Polícia é chamada depois de negativa do Samu de transferir bebê para Joinville

Unidade de Pronto Atendimento de Canoinhas/Arquivo

Depois de discussão entre médicos do Pronto Atendimento e do Samu, criança foi transferida

 

A Polícia Militar foi chamada na noite de quarta-feira, 24, na Unidade de Pronto Atendimento (PA) de Canoinhas depois que a equipe da Unidade de Suporte Avançado (USA) do Serviço Móvel de Urgência (Samu) teria se recusado a transferir uma criança de nove meses do PA para o Hospital Materno Infantil, em Joinville.

 


 

Segundo a coordenadora do PA, Jaqueline Chagas, o diagnóstico da médica do Pronto Atendimento era de que a criança estava com esforço respiratório com grande probabilidade de parada cardíaca. Assim que a equipe do PA conseguiu uma vaga no Hospital Materno Infantil, acionou o Samu para fazer o transporte.

 

 

Ao chegar no local, o médico do Samu fez uma avaliação da situação e considerou que não seria necessária a transferência. Foi quando a Polícia Militar foi chamada. Conforme o registro da ocorrência, o médico e a enfermeira do Samu teriam diagnosticado que a criança provavelmente estaria com gripe, o que não justificaria a transferência. Profissionais do PA reclamaram do “tom de deboche” do médico do Samu.

 

 

Depois de muita discussão, no entanto, a criança foi transferida.

 

 

Jaqueline conversou com os pais da criança, que relataram que a criança está com uma pneumonia. O JMais não conseguiu contato com os pais.

 

 

A coordenadora do PA frisa que o caso não se trata de uma consequência da falta de pediatra de sobreaviso.

 

 

MUNICÍPIO

Uma ambulância do Município de Canoinhas foi liberada pela Secretaria Municipal de Saúde de Canoinhas para transportar o bebê. Por causa da negativa do Samu e sabendo do risco que a criança corria, a secretária de Saúde, Zenici Dreher, assim que foi informada sobre o caso, disse que cuidou para que o bebê fosse transferido.

 



“Em nome da Secretaria Municipal da Saúde venho aqui lamentar o ocorrido e informar que esta situação será denunciada junto às esferas competentes e debatida em uma reunião que acontece nesta sexta em Mafra. O transporte de pacientes neste caso cabe ao Governo do Estado, ou seja, é responsabilidade de Secretaria do Estado da Saúde. As ambulância do Samu, que são reguladas pelo Estado, dão o suporte da rede de urgência e emergência, transferência entre hospitais e vagas nas referências quando os pacientes são atendidos nas UPAs”, disse Zenici em nota.

 

“A equipe da UPA 24h foi além da sua responsabilidade tomando todas as providências para garantir transporte seguro à criança e principalmente para garantir o atendimento no hospital referência em Joinville”, completou.

 

 

 

CONTRAPONTO

O coordenador médico da Mesorregião Norte e Nordeste do Samu, Rafael Luiz Martins, disse que deve se reunir na terça-feira, 30, com a secretária de Saúde, Zenici Dreher, representantes do PA e do Hospital para que sejam estabelecidas normas de atendimento.

 

 

Ele explicou que acompanhou o caso de quarta-feira. “A Jaqueline (coordenadora do PA) me ligou no mesmo momento em que foi negado o atendimento”. Ele contou que conversou com a médica do PA e não sentiu firmeza no diagnóstico. Por isso pediu que o médico do Samu reavaliasse a situação. “Quando conversei com a médica assistente, não consegui ver uma segurança na formulação do diagnóstico. Me preocupei. Minha recomendação foi, na dúvida, transferir.”

 

 

Martins entrou em contato com o médico regulador. “Em determinadas situações eu tenho de intervir, mas não costumo por respeitar a função do regulador. Ele me falou que a criança estava bem, mas como achei que a criança não estava sendo bem manejada no PA, pedi para ele mandar avaliar a paciente. O Samu não faz somente o envio da ambulância, damos orientações também. Houve uma discordância entre o médico que avaliou, a enfermeira e a médica assistente”, explica.

 

 

 

Pela avaliação do médico do Samu, diz Martins, não havia critério para transporte de USA. “Mas a USA não estava parada, custava levar a criança? E se entrar uma emergência de verdade na hora em que a ambulância está fazendo o transporte? Alguma coisa que a gente precise mesmo da ambulância? Os médicos precisam ter bom senso. Será que é necessário mesmo a cidade ficar descoberta por esse período?”, questiona Martins.

 

 

Martins lamentou que a Polícia tenha sido chamada. “Como se a equipe fosse de bandidos”, reclamou.

 

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