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A hora de parar

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No primeiro quadrimestre o número de abertura de empresas reduziu 1,6%

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Em toda crise econômica e financeira, o impacto nas empresas privadas é sentido a curto prazo. Como tudo é muito rápido e conectado, problemas econômicos atingem direta ou indiretamente as organizações com uma intensidade cada vez maior. A crise instaurada na economia brasileira desde a covid e impulsionada pela guerra na Ucrânia, vem preceptivamente atingindo os negócios, inclusive regionais.

Em dados oficiais, o boletim do 1º quadrimestre de 2023, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços aponta que no primeiro quadrimestre o número de abertura de empresas reduziu 1,6% em relação ao mesmo quadrimestre de 2022. Já o fechamento de empresas aumentou em 34,7% no mesmo período. Isso demonstra um claro “desinvestimento” nos fatores produtivos.

A questão que bate na mente do empresariado é, qual é o momento de parar? Até que ponto persistir passa de resiliência para teimosia? Esse assunto delicado e por vezes “proibido” nas rodas de negócios e encontros empresariais, nos quais somente o sucesso tem vez, é algo que na verdade sempre perturba os planos do Gestor, pois há sempre a possibilidade de uma fusão, venda ou fechamento de uma empresa.

Na questão técnica, alguns indícios podem sinalizar que o ramo não é mais atrativo, ou, a empresa possui fragilidades que não a coloquem em uma situação de disputa de mercado. Seguem alguns pontos que isoladamente colocam a empresa em risco, e que em conjunto, trariam dificuldades para a continuidade dela:

– O produto ou serviço no qual a empresa é especialista está sendo rapidamente substituído pela população por outro produto ou serviço, sob o qual a empresa não consegue ter o mesmo desempenho;

– Produto/Marca com má fama;

– Sucessíveis prejuízos contábeis;

– Sucessíveis gerações de caixa negativos;

– Endividamento alto em relação ao lucro operacional ((Dívida Líquida / Ebitda) > 4);

– Ativos imobilizados operacionais deteriorados (equipamentos, prédios, móveis);

– Retorno de dividendo (ROE) abaixo do praticado no mercado;

Na questão gestão de pessoas e governança:

– Equipe improdutiva sem possibilidade de substituição ou formação;

– Empresa sem sucessão ou possibilidade de profissionalização;

– Desentendimento entre sócios.

Apesar dos pontos acima serem prejudiciais para a continuidade da empresa, há um que supera todos. Este surge quando o trabalho ou atividade não “alimenta” mais o empresário/gestor. A empresa não apresenta indício algum de problema como os já citados. É competitiva, equipe alinhada, geradora de caixa. Isso tudo pode ruir caso a mentalidade dos sócios não esteja saudável. A atividade precisa gerar PROPÓSITO. Caso isso não ocorra, é muito provável que as lideranças busquem esse propósito em outras atividades, fundindo ou vendendo uma empresa, mesmo ela apresentando índices extremamente bons.

Uma boa pergunta filosófica de sentido que o empresário pode se fazer é: Qual impacto quero que minha empresa tenha na vida das pessoas que ela atende? Nos funcionários que ali trabalham? Na sociedade ou ambiente que está inserida? Talvez a resposta seja o novo propulsor do profissional e da própria empresa.

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