Roteiro de Fargo é incapaz de apresentar qualquer imperfeição


Netflix

Série baseada no filme dos irmãs Coen é um primor de ironia

 

 

 

SOBERBO

Ocorre algo inusitado com Fargo, série que conta três histórias diferentes ao longo de 30 episódios e que está disponível na Netflix. A primeira história é inspirada no filme homônimo de 1996 que deu o Oscar de melhor atriz para Frances McDormand, além de dar aos festejados irmãos Coen o prêmio de melhor roteiro original (os dois também dirigiram o filme).

 

 

 

Ocorre que não gostei do filme, achei chato e supervalorizado. Talvez seja hora de rever meus conceitos. Acabo de encerrar a primeira temporada da série. Que fantástica. Roteiro perfeito. Fico pensando: como raios me revirei na poltrona para aguentar os 98 minutos do filme e me deliciei por 10 horas sem nem sentir a passagem do tempo ao ver a série?

 

 

São mistérios que, um dia, algum acadêmico há de investigar.

 

 

 

A história da primeira temporada (ainda não vi as outras duas) é centrada no fracassado Lester (Martin Freeman), um vendedor de seguros que é constantemente humilhado. Quem mais gosta de colocá-lo pra baixo é sua esposa. De modo perverso ela deixa claro que o irmão dele é um vencedor e ele um perdedor. “Acho que escolhi o irmão errado”, tem a pachorra de dizer diante de um impassível Lester.

 

 

 

A passividade com que ele aceita todo tipo de abuso, no entanto, está com os dias contados. O problema é que ele não calibra bem essa reação e acaba exagerando. Paciência no limite ou influência de Lorne Malvo (Billy Bob Thornton numa interpretação impressionante), Lester chuta o balde e revela seu lado mais sombrio.

 

 

 

Em torno de Lester orbitam personagens tão interessantes quanto ele, como o dono de supermercado (Oliver Platt) que conheceu a riqueza ao encontrar uma maleta de dinheiro na neve e que se sente compelido por Deus ao viver situações pra lá de estranhas como um banho de sangue no chuveiro e uma chuva de peixes. Há, ainda, a policial Molly Solverson (Allison Tolman, que se disputasse o Oscar com Frances, por merecimento levava), intuitiva, deixa os colegas de delegacia no chinelo. Sua relação com Gus Grimly (Colin Hanks) é muito bacana de ver se desenrolar.

 

 

 

 

Elenco afinadíssimo, com interpretações soberbas, roteiro impecável e direção precisa. Ansioso pra ver as duas outras temporadas.

 





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