Os primeiros dias de governo Moisés em Santa Catarina

Moisés com o subtenente PM Rudinei Floriano, que vai comandar o Instituto de Metrologia de Santa Catarina (IMETRO)/Peterson Paul/Casa Civil

Determinado a se afastar do estigma da “velha política”, governador tenta criar modelo de gestão

 

 

OS PRIMEIROS DIAS DE MOISÉS

Os doze primeiros dias de governo de Carlos Moisés da Silva (PSL) foram marcados por uma tentativa de escapar do estigma da chamada “velha política”, marcada pelos conchavos políticos e o compadrio. Quer impor uma gestão enxuta e técnica. Não foi bem o que se viu, o que prova, mais uma vez, que discurso é uma coisa, prática é bem outra.


 

 

Mirando os comissionados, dispensou 922 servidores, com foco essencialmente nas estruturas das Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs), que devem ser extintas totalmente por decreto a ser publicado na próxima semana. A economia com os cortes será de R$ 89 milhões.

 

 

Moisés assumiu o Estado com uma dívida de R$ 700 milhões em atraso, boa parte represada na Saúde. A estimativa de déficit para este ano é de R$ 2,5 bilhões. Para equilibrar as contas, planeja além das demissões, contingenciar o orçamento, refinanciar dívidas, revisar contratos, adotar processo digital reduzindo o consumo de papéis e logística, contratar aplicativos de transporte como o Uber e o Cabify, por exemplo, para deslocamento de pessoal,  pregão eletrônico padronizado, venda das duas aeronaves do Governo, comprar passagens aéreas direto com as companhias e não mais por meio de agência, divulgação de um plano anual de compras, redução de isenções fiscais, levantamento de imóveis, diminuição da dívida, combate à sonegação e compensações previdenciárias.

 

 

É um bom plano, racional e que tem boas chances de dar certo. Há alguns poréns, no entanto. A venda das aeronaves, por exemplo, obrigará Moisés a se deslocar pelo Estado em voos comerciais. Para chegar a Canoinhas, por exemplo, ele teria de pegar um voo a Curitiba ou Joinville e de lá alugar um carro, passando três horas na estrada até chegar à cidade. Acho improvável que ele tenha essa disponibilidade nos próximos quatro anos, mas, enfim, está fazendo economia.

 

 

 

TRIBUTAÇÃO VERDE

A ideia de Moisés de criar a chamada tributação verde – quanto mais a empresa preservar e incentivar a preservação do meio ambiente, mais recebe incentivos fiscais – é ótima. Moisés prevê que o corte de incentivos a empresas sem compromisso com a preservação do meio ambiente chegará a R$ 750 milhões por ano. Ele já afirmou que as mudanças serão graduais e analisadas por um comitê. A medida abarcará também setores que se consolidaram e, por isso, não precisam mais de incentivos para se manter.

 

 

ADRs

Por mais que Moisés esteja certo do fim das ADRs, tem gente do PSL bem interessada em manter, ao menos, alguns cargos, a fim de garantir a própria participação no governo. Como a campanha foi bastante concentrada nas redes sociais, Moisés sequer conheceu muitos dos militantes que trabalharam seu nome nos Municípios. É esse contingente que vê na manutenção de parte das ADRs uma chance de compor o governo.

 

 

 

CONTRATAÇÕES

As esperanças de convocação de novos policiais militares e bombeiros, anunciada por Pinho Moreira, mas não concretizada, tiveram um balde de água fria por parte de Moisés. Ele disse que não há chance de convocações pelo menos até março.

 

 

 

ESTRADAS

Moisés descartou a ideia ventilada pelo governo passado de privatizar as rodovias estaduais. Uma das mais castigadas, a SC-477, que liga Canoinhas à BR-116, estava entre as cotadas. Moisés disse que toda a aplicação será feita com dinheiro do Estado. Quando? O mais rápido possível, disse o governador.

 

 

 

DECISÃO PROMISSORA

Moisés também acertou no novo modelo de Segurança, ao dividir a gestão entre as forças policiais. O primeiro a comandar a equipe é o canoinhense do ano, segundo enquete feita pelo JMais, coronel Araújo Gomes.

 



A ideia pode dar muito certo se houver colaboração de todos os membros do Conselho Superior de Segurança.

 

 

18,6%

foi o percentual de aumento de venda de veículos em Santa Catarina no ano passado, de acordo com a Fenabrave-SC

 

 

CRISE NO PSL

Às voltas com as tantas atribuições do governo, Moisés está tendo de administrar a primeira crise política de seu governo. Membros do PSL espalhados pelo Estado pedem a destituição de Lucas Esmeraldino da presidência estadual do partido.

 

Entre os motivos, os parlamentares relacionam a decisão de Esmeraldino de nomear uma nova comissão executiva estadual, no final de 2018, sem ouvir as bases do partido.

 

 

Os seis deputados estaduais eleitos pelo partido emitiram “Nota de Apoio” ao presidente estadual. Destacam “o extraordinário trabalho na montagem e condução do partido no Estado, sendo fundamental na vitoriosa eleição ocorrida em 2018”.

A manifestação é assinada pelos deputados eleitos Ricardo Alba, Ana Caroline Campagnolo, Coronel Mocelin, Felipe Estevão, Jessé Lopes e Sargento Lima.

Não adiantou de muito. Surgiram novas manifestações de Chapecó, de Jaraguá do Sul e região sul do Estado, contra a forma autoritária com que Esmeraldino escolheu a nova Executiva Estadual.

 

 

 

“O processo de politicagem não pode ultrapassar o processo técnico”

do professor Tiago Savi Mondo, convidado e, depois, desconvidado para assumir a Santur. Ele atribuiu o desconvite à pressão da militância peeselista. Quem teria pressionado e vencido teria sido justamente Lucas Esmeraldino

 

 

TRAPALHADAS E TRAVESSURAS

Os dez primeiros dias de gestão do governo Jair Bolsonaro (PSL) foram bem mais desencontrados, com anúncios e recuos, tendo sido desmentido por sua própria equipe de governo. O jornal O Estado de S.Paulo resumiu os tumultuados dez primeiros dias no infográfico que reproduzo abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

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