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julho

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Vereadores de Canoinhas mimetizam os de Bela Vista e negam realidade

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A postura avestruz marca atitudes em ambas as cidades

AVESTRUZ

COLUNA DE DOMINGO Preso na quarta fase da Operação Et Pater Filium, o prefeito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti (PSD), deu um duplo twist carpado e se livrou de praticamente de todas as acusações que pesam contra ele. Ao firmar acordo de colaboração premiada, entregou seus pares, com especial foco em Beto Passos (PSD) e Renato Pike (PL), e tem tudo para sair já em 2024 da cadeia.

Caberia uma coluna para analisar essa façanha jurídica, mas não é o caso aqui. O que mais impressiona é que, se for da vontade dos nove vereadores bela-vistenses, Alberti pode voltar ao cargo que, por direito, ainda exerce até dezembro de 2024. Sequer foi proposta a abertura de processo de impeachment contra o prefeito que, pasmem, confessou os mais espúrios métodos cometidos por ele para lesar os cofres públicos. Sobre isso a Câmara nada diz, finge que nada aconteceu e segue lendo e-mails recebidos de deputados (inclusive a célebre frase “email automático, favor não responder”). A primeira-dama segue como contadora do Legislativo, onde Alberti também tinha um emprego por concurso. Esse, pelo menos, ele perdeu pelo acordo que o impede de exercer cargos públicos por oito anos, ou seja, ele não pode voltar à prefeitura, ao menos em 24, mas seria um gesto bem importante a Câmara se posicionar a respeito cassando seu mandato.

Passos, a quem Alberti, com orgulho, relatou como teria ensinado a usar o poder público para se locupletar, teve ao menos a dignidade de reconhecer que não era mais bem-vindo à prefeitura, e renunciou.

Pike não o fez e o que planeja é um mistério. Por pura pressão popular, a Câmara aprovou abertura de processo de impeachment contra ele. Quase dois meses depois, o processo não andou. Alega a assessoria jurídica que o Tribunal negou acesso aos autos, o que impede o processo de andar. Que tal o fato de Pike estar preso, o que atravanca os caminhos do Município?

Impeachment é um julgamento político. Estão aí as pedaladas de Dilma Rousseff que esfregam essa realidade na nossa cara. Ao perder sustentabilidade política por ignorar o Congresso, o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pinçou um dos tantos motivos que se tem para derrubar um presidente e foi muito bem-sucedido. Depois dela, Michel Temer pedalou e Jair Bolsonaro fez coisas muito piores. A diferença é que ambos tratam muito bem o Congresso. Aprenderam a lição, enfim.

Canoinhas segue com seis vereadores que não fazem críticas abertas a Pike. Muitos deles se elegeram com apoio firme do vice-prefeito. O que não se entende é o silêncio dos quatro opositores. Se há uma estratégia nessa postura de avestruz, que mete a cabeça num buraco para não ver o que acontece ao seu redor, ainda não ficou nada clara. Ao povo, resta cobrar uma atitude.