Quando o bicho nos pegou

Se a gente tivesse apenas tirado e comido as cenouras, acredito que não haveria problema

 

 

M.A.T.C.*

 

Moro num pequena cidade do interior de São Paulo, chamada de Itapeva e lá cresci, ainda moro e aprendi a amar a cidade. Naquela época era bonito ver como as crianças enchiam as ruas do bairro em que eu morava, pois nossa geração foi de brincar muito na rua e nos matos, andar de bicicleta, jogar bola e praticar esportes e eu, segui o esporte que gosto mais e ainda pratico e ensino, o basquete.

 

 

E muitos anos atrás, ainda na minha infância numa manhã nublada de um sábado eu e alguns amigos o Léo, Cimar, Rosmilton Black, Paulinho Tranxis e outros marcamos para jogar bola na quadra da escola Acácio Piedade, que não era perto de casa, mas era a escola que todos nós estudávamos e tinha uma quadra boa para a gente se divertir.

 

 

Como sempre aos fins de semana pulávamos o muro para adentrar a escola pois todos os portões estavam trancados e não tínhamos autorização “oficial” para usar a quadra. Após várias horas jogando, começamos a sentir fome e um de nós, não lembro quem, falou em pegarmos cenoura na horta da escola. E lá para a horta fomos, todos, um mais desastrado que o outro.

 

 

O fato é que se a gente tivesse apenas tirado e comido as cenouras, acredito que não haveria problema, mas é claro como sempre estávamos aprontando, “acabamos” literalmente com a horta, pisoteando, tirando todas as hortaliças dali e por fim, estragando o trabalho que alguém havia realizado. Mas acabamos indo embora sem peso na consciência, pois, é claro, nessa idade parecia que nada que fazíamos era errado.

 

 

Na segunda quando estávamos já na sala de aula, um por um de nós foi chamado à diretoria, que por sinal era o fim do mundo, pois nossa Diretora a Dona Marieta Carmin, era o BICHO. Quando todos nós nos encontramos no corredor antes de entrar na sala na diretoria, já sabíamos do que se tratava, todos assustados, sabíamos o que nos esperava e o medo começou a tomar conta de mim… minhas mãos começaram a suar, meus pés ficaram gelados e senti que meus dentes começaram a bater.

 

 

Depois de horas levando sermão do BICHO, ela ainda chamou nossos pais para fortalecer ainda mais nossa burrada. Naquela época a gente ainda apanhava em casa, sem problemas com o conselho tutelar o que por sinal era o que nos educava.

 

 

Voltando a sala do BICHO, depois de cada mãe e pai chamar nossa atenção, ficou resolvido que iríamos tomar suspensão de 3 dias, antes de ficarmos felizes por não precisar ir a escola, achando que no fim estava bom de mais a punição, o BICHO disse que nesses dias iríamos refazer e plantar toda a horta novamente.

 

 

Nunca soube quem nos dedurou ou quem foi que viu nossa destruição, mas não posso que esquecer que a cinta comeu solta em casa.

 

*M.A.T.C. é professor de Educação Física e mora em Itapeva, uma cidade do interior de São Paulo (SP)




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