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Bolsonaro afirmou que as Forças Armadas não se limitariam a “participar como expectadoras” das eleições de outubro deste ano

Dentro de poucos meses, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 30 de abril, quase 150 milhões de brasileiros irão às urnas para exercer um dos principais pilares da democracia, o direito ao voto, como é expresso no artigo 14 da Constituição Federal de 1988.

“A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei […]”

Porém, nos últimos dias mais uma grande dúvida, sendo seguida por uma tempestade começou a se desenhar no horizonte da tão frágil democracia brasileira. E isso tem um nome, na verdade dois, Jair Messias Bolsonaro e as Forças Armadas.

Falando sobre isso, tenho a impressão de ficar meio que voltando a um assunto que já foi debatido inúmeras vezes e que em um País democrático deveria passar longe de existir. Porém as discussões impostas pelo presidente da República nos últimos dias, nos fazem refletir sobre o que está por vir.

Em uma live, Bolsonaro afirmou que as Forças Armadas não se limitariam a “participar como expectadoras” das eleições de outubro deste ano. Observar essa frase dita pelo presidente, no atual momento que a política brasileira vive, nos faz refletir sobre qual é o papel dos militares no processo eleitoral.

Segundo o ex-presidente do TSE (2008-2010), ministro Ayres Britto, em entrevista a BBC News Brasil, na quarta-feira, 11, o papel dos militares dentro das eleições brasileiras se resume a “[…] distribuir urnas e garantir a segurança e alguns locais de votação sempre que solicitado”.

Ao ler a afirmação dita por Britto, pode-se refletir sobre como uma instituição que perante a lei, não tem poder tal qual o executivo, legislativo ou o judiciário, está novamente à luz do processo eleitoral brasileiro, tal qual em 1964, mas diferente do que foi naquela época.

E eu explico o porque de estar diferente. É preciso entender que naquela época não somente o Brasil, como resto do mundo, tinham culturas e costumes diferentes, aliados a escassa tecnologia.

Atualmente, as terras tupiniquins vivem um momento diferente, em que as tecnologias estão presentes nas 24 horas do nossos dias, e aqui mora a principal mudança entre o momento em que o golpe militar de 1964 foi construído, para aquilo que estamos assistindo de camarote acontecer atualmente.

Não estou aqui falando que não haverá um golpe militar no Brasil, podemos acordar amanhã e tudo o que conhecemos e construímos na nossa democracia tenha passado a ser apenas um ponto na nossa história já tão cheia de altos e baixos.

Porém, não podemos descartar a possibilidade quase iminente de que o processo eleitoral de 2022 aqui no Brasil seja um espelho daquilo que ocorreu e outros países, como os Estados Unidos da América.

A partir do momento em que o TSE convidou um representante das Forças Armadas para participar de uma comissão de transparência nas eleições, a instituição deu abertura para que as falas por parte de Bolsonaro e alguns militares sobre a lisura das urnas ganhem maior corpo.

A última inflamação a surgir nessa feriada aberta, foi quando o presidente afirmou que o seu partido, o PL, poderá contratar uma empresa de auditoria para realizar uma espécie de contagem paralela de votos na eleição deste ano.

Perante a lei, o que foi afirmado por Bolsonaro é irregular, já que um partido político pode fazer uma auditoria, autorizada pelo TSE, apenas posteriormente ao resultado, assim como ocorreu em 2014.

Até algum tempo atrás para alguns Bolsonaro e o bolsonarismo trabalhavam com cartas marcadas, porém, percebe-se que elas acabaram, porque agora e daqui em diante Bolsonaro deve inflamar cada vez mais o discurso que questiona a lisura do pleito eleitoral.

Ainda há muita água para passar por debaixo dessa ponte, porém com as últimas investidas de Bolsonaro, o sinal de alerta de todos deve estar bem aceso. Afinal, em democracia alguma um presidente da República tem a liberdade de questionar o sistema eleitoral do seu país, sendo que ele mesmo foi eleito por este sistema.

Outro ponto que deve estar fazendo parte desse sinal, é a forte presença de pessoas ligadas às Forças Armadas nas discussões envolvendo a lisura das urnas e do pleito.

Enquanto escrevo essa coluna, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, em uma coletiva de imprensa, afirmou que “quem trata de eleições são forças desarmadas”. Essa é a resposta que qualquer pré-candidato a qualquer cargo político deve ter no momento em que ouse-se trazer a jogo uma discussão envolvendo a lisura das urnas e a presença das forças militares.

A Bolsonaro fica a questão: o porquê de colocar tantas interrogações no pleito eleitoral, sendo que este mesmo sistema o elegeu durante os seus mais de 20 anos como deputado e também agora como presidente? Seria medo ou apenas a vontade de se perpetuar no poder?

Sobre a possibilidade de golpe, podemos deixar de lado o medo de que aquilo que aconteceu lá em 1964 volte a se repetir agora. Se em 2022 o golpe ocorrer ele está em curso agora no momento em que você está terminando de ler essa coluna.

Até a próxima.