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Policial trans de Mafra tem identidade reconhecida pela Justiça

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Priscila Diana ingressou com uma ação judicial e obteve decisão que determinou alteração de seus dados funcionais

 

 

Depois de 10 meses, a sargento da Polícia Militar de Mafra, Priscila Diana Brás e Silva, de 43 anos, teve sua identidade reconhecida pela justiça e se tornou a primeira policial trans de Santa Catarina.

 

 

 

Priscila nasceu em Rio Negro (PR) e atua na Polícia Militar há 23 anos. Desde que decidiu se assumir como mulher transexual, a primeira da corporação, precisou deixar as atividades táticas e operacionais para trabalhar na parte administrativa do quartel, até que seus documentos militares fossem atualizados.

 

 

 

Ao informar que assumirira sua condição dentro da corporação, Priscila foi surpreendida por seus colegas de profissão. “Todos me receberam muito bem e o processo de transição foi mais tranquilo do que imaginava. O comando, inclusive, ofereceu uma palestra sobre sexualidade e gênero aos policiais para entenderem sobre identidade de gênero e disforia”.

 

 

 

Depois de iniciar seu processo de adequação de imagem e mudar seus documentos no campo civil, a sargento também solicitou a alteração de seus dados no âmbito militar. A sargento recebeu parecer positivo do comando-geral da PM, mas o procedimento foi concluído sem resolução. Priscila teve apenas o nome social incluído aos sistemas internos, em vez da alteração completa da identidade.

 

 

 

“Isso incomoda muito. Pensa, você tentar esquecer um passado que não te agrada e todos os dias ver o seu nome masculino lá”, lamentou.

 

 

 

Insatisfeita, a sargento buscou na justiça meios para a mudança de nome e gênero dentro da corporação. Ela ingressou com uma ação judicial e obteve, no juízo da Vara da Fazenda Pública de Florianópolis, decisão que determinou a alteração de seus dados funcionais, incluindo seu nome na farda.

 

 

 

De acordo com o advogado, Marcelo Wacheleski, que representou Priscila voluntariamente, o comando-geral da Polícia Militar dificultou o processo de reconhecimento da identidade da policial. “Em maio, foi determinado que o Estado e a Polícia fizessem as alterações e emitissem as novas identidades, porém, até fevereiro deste ano, ainda não havia ocorrido a alteração”, disse.

 

 

 

Após o caso ganhar repercussão na mídia catarinense, a militar teve sua identidade reconhecida apenas no último dia 18. Ela agora aguarda os últimos processos burocráticos para retornar ao comando do policiamento ostensivo da região.

 

 

 

“Estou aliviada e muito feliz, porque ter a identidade reconhecida é um direito de todos. Agora, pretendo me tornar mais ativa em defesa dos direitos das pessoas, sejam trans ou não. Acredito que devemos lutar por quem não tem voz”, disse.

 

 

 

IDENTIDADE TRANS

Priscila Diana se reconhece como mulher desde criança, mesmo sem entender, na época, o que era identidade de gênero. “Comecei a me sentir assim com uns 6 ou 7 anos. Sabia que eu era diferente, mas não me reconhecia como gay. Sempre soube que era uma mulher. Infelizmente, naquela época não existia informação alguma sobre esses temas. Somente na fase adulta fui entender o que era e como podia me adequar”, disse.

 

 

 

Com uma carreira militar consolidada – Diana chegou a atuar na Força Nacional de Segurança Pública – , a sargento espera por mais empatia da sociedade e que pessoas trans tenham mais oportunidades e direitos assegurados.

 

 

 

“Eu acredito que minha história vai servir de exemplo e inspiração para muitas pessoas que perderam as esperanças. Tenho um compromisso muito grande em mostrar que sou capaz e digna de respeito. As pessoas têm que ir aprendendo que o mundo está em constante evolução e que nele há uma grande diversidade de pessoas. É isso que faz o mundo ir pra frente”, finaliza.