O que é possível tirar como lições de cidade alemã

Cidade de Essen, na Alemanha/Divulgação

Edinei Wassoaski encerra viagem a Essen, na Alemanha, com algumas reflexões que cabem a Canoinhas

 

 

DE VOLTA AO BRASIL

Depois de quase 24 horas em trânsito enfim cheguei em casa na tarde deste domingo, 30. Adaptar seu ritmo biológico a diferença de cinco horas de fuso entre Brasil e Alemanha segue um desafio. Queria escrever ontem mesmo para aproveitar o frescor das ideias, mas o sono me venceu e dormi por oito horas a fio o sono mais profundo.


 

 

Cedo corri com as tantas atividades que me esperavam aqui no JMais, apresentei o programa na 98FM e só agora consegui sentar para escrever o texto derradeiro sobre a missão.

 

 

Você que vem acompanhando meus textos desde a semana passada já deve ter percebido que as lições não foram poucas. Se não leu recomendo que leiam, por favor, os textos de segunda, terça, quarta, sexta e sábado escritos em Essen, na Alemanha. A cidade, não escolhida por acaso para esta missão da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), é um exemplo de desenvolvimento a partir de uma grande adversidade, no caso, o fim da indústria carvoeira no final dos anos 1980.

 

 

O Consenso de Essen nada mais que um conselho formado por políticos, empresários e a comunidade em geral, que repensou e redesenhou a cidade, com metas claras, pensadas a pequeno, médio e longo prazos. Trinta anos depois, Essen é uma das mais ricas cidades da Europa, sede de seis das dez maiores empresas da Alemanha, uma cidade de negócios e eventos que não lembra nada de forma o passado industrial, exceto pelos museus fantásticos que abriga. O mais simbólico, a partir da adaptação de um prédio que pertencia a uma usina de carvão.

 

 

Depois de muita reflexão, penso que não tem como comparar a realidade canoinhense – 54 mil habitantes, distante dos portos e de outros polos – com uma cidade como Essen – 590 mil habitantes, em um país com o triplo do PIB do Brasil e próximo de tudo -, porém há lições importantes a se tomar.

 

 

Canoinhas vive há anos se lamentando de revezes que vão da Guerra do Contestado a agonia da indústria ervateira e madeireira. O que fez para mudar a realidade? Nada. Setembro deste ano marcará os 50 anos de um conclave muito parecido com o Consenso de Essen que aconteceu aqui mesmo em Canoinhas. Reuniu diversas lideranças. A ideia era criar mecanismos de desenvolvimento para a cidade crescer de forma sustentável. Cinquenta anos depois tenho certeza que muitos só souberam desse conclave agora. Não houve ação efetiva.



 

 

A falta de continuidade é um pecado grave do Brasil como um todo. “O problema do Brasil é que todo mundo acha que a sua ideia é a melhor”, disse nosso querido guia Ulrich Meyer. De fato. Governos não dão continuidade a obras de seus antecessores, a oposição não reconhece nenhum esforço da situação e a política está cada vez mais polarizada.

 

 

Precisamos começar por aí, baixando as armas, se despindo das vaidades, deixando os interesses pessoais de lado para construirmos uma cidade melhor. Isso inclui primeiramente a classe política, depois, um trabalho intenso para conquistar credibilidade junto ao empresariado a fim de estabelecer parcerias público/privadas e por último e não menos importante, envolver a sociedade. Fácil não é, mas é organizando a coletividade que começaremos a dar um passo certo para repensar Canoinhas e a região, já que Bela Vista do Toldo, Major Vieira e Três Barras são parceiras importantes nesse processo.

 

 

 

 

5 IDEIAS DE ESSEN QUE PODEM SER IMPLEMENTADAS EM CANOINHAS

  1. Limpeza das ruas. Não é que a cidade tem um bom sistema de limpeza, é uma questão de educação das pessoas. Todos em Essen tem sentido claro de que os espaços públicos pertencem a todos.
  2. Empresários são parceiros do prefeito e dos vereadores. Juntos administram empresas como a que destina o lixo da cidade. Como queimam o lixo que não pode ser reciclado, geram energia que sustenta a própria empresa. Dessa forma, além de resolver um problemão, empresários e o Município lucram com o serviço.
  3. Adeus às sacolinhas plásticas. Lá, como em toda a Europa, é preciso levar sua própria sacola de casa. Esqueceu? Paga por uma que o mercado fornece. Uma sacola leva 400 anos para se decompor no ambiente.
  4. Empreendedorismo deve constar do currículo escolar (projeto que previa a disciplina foi rejeitado pela Câmara de Canoinhas a pedido do Município). Só assim será possível abrir incubadoras que tenham procura, como em Essen, onde 90 empresas estão incubadas em uma antiga usina de carvão, readaptada para receber os novos negócios. Em geral, as faculdades preparam o aluno para ser empregado, não patrão. Em Essen, empresários são convidados a fazerem, eles mesmos, o teste final em escolas profissionalizantes. É um teste não só para o aluno, mas também para o professor.
  5. Estímulo a implementação de energia sustentável, prestando consultoria a empresas e moradores. Energias sustentáveis poderiam abrir um mercado promissor em Canoinhas. A Quantum já vem trabalhando nisso, mas que tal almejar transformar a cidade em uma referência nacional em energia sustentável? Ambicioso demais? Lembrem-se que há 30 anos Essen respirava só carvão, hoje respira cultura, arte e desenvolvimento em várias frentes.

 

 

 

 

 

 

MANIFESTO

Um grupo de pelo menos 50 pessoas participou de protesto neste domingo, 30, em Canoinhas, em defesa do ministro da Justiça Sérgio Moro e da Operação Lava-Jato. A manifestação aconteceu em frente à Igreja Matriz Cristo Rei.

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