Os cem primeiros dias de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pesquisa Datafolha mostra que governo já queimou parte de seu capital político

 

 

100 DIAS

Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) queimou parte de seu capital político nos 100 primeiros dias de governo, que serão completados na quarta-feira, 10. A pesquisa mostra os seguintes percentuais de avaliação do governo Bolsonaro:


 

 

  • Ótimo/bom: 32%
  • Regular: 33%
  • Ruim/péssimo: 30%
  • Não sabe/não respondeu: 4%

 

A pesquisa ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos, em 130 municípios, nos dias 2 e 3 abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

 

 

 

Trata-se da pior avaliação para um presidente da República no início de primeiro mandato desde 1990. Fernando Collor (então no PRN) tinha 19% de reprovação após três meses, contra 16% de FHC (PSDB), 10% de Lula (PT) e 7% de Dilma (PT).A ex-presidente é quem tinha a melhor avaliação: 47% de ótimo/bom em 2011. Lula tinha 43%, contra 39% de FHC e 36% de Collor. Não é, no entanto, um desempenho dramático. É bom lembrar que Bolsonaro ainda tem a aprovação de um percentual de 65% que o acham ótimo/bom/regular. É  mais que os votos conquistados nas urnas.

 

 

 

Bolsonaro desdenhou da pesquisa, mas deixou claro que sentiu o impacto negativo. Porém, se assimilar o resultado como um alerta, tem tudo para recuperar a popularidade perdida. Desses 100 primeiros dias, é importante lembrar que além de herdar um governo destroçado por Dilma e remediado por Temer, Bolsonaro andou por dias com uma bolsa acoplada ao intestino, passou por uma cirurgia de recuperação complicada e errou em estabelecer prioridades.

 

 

 

Acreditou que bastava um bom texto para passar a reforma da Previdência, seu objetivo maior. Foi para a Europa, Estados Unidos, Chile e Israel com a tranquilidade de quem deixa a casa aos cuidados de um bom vizinho. Quando voltou, constatou que errou na expectativa.

 

 

 

 

A pressão que o Congresso vem fazendo, aliada a esta pesquisa devem servir de reflexão ao presidente. Ou ele assume o papel de articulador dos seus próprios interesses, ou vai naufragar cada vez mais.

 

 

 

 

Pela regra simples, que coaduna com o que Bolsonaro chama de “nova política”, ele mandaria os projetos para o Congresso, que avaliaria se aprova ou não. A “velha política”, que para Bolsonaro mistura articulação com corrupção, falou mais alto e na semana passada o presidente começou a receber líderes partidários. Como disse Fernando Henrique Cardoso em seus Diários da Presidência, “muitas vezes o que o deputado quer é só conversar”. Saber separar uma conversa não republicana de uma maneira de articular um projeto de interesse do governo é a grande dificuldade de Bolsonaro neste momento.

 

 

 

 

Para além disso, calar ministros que pregam bobagens como revisionismos históricos sem cabimento é essencial para evitar a mudança de foco. Se o objetivo é acima de tudo aprovar a reforma da Previdência, o foco tem de estar neste tema. É simples, mas isso só se consegue com liderança e poder de articulação. As duas maiores fraquezas que preponderam nestes primeiros cem dias de governo. Mas dá pra consertar.

 

 

 

 

MILITARES NO GOVERNO

A maioria da população apoia a presença de militares em cargos estratégicos do governo federal, de acordo com pesquisa do Datafolha.

 

 

Levantamento do instituto feito entre os dias 2 e 3 aponta que 60% dos entrevistados consideram positiva para o país a atuação de militares no governo Jair Bolsonaro, ante 36% que a consideram mais negativa. Outros 2% se disseram indiferentes, e 3% não souberam responder.

 

 

 

 

METAS

O governo do presidente Jair Bolsonaro não conseguirá cumprir todos os objetivos que elencou para os cem primeiros dias de mandato. Em documento, divulgado no final de janeiro, a Casa Civil ressaltou que, em uma realização inédita, a gestão atual se comprometia a alcançar “metas objetivas” dentro do prazo estipulado.

 

 

Na lista de medidas que não serão finalizadas até esta semana há iniciativas como, por exemplo, a independência do Banco Central, a reestruturação da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e a redução de tarifas do Mercosul.

 

 

Ao todo, o Palácio do Planalto estabeleceu 35 objetivos para os cem dias. Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo, 20% do total não têm previsão de ser alcançado. No restante, 34% já foram realizados e anunciados e 46% estão em fase de implementação.

 

 



 

 

 

SUL

A comparação dos dados da nova pesquisa Datafolha com os resultados obtidos por Jair Bolsonaro na eleição oferece termômetro expressivo da queima de capital político nos três primeiros meses de governo. Na região Sul, onde o presidente alcançou seu maior índice de votação, 68%, apenas 39% classificam seu governo como ótimo ou bom —e 54% dizem que ele fez menos do que o esperado. No Sudeste, onde conquistou 65,4% dos votos válidos, o percentual de frustrados chega a 59%.

 

 

 

MORO, O PREFERIDO

Sergio Moro é o ministro mais popular e mais bem avaliado do governo Bolsonaro, aponta pesquisa do Datafolha.

 

 

O ex-juiz federal é conhecido por 93% dos entrevistados. O desempenho no comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública é considerado ótimo ou bom por 59%.

 

 

Segundo o Datafolha, 17% consideram a atuação de Moro regular e 15% a classificam como ruim ou péssima. Não souberam opinar 2%.

 

 

Também com status de superministro do governo, Paulo Guedes, chefe da pasta da Economia, é conhecido por 74% dos brasileiros. A avaliação de sua gestão registra uma empate técnico: ótima ou boa para 30% e regular para 28%. Outros 12% a classificam como ruim ou péssima. Não opinaram 4%.

 

 

Marcelo Alvaro, do Turismo, é o mais mal avaliado.

 

 

 

GOLPE

A comemoração da data que marcou o início da ditadura militar no Brasil, incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) no mês passado, não tem o apoio da maioria da população, aponta pesquisa Datafolha.

 

 

Para a maior parte das pessoas, o dia 31 de março de 1964, data do golpe que levou o país a um período de exceção de 21 anos, deve ser desprezado.

 

 

Essa é a opinião de 57% dos 2.086 entrevistados pelo instituto entre terça (2) e quarta (3). A parcela dos que acham o contrário, que a data merece comemorações, é de 36% dos brasileiros. Outros 7% não souberam responder ou não quiseram opinar sobre o tema.

 

 

 

15%

foi a queda no total de empregadas domésticas com carteira assinada no Brasil nos últimos três anos

 

 

 

PROTESTO

Ex-funcionários da empresa Fuck S.A se reúnem hoje às 13h30 em frente ao Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Canoinhas para iniciar uma passeata em protesto contra a Justiça do Trabalho. Eles estão há mais de dois anos aguardando o acerto trabalhista com a empresa, que teve o espólio leiloado no ano passado.

 

 

3,41 milhões

de brasileiros vivem de bicos, resultado da crise no mercado de trabalho

 

 

 

PRA ENCERRAR

Copio da coluna de César Seabra, do Diário Catarinense: “Tempos Modernos, de Lulu Santos, é uma música que envelheceu mal: Eu vejo um novo começo de era/De gente fina, elegante e sincera/Com habilidade/Pra dizer mais sim do que não.”

 

Quem discorda acesse qualquer rede social e veja o nível das discussões.

 

 

 

 

 

 

 

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