base sobre a qual repousa a legitimidade e eficácia do governo democrático.

Líderes que não cumprem suas promessas podem gerar desconfiança. A quebra de confiança ocorre quando as ações dos líderes não correspondem às expectativas geradas durante campanhas eleitorais. A corrupção e os escândalos políticos também minam a confiança nas instituições e nos líderes. A percepção de que os agentes políticos estão agindo em benefício próprio, ou para protegerem os seus, em detrimento do interesse público, pode erodir rapidamente a confiança do público. Além disso, algo que foi muito presente em nosso cotidiano recente, a disseminação de desinformação e fake news pode minar a confiança nas instituições e líderes. Quando as pessoas são expostas a informações falsas, a credibilidade das fontes de informação e, por extensão, das instituições democráticas, pode ser prejudicada.

A obrigação de dizer sempre a verdade, especialmente no contexto do papel desempenhado por líderes políticos em uma democracia, desempenha um papel fundamental na construção e manutenção da confiança nas instituições democráticas. Os líderes políticos, como representantes do povo, têm a responsabilidade moral e ética de serem honestos em suas comunicações com os cidadãos. A verdade é a base sobre a qual a confiança é construída, e quando líderes políticos violam essa obrigação, minam não apenas sua própria credibilidade, mas também a integridade das instituições democráticas como um todo. A confiança do público nas instituições depende, em grande parte, da percepção de que os líderes estão comprometidos com a transparência, responsabilidade e o bem comum. Portanto, a obrigação de dizer a verdade não apenas reforça a ética individual, mas também contribui diretamente para a preservação da confiança essencial para o funcionamento saudável de uma democracia.



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