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Trinta por cento dos assassinatos ocorridos em 2021 na comarca de Canoinhas são feminicídios

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O ano não terminou, mas já registra maior número de homicídios em três anos

A Comarca de Canoinhas, que compreende os municípios de Bela Vista do Toldo, Canoinhas, Major Vieira e Três Barras, já registrou dez homicídios em 2021. Número ultrapassa índice registrado na região durante todo o ano de 2018, em 2019 e também em 2020, que foi de nove homicídios por ano. Quatro deles foram registrados em Canoinhas e seis em Três Barras. Desses dez homicídios registrados na região, três foram feminicídios.

O caso mais recente foi a morte da jovem Thais Correa Lemes da Silva, 23 anos, assassinada pelo seu ex-companheiro Carlos Alberto Becker Ribeiro, 32 anos, que também morreu após a intervenção do irmão da vítima. A tragédia aconteceu na rua José Manoel Correa, no São Cristóvão, por volta das 13 horas do dia 25 de agosto, em Três Barras.

Segundo a Polícia Militar, vizinhos relataram que Thaís já tinha medida protetiva contra Ribeiro. Eles residiam em Joinville e após terminar o relacionamento, a vítima voltou a residir em Três Barras.

Thaís trabalhava em um supermercado em Canoinhas e quando soube que o ex-companheiro teria viajado de Joinville à Três Barras, para evitar um possível confronto, não foi ao trabalho. No entanto, ela e a mãe saíram para levar as crianças para a escola. Neste momento, Ribeiro começou a persegui-las.

Quando chegaram em casa, Ribeiro começou a desferir golpes de faca na ex-companheira e na mãe dela. O irmão da vítima, ao presenciar a cena, tentou salvar a mãe e a irmã. Ele atirou com uma espingarda calibre 22, mas não soube dizer se teria acertado o agressor.

Após o disparo, o irmão da vítima teria entrado em luta corporal com o agressor e acabou sendo lesionado no braço esquerdo. Mesmo assim, conseguiu tomar a faca de Ribeiro e desferiu alguns golpes para se defender e se desvencilhar do agressor.

No dia 3 de setembro, nove dias depois de internamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Cruz (HSCC), faleceu também a mãe de Thais, Sônia Corrêa Lemes da Silva, 40 anos. Ela foi esfaqueada em dois pontos da barriga pelo ex-genro, ao tentar salvar a filha.






FEMINICÍDIO NO SALTO

O outro feminicídio aconteceu no mês de fevereiro em Canoinhas. Josiane foi assassinada pelo companheiro no dia 25 daquele mês, no Salto d’Água Verde, na estrada do Pinheirão. O acusado, Luciano Soares Ricardo, de 27 anos, foi preso e condenado.

Segundo relato do acusado, eles estavam ingerindo bebida alcoólica em uma casa onde iniciaram uma discussão. Ela teria corrido atrás dele com uma faca. Os dois começaram a se agredir fisicamente e, ainda de acordo com o acusado, ao tentar se defender Josiane acabou cortando a própria jugular. Ela portava uma faca em uma das mãos.

A versão dele, no entanto, foi rapidamente desmentida com as seis perfurações encontradas no corpo de Josiane. Posteriormente, o Instituto Geral de Perícias (IGP) concluiu que a vítima foi ferida não somente no pescoço e que os seis golpes de faca foram distribuídos pelo corpo, sendo um no pescoço, quatro nas costas e um na altura do ombro esquerdo. 

Segundo os bombeiros de Canoinhas, Josiane encontrava-se caída em decúbito dorsal, no barranco ao lado da estrada, inconsciente, já morta, apresentando ferimento perfurante na região do pescoço, com grande volume hemorrágico ao seu redor.

O acusado, segundo a polícia, tinha passagens por homicídio, roubo, lesão corporal, dano e ameaça. A vítima também tinha passagens por vias de fato, lesão corporal, ameaça, perturbação do sossego, posse de drogas e tráfico de drogas.

No dia 3 de setembro, o Tribunal do Júri da comarca de Canoinhas condenou o acusado a pena de 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado.



DADOS DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM CANOINHAS

Segundo dados da pesquisa O Papel da Educação na Prevenção da Violência Contra a Mulher no Município de Canoinhas, realizada pelo professor Reginaldo Marques dos Santos pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no período entre 1º de setembro de 2019 a 30 de setembro de 2020, foram 524 registros de casos de violência contra a mulher no município de Canoinhas. O que dá uma média mensal de 40 casos ou 1,3 casos diários. Os dados levantados pela pesquisa são dos registros efetivados na Polícia Civil.

O maior índice quanto a denúncia a partir do tipo de violência é o de ameaças em Canoinhas, conforme a pesquisa. Comparando com os registros de Canoinhas a partir das formas de violências descritas na Lei Maria da Penha, 44,6% são de violência psicológica, 29% de violência física, 17,5% de violência moral, 3,4% patrimonial, 2,2% sexual e outros 3% se referem ao crime de descumprimento de medidas protetivas.




VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

Com a nova Lei 14.188, de 29/07/2021, a violência psicológica contra a mulher foi incluída no Código Penal como crime. Para esse tipo de delito a pena é reclusão de seis meses a dois anos e multa. A mudança na legislação permite à mulher pedir o afastamento do agressor por esse motivo. Até então, as medidas protetivas de urgência eram possíveis apenas se houvesse risco à integridade física.

Os casos de violência psicológica deverão ser comunicados à Delegacia mais próxima para que haja a solicitação das medidas protetivas de urgência e a investigação criminal; poderão ser solicitadas por meio de advogada (o) ou, ainda, na Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher.




FEMINICÍDIOS EM SC

De 1.º a 30 de setembro deste ano, Santa Catarina registrou 572 homicídios, 31 deles são feminicídios, de acordo com o Boletim Mensal de Indicadores da Segurança Pública de Santa Catarina. Em 2020, o número de feminicídios no Estado foi de 57, em 2019 foram 58 mortes e em 2018, esse número chegou a 42.