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Qual seu sádico de estimação?

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Esta associação do liberalismo extremo com a direita autoritária emocionaria o profético Marquês de Sade

Wellington Lima Amorim*

Em 2005 o ex-presidente Lula foi interrogado pelo jornalista Igor Gielow. O enviado especial a Roma questionava se ele considerava Cuba uma democracia e como o Brasil poderia contribuir para a democratização da Ilha de Fidel: “Temos muito a fazer pela democracia em Cuba. Temos que ajudar na luta contra o bloqueio [econômico imposto pelos norte-americanos há quatro décadas]. O Brasil tem uma chance de ajudar a dar normalidade nas relações de Cuba.” Essa fala acontecia quando Lula se preparava para realizar um percurso, um tanto inusitado, a cinco países africanos. Na época, o ex-presidente evitava criticar a ditadura cubana. É inegável, como afirmava em 2005 Igor Gielow, que Cuba é “uma espécie de objeto de desejo do PT e de suas principais lideranças. Era modelo ideológico e casa para então exilados como o hoje chefe da Casa Civil, José Dirceu.”[1] No distante ano de 2005, Lula visitou Camarões comandado por um governo autoritário desde 1982, Paul Biya, que foi acusado pela oposição de fraude eleitoral. O atual candidato petista a cadeira presidencial em 2022, visitou também a Nigéria em 2005, uma nação marcada pelo etnocentrismo, tribalismo e perseguição religiosa que promove a competição entre suas etnias (hauças, ibos e iorubás), um país com profunda instabilidade política que levou o país a uma guerra civil, corrupção e constantes subornos.

Curiosamente, é o petróleo que exerce a profunda influência em sua economia. Cabe indagar: Qual o interesse do ex-presidente Lula com esta nação? Qual o papel do intercâmbio econômico e cultural dentro nos departamentos de Ciências Humanas na incontestável defesa de um movimento pan-africanista, nos currículos de graduação e pós-graduação no país, que tentam muitas vezes deslegitimar o saber produzido pela civilização ocidental através do tribalismo, etnocêntrico e atividades persecutórias, como o cancelamento, com todos aqueles que têm uma aparato argumentativo contrário a estes posicionamentos ideológicos?

Por sua vez, Guiné-Bissau é outro país africano autoritário envolvido por uma profunda guerra civil. Foi em 2005 que narcotraficantes com base na América Latina, começaram a usar Guiné-Bissau como ponto de passagem para o envio de cocaína para a Europa. Em 2009, o presidente João Bernardo Vieira foi assassinado. Já em 2010, houve a tentativa de uma guerra civil contra o 1º ministro Carlos Gomes Junior e o então tenente-geral Zamora Induta. Novo golpe ocorre em 2012 e muitos consideram Guiné-Bissau como um narco-estado. Novamente a pergunta surge: qual o interesse do ex-presidente petista por esta nação que tem um dos PIBs mais baixos do mundo e que vive na pobreza extrema? Por outro lado, Gana, mais estável politicamente que os demais, possui como um dos principais recursos naturais o petróleo,  assim como a Nigéria.

No entanto, estamos em 2021 e após o Mensalão, Petrolão e os recentes gritos de liberdade do povo cubano, o ex-presidente Lula considerou as manifestações em Cuba como mera passeata. Em nenhum momento desferiu críticas a liderança política e repressora empreendida por Miguel Díaz-Canel. Pelo contrário, fez comparações absurdas: “Mas você não viu nenhum soldado em Cuba com o joelho em cima do pescoço de um negro, matando ele…” afirmou o ex-presidente Lula. Em seguida o PT divulga uma nota dizendo: “”apoio ao povo e ao governo cubano”, como notificou a Folha de São Paulo[2]. Logo, vem a questão: depois do mensalão, petrolão, e tudo que a lava-jato foi capaz de demonstrar, qual o imaginário político que paira nos corações e mentes daqueles que defendem a liderança petista (PSOL, PCdoB, PCO, PSTU, PCB e outras siglas nanicas) como opção ao autoritário Jair Messias Bolsonaro?

Na outra face, desta mesma moeda, temos o atual presidente Bolsonaro, admirador inconteste do General Augusto Pinochet. Um ser humano desprezível que levou ao extremo a brutalidade política a ponto de ser condenado internacionalmente por ter cometido crimes contra a humanidade, por diversos assassinatos e atos de corrupção durante sua governança, e ainda, pela tortura de 31.947 pessoas e o exílio de 1.312, o que ajudaria a compor o total de 50.000 pessoas assassinadas na América Latina, durante a Operação Condor, com o apoio da CIA/EUA, e que pode ser comprovados acessando os “Arquivos do Terror”. A admiração de Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia muitas vezes é associada a filiação de Paulo Guedes a doutrina econômica do Chicago Boys. É neste momento que o conservadorismo cristão/bolsonarista se converte em FILOSOFIA PUTA, uma vez que ser liberal é ser sádico e pornográfico, como afirma, Dany-Robert Dufor. Em sua obra, Cidade Perversa, o autor demonstra que o resultado do liberalismo econômico, como por exemplo, a doutrina do Chicago Boys que Bolsonaro e Guedes defendem, vem sendo desenvolvido desde o século XVIII, destronando o amor Dei (amor a Deus) pelo amor Sui (amor a Si mesmo). O cristianismo dos bolsonaristas não resiste a uma boa putaria, expressa por seu culto a orgia consumista que somente o liberalismo econômico extremo pode proporcionar. Este liberalismo foi a base do governo de Augusto Pinochet. No entanto, não se pode esquecer dos elogios de Jair Messias Bolsonaro ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner: “porque do outro lado havia um homem com visão, um estadista que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia continuar progredindo se tivesse energia”. “Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”[3]. Esta associação do liberalismo extremo com a direita autoritária emocionaria o profético Marquês de Sade, uma vez que durante a ditadura no Paraguai foram cometidas as piores violações, em regime de produção em massa, todos contra seres humanos, com prisões sem julgamento, desaparecimento, abuso infantil etc. Como foi o caso de Julia Ozório “que foi sequestrada em 1968 aos 12 anos e mantida como escrava sexual por dois anos” pelo ditador paraguaio[4]. Ou ainda, o outro caso do “ coronel Pedro Julián Miers, então comandante do Regimento de Escolta Presidencial, de manter um harém com meninas e adolescentes entre 10 e 15 anos que foram oferecidos a Stroessner para serem estupradas”.[5] (…) “Os militares caçavam meninas e as arrancavam de suas casas, em troca de empregos de parentes em instituições públicas. Ninguém podia falar nada. Fomos estuprados sem piedade. Eles não queriam ninguém com mais de 15 anos, porque disseram que já tinham ossos. duros “, disse a vítima em seu depoimento”[6]. (…) “foram preparadas para serem posteriormente oferecidas como iguarias ao presidente e sua corte”, denunciou também o jornalista e historiador Bernardo em seu livro “O Último Supremo. “Neri Farina”.[7]

Por fim, cabe a reflexão: Em 2022 estaremos diante destes dois líderes políticos brasileiros, Lula e Bolsonaro, e com os seus respectivos imaginários, políticos e ideológicos. O primeiro se recusa a criticar o regime cubano, e quando no poder, mantinha relações próximas com países petrolíferos corruptos, ditatoriais, tribalistas, etnocêntricos, panafricanistas, e, no caso de Guiné-Bissau, um Estado narco-traficante. O segundo é defensor de um liberalismo econômico extremo que converte toda e qualquer experiência conservadora em uma FILOSOFIA PUTA. Isto não significa que o primeiro não seja tão sádico quanto o segundo. A diferença está no fato de que o primeiro deseja que sua FILOSOFIA PUTA SEJA PATROCINADA PELO ESTADO e o segundo que se torne um EMPREENDIMENTO INDIVIDUAL. Me  respondam: Qual é o sádico de sua estimação? Deixe seu comentário abaixo, estou curioso!



*Professor Dr. Wellington Lima Amorim é filósofo e escritor


[1] Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0904200506.htm

[2] Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2021/07/apoio-do-pt-a-ditadura-cubana-e-lembrete-incomodo-para-lula-em-2022.shtml

[3] Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/26/internacional/1551213499_127441.html

[4] Fonte: https://www.lacapital.com.ar/informacion-general/acusan-stroessner-violar-ninas-esclavas-n797279.html

[5] Fonte: https://www.lacapital.com.ar/informacion-general/acusan-stroessner-violar-ninas-esclavas-n797279.html

[6] Fonte: https://www.lacapital.com.ar/informacion-general/acusan-stroessner-violar-ninas-esclavas-n797279.html

[7] Fonte: https://www.lacapital.com.ar/informacion-general/acusan-stroessner-violar-ninas-esclavas-n797279.html