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segunda-feira, 22

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julho

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2024

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 O desaparecimento de Persephone

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Multidões levantavam preces aos céus para que Deus, os anjos e os santos encontrassem Mariazinha

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Não se chamava Maria. Persephone, o nome que consta em seus registros oficiais não era de seu agrado. Um exótico nome a lhe perturbar a vida na escola a cada vez que a professora chama por ela.

Sua mãe, uma pessoa muito culta que lera todos os livros da biblioteca da cidade, era apaixonada pelos clássicos gregos. Como viviam em uma zona rural, não encontrou melhor nome para sua filhinha. Persephone, na mitologia grega, é a deusa das ervas, das flores, dos frutos e dos perfumes.

A menina nada entendia ainda destas lendas de outrora, nem das caboclas lendas que ouvia pela vizinhança e muito menos das coisas de um velho mundo do qual pouco ou quase nada estava incutido ainda em sua cabecinha.

Algum tempo depois passou a afirmar que se chamava mesmo Mariazinha.

Contava sempre umas histórias esquisitas que teriam acontecido com ela. O pai preocupava-se com o que ouvia. Mas a mãe, que muito lera — e também muito escrevia — afirmava que eram coisas da imaginação infantil e desviava o assunto a fim de que a menina continuasse a viver suas fantasias infantis.

Todas as tardes, após o almoço, os pais levavam Mariazinha para a escolinha da vila. Escolinha que era um encantamento para a menina. Lá dava ela vasão às suas múltiplas facetas fazendo rir mestras e coleguinhas.

Numa tarde de sexta-feira o pai foi buscá-la antes do horário normal. Viajariam para o litoral, a fim de aproveitar os últimos laivos do sol de verão. A mãe ficara em casa arrumando as malas.

Prontamente uma atendente da escolinha foi buscar a menina.

Que não se encontrava na sala junto às demais crianças. Imaginaram que teria ido ao sanitário. Algo impossível. Mesmo na urgência, alguém sempre estaria a postos para acompanhar as crianças.

Procuraram-na por todos os lugares. Após fatos tenebrosos acontecidos em várias escolas ao redor do mundo e mesmo nas cidades vizinhas, os portões permaneciam fechados eletronicamente. Muros altos e seguranças atenciosos na única entrada.

Ninguém soube explicar o que acontecera. O pai, ao voltar para casa, em desespero, quase bate o carro em um poste, na tentativa de não colidir com um ciclista que vinha em sentido oposto.

Indescritível o desespero da mãe de Mariazinha.

Policiais varejaram todo o entorno da escolinha. Todas as marcas e pegadas foram minuciosamente fotografadas. As que se pareciam com as de Mariazinha eram apenas as da porta de entrada com indícios incontestáveis que marcavam posição de sandalinhas a entrar no recinto escolar.

Pesquisaram as paredes dos muros. Nenhum arranhão sequer em parte alguma. Musgos nelas aderidos lá permaneciam com seu desenho inviolável.

Parecia a todos um mistério insolúvel. Menos para os agentes da polícia civil que continuaram a engendrar os maiores esforços na tentativa de solver o desparecimento da filha de um médico tão querido na região.

Com o máximo desvelo vasculharam palmo a palmo toda a mata ao redor da vila. Uma multidão, cautelosamente, acompanhava, à distância, o minucioso trabalho investigativo.

De repente, um garoto que se encontrava atrás de um grande tronco de árvore, bem à esquerda e longe de todos, grita haver encontrado uma terra revolvida como se algo ali, recentemente, houvesse sido enterrado.

  Os policias ceraram a área apontada pelo garoto e deram início à remoção da terra. Nada mais era que um buraco a servir de casa a uma família de tatus.

Foi neste instante que Lídia, a mãe de Persephone foi acometida de uma síncope e de súbito foi ao chão desacordada. Leôncio, o pai, ficou desorientado. Estava ele, naquele instante, a contatar, pelo telefone celular, um detetive famoso que morava na capital.

O serviço de urgências médicas foi acionado. Levaram Lídia ao hospital.

Anoitecera. Com lanternas especiais, a procura por Mariazinha continuava. Já haviam sido acionadas as polícias das cidades e estados vizinho e até a Interpol. Não se tinha ideia do tempo decorrido desde o desparecimento da menina.

No gabinete do delegado, a diretora da escolinha estava sendo interrogada. Em outras salas, outros detetives da polícia inquiriam os demais colaboradores e professores da escolinha na tentativa de descobrir, por meio de elaboradas perguntas, o que teriam visto e ouvido naquela fatídica tarde.

Neste ínterim chega da capital o famoso detetive. Que nada descobriu também. Após uma sonora gargalhada e uma profunda tragada em seu charuto cubano, soltou uma das suas:

— Um anjo deve tê-la abduzido para dar uma voltinha pelos céus….

Findou o sábado. Amanheceu o domingo. A multidão que acompanhava as buscas, ao longe, há muito já procurara o conforto de seus lares.

No domingo, na missa da igreja católica e nos cultos das demais igrejas, as pessoas levantavam preces aos céus para que Deus, os anjos e os santos encontrassem Mariazinha.

E foi nesta ensolarada manhã de domingo que Lídia teve alta hospitalar. Leôncio ficara junto a ela.

Entraram na casa vazia e triste. Estavam a chorar, abraçados, no sofá da sala quando, repentinamente, ouvem a voz de Mariazinha.

— Mãezinha, paizinho, onde vocês estavam? Esta casa fica muito triste com estas janelas fechadas e sem vocês.

Sem entender o que estava acontecendo, envolveram a menina com seus braços, cobrindo-a de beijos. Sentiram o calor de seu corpo. Sim, era ela quem ali estava. Não uma alucinação. Não um ser diáfano que aparecera para confortá-los.

— Mãezinha, paizinho, perdoem por eu não ter voltado antes. Não dava.

— Mas como você sumiu sem deixar vestígios?

— Ela me levou.

— Quem levou você?

— Uma mulher muito linda. Vestida com uma longa túnica branca e um véu azul que a cobria por inteiro. Ela chegou na sala de aula onde eu estava brincando com as outras crianças e perguntou se eu queria ir com ela para ajudar o mundo a melhorar. Então ela me levou para longe, longe, longe. E eu vi crianças morrendo à míngua. Depois eu vi crianças e homens e mulheres pedindo socorro porque as águas estavam levando tudo o que eles tinham.

Outras coisas mais Mariazinha continuou a contar. Mas o mais importante e que calou profundamente no âmago de seus pais foi a mensagem final.          

— Mãe, pai, o que nós devemos agora é cuidar mais da nossa mãe Terra, da nossa mãe Natureza. Tanto a mãe Terra como a mãe Natureza estão doentes. Porque a humanidade, ao longo dos tempos, não as preservam mais. E para que não aconteçam mais estas catástrofes em que vidas e tudo o que as pessoas construíram suma na vastidão das águas é preciso que se plante, sim, mas que se reserve a parte que é da terra. Porque a Terra, através das águas, voltará sempre a buscar de volta o que lhe pertence.

E a meu lado estavam mais duas crianças. Um menininho chinês que teve a difícil incumbência de pedir aos homens que destruíssem as armas. Para que não haja mais guerras.

E a outra criança era uma menininha do centro do continente africano com a missão de pedir implorar para a humanidade que desse pão aos que têm fome para não haja mais famintos na face da Terra.

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