quarta-feira, junho 23, 2021

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Transgênicos e a longa disputa entre o “bem” e o “mal”

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O aumento de pragas além de estar associado às mudanças do clima, tem alta correlação com o manejo incorreto da lavoura

 

Aqui no Planalto Norte, nossos invernos cada vez mais quentes e secos têm dado um trabalho extra em relação à questão de pragas nas principais culturas agrícolas. Há muitos anos não víamos ataques de lagartas tão cedo, chegando a atacarem as pastagens de inverno no início da primavera e a prejudicarem muito o milho precoce. No fumo, ataques intensos de pulgão. E quando achávamos que as pragas já estavam se acalmando, estamos vendo ataques de cigarrinhas em milho, como não víamos há muito tempo.

 

 

 

Um inverno quente e seco mantém praticamente estável a enorme quantidade de ovos e inóculos das pragas e doenças no solo, que normalmente morreriam com as geadas. Sem geadas os ovos eclodem mais cedo, as pragas se reproduzem com maior rapidez e os agricultores precisam aumentar exponencialmente a atenção, o trabalho e os custos para manter as lavouras.

 

 

 

E o que os transgênicos tem a ver com isso? Pois bem, foi impossível não verificar o efeito positivo dos milhos com a tecnologia Bt em um ano de ataque de lagartas como 2020. Desde 2012 são disponibilizados milhos com um evento transgênico que se refere à inserção de genes Cry, provenientes da bactéria de solo, Bacillus thuringiensis (Bt), que produz toxina capaz de provocar paralisia no sistema digestório de pragas invasoras ao se alimentarem da planta modificada.

 

 

 

Nas áreas cultivadas com milhos híbridos sem a tecnologia Bt ou com milhos variedades, o ataque de lagarta foi intenso, exigindo duas ou três aplicações de inseticidas para controle. Neste momento é mais fácil perceber porque um produtor opta por pagar duas ou três vezes mais por uma semente transgênica. Porque, no final, o custo das aplicações, a contaminação ambiental e os riscos à saúde acabam sendo menores com a tecnologia Bt. É difícil não concordar ou entender isso.

 

 

 

 

Por outro lado, o aumento de pragas além de estar associado às mudanças do clima, tem alta correlação com o manejo incorreto da lavoura. Além de aumento de pragas, o aumento de plantas resistentes segue no mesmo ritmo. Ou seja, são resultados do uso contínuo de variedades transgênicas de milho e soja resistentes ao herbicida glifosate. Sem rotação no uso de produtos para controle de plantas invasoras, o desequilíbrio no solo só aumenta, gerando um círculo vicioso que exige aumento de doses de produtos, contribuindo para ocuparmos o tão comentado posto de maior consumidor de agrotóxicos/área do mundo.

 

 

 

 

Ou seja, enquanto a tecnologia da transgenia em si pode ser uma ferramenta importante para a melhoria da qualidade de vida, ambiental e até econômica da agricultura, seu uso inadequado, a falta de conscientização daqueles que utilizam e/ou comercializam, seja por falta de conhecimento ou por interesses, podem prejudicar enormemente o equilíbrio do ecossistema agrícola. “Toda tecnologia pode ser boa, desde que não seja mal utilizada”.

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