UnC e a crise das universidades particulares

Campus da UnC Marcílio Dias/Arquivo

Universidade, assim como todas do mesmo modelo, enfrentam dois problemas de difícil solução para se manter

 

 

MUITA OFERTA, POUCA DEMANDA

Causou mal-estar na direção da Universidade do Contestado (UnC) a divulgação de um email endereçado a vestibulandos do curso de Medicina Veterinária dando conta da decisão de não abrir turma no primeiro semestre de 2019. No texto sucinto a direção da UnC não informa o motivo, que creio não possa ser outro senão a pouca demanda. Analisando os custos, observou-se que o curso não se paga com as mensalidades recebidas. Trata-se de uma decisão administrativa que foca lá na frente, quando se estará gastando mais do que se arrecada.


 

Não demorou, no entanto, para muitos lembrarem que nos áureos tempos de João Rosa Müller a UnC era a indústria sem chaminé que oferecia até 32 cursos, aquecendo o mercado imobiliário com dezenas de alunos vindos até do Norte do País para aqui estudar. Chegamos ao ápice de a primeira turma de Optometria ter apenas um aluno de Canoinhas. Todos os demais (30 pelo menos) eram de fora da cidade.

 

O curso de Optometria, assim como o de Medicina Veterinária, é um bom exemplo para mostrar como o mercado mudou, desfavorecendo não só a UnC.

 

O que se viu nos últimos anos foi um crescimento impressionante do mercado de ensino, impulsionado principalmente pela modalidade à distância. Acompanhou a liberdade que o Ministério da Educação (MEC) deu às instituições de ensino e não só para elas. No ano passado, o MEC editou uma resolução que permite que empresas e institutos, públicos ou privados, pleiteiem junto à pasta o direito de ministrar especializações no país.

 

Quando a UnC oferecia 32 cursos, no início do século, eu era aluno de Jornalismo da Faculdade de Administração e Ciências Econômicas de União da Vitória (Face). À época a Face oferecia sete cursos, hoje oferece 13 e já não é mais Faculdade, mas sim Centro Universitário. A Face, por sua vez, tinha como maior ameaça o pequeno campus que a UnC mantinha em Porto União. Hoje, a Uniguaçu (que estava começando à época) é sua principal concorrente, mas não única. Há os cursos à distância que afetam as duas instituições.

 

A UnC, por sua vez, à época, tinha nas universidades de União da Vitória uma ameaça que pouco a afetava. Na região, reinava soberana. Isso mudou radicalmente nos anos seguintes. Hoje, além da Fameplan e Dama, que trabalham com ensino presencial, há nove instituições de ensino à distância com escritórios em Canoinhas, segundo levantamento recente feito pela Associação dos Municípios do Planalto Norte (Amplanorte). Há ainda as públicas como o polo da Universidade Federal de Santa Catarina e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

 

Acompanha esse cenário de pulverização de instituições de ensino um decréscimo populacional de jovens em idade universitária. Segundo o Censo 2000, Canoinhas tinha 4.770 jovens entre 20 e 24 anos. Dez anos depois esse número reduziu para 4.407. A redução é pequena, mas considerando que houve uma explosão de instituições de ensino nos últimos 20 anos, é óbvio que a oferta não acompanhou a demanda. Para o mercado seguir sustentável teria de haver uma explosão no número de bebês nascendo nesse período, mas o que aconteceu foi o contrário. Custo de vida, mercado de trabalho cada vez mais escasso, dificuldades para se educar e tantos outros fatores levaram as pessoas a terem menos filhos.

 

Não atentar para esses dois pontos antes de criticar a administração da UnC é injusto, assim como seria ao criticar qualquer outra instituição da região (ou do país) que enfrente crise no setor.

 

A UnC, por mais que tenha problemas de gestão, padece do mesmo mal que suas congêneres. Há de se atentar para o fato de que a amplitude de opções torna-se favorável ao estudante, mas aí entramos em outra seara bem mais espinhosa e que poderia ser motivo para outro artigo: afinal, a variedade de ofertas garante qualidade?

 

 

CONTRA O XISTO

Uma equipe chamada de Coalizão Não Fracking Brasil (Coesus) e a Associação de Proteção da Bacia do Rio São João e da Bacia do Rio Papanduva vão promover um seminário sobre os problemas causados pela extração do óleo e do gás de xisto ante a constitucionalidade da legislação de Papanduva. O evento acontecerá dia 18 de março, às 19 horas, no salão paroquial São Sebastião, em Papanduva.

 

O movimento tem se insurgido sobre a exploração, prestes a iniciar em Papanduva, e que deve se estender por Canoinhas e Três Barras.

 

 

MINERAÇÃO

Na esteira da polêmica em Papanduva, o Município de Canoinhas contratou a Geologia Crippa Ltda ao custo de R$ 20,6 mil para requerimento de registro de lavra junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral e acompanhamento de responsavél técnico de lavra a céu aberto. Questionado sobre o contrato, prefeito Beto Passos (PSD) não soube dizer se tem a ver com a Irati Energia, empresa que pretende explorar o xisto na região.

 

Passos disse que se informaria e retornaria a ligação, o que não aconteceu até o fechamento desta publicação.

 

 

SEMANA INTENSA

Prefeito Beto Passos (PSD) tinha acabado de voltar de Florianópolis no meio da semana quando foi chamado pela deputada estadual Ana Paula da Silva (PDT) porque ela tinha coseguido uma audiência com o secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler. Passos e o prefeito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti (PSDB), não pensaram duas vezes. Voltaram a Florianópolis com documentos e atestados da precária situação da SC-477, rodovia que liga Canoinhas à BR-116. Ouviram do secretário promessas de empenho para resolver a situação.

 



MAFRA É O POINT

Falando em Ana Paula da Silva (PDT), nesta semana ela anunciou a implantação de um escritório regional em Mafra. Segundo a deputada, a iniciativa vai oportunizar a relação do Planalto Norte com o Estado. “Nós vamos abrir uma porta para ficar mais perto de vocês. Pelo menos uma vez por mês, vocês vão me encontrar, e eu garanto que farei tudo o que estiver ao meu alcance pelo Planalto Norte”, disse.

 

A notícia foi recebida pelo vereador de Mafra, José Marcos Witt (PDT), durante reunião no gabinete de Paulinha na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis.

 

 

AÇÃO

O Ministério Público de Santa Catarina, por meio da 3ª Promotoria de Justiça de Canoinhas, ingressou com a Ação Civil Pública contra o prefeito de Três Barras, Luiz Shimoguiri (PSD) por supostos atos de improbidade administrativa. O MPSC apontou ausência de processo de licitação para a contratação de uma profissional que teria prestado serviços de assessoria para o Município. Shimoguiri não foi localizado para comentar a ação.

 

 

 

31%

dos funcionários de prefeituras de todo o Brasil são indicados por partidos políticos mostra levantamento de professores do Insper

 

 

A LÍNGUA É CHICOTE…

Um dia depois de eleito, Jair Bolsonaro (PSL) condenou a Folha de S.Paulo ao ostracismo que seria fruto dos atos de seus próprios jornalistas. Quase dois meses depois reportagem do jornal derrubou um dos seus ministros mais fortes.

 

O bom jornalismo é aquele que não se amedronta diante de ameaças. Coragem é o que melhor o define.

 

 

 

A LÍNGUA É CHICOTE… 2

Eduardo Bolsonaro (PSL) perdeu uma ótima chance de ficar quieto ao criticar a saída de Lula da cadeia para se despedir do neto de 7 anos morto vítima de meningite. Com o sucesso político que ele e seu grupo alcançaram na eleição de outubro, acha que pode falar o que vem na telha. Não pode, como muito bem demonstraram seus seguidores nas redes sociais, mesmo que o alvo de suas críticas seja o arquirrival de seus simpatizantes.

 

 

No clássico Dom Quixote, o protagonista deixa pasmo seu colega, Sancho Pança, ao lutar contra moinhos de vento acreditando serem gigantes. Com o PT combalido, tendo seu líder máximo atrás das  grades, Eduardo e outros têm no clássico da literatura uma boa dica de leitura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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