Normal People toca ao contemplar a dor do amadurecimento


Hulu/Divulgação

Série acompanha casal unido pelo desejo e separado pelas circunstâncias

 

 

 

A DOR DO CRESCER

“Todo mundo é um mistério de algum jeito e você realmente nunca conhece a outra pessoa”. A frase profunda é da protagonista de Normal People, a série sensação da Hulu disponível no Brasil na Starzplay. Quem completa os doze episódios de 30 minutos (em média), percebe que nem a gente conhece a gente mesmo. É chavão, mas Normal People não trata de estereótipos. É justamente a forma original de retratar um romance que fascina quem a assiste.

 

 

 

 

Partindo do convívio escolar entre Marianne (Daisy Edgar-Jones) e Connell (Paul Mescal), a série acompanha o complexo relacionamento que começa de modo totalmente despretensioso. A mãe de Connell trabalha na casa de Marianne, menina rica e excêntrica, super inteligente, que usa sua sapiência para afastar as pessoas com respostas cortantes a qualquer provocação. Dessa forma, apesar de bonita, ela é vista como a esquisitona da escola. Connell, o bonitão popular da escola, se sente atraído por ela. Como se esbarra com a colega de escola ao ir buscar a mãe na casa dela, conversa vai, conversa vem e ambos decidem dar vazão a seus impulsos sexuais.

 

 

 

 

Lendo até aqui você pode pensar em quantas novelas da Globo exploraram a história batida do romance da princesa e o plebeu. Não é o caso. A questão social aqui tem pouca relevância. O que separa Connell e Marianne é bem mais complexo. Os dois se apaixonam de cara, mas confundem seus sentimentos e demoram a entender que podem ser um casal sem receios. Dessa forma, de modo sutil, escapam um do outro como em ondas. O ambiente escolar, marcado por ironias e piadas, contribui substancialmente para isso, mas o próprio desabrochar dos sentimentos e a dor do amadurecimento afastam os dois.

 

 

 

 

Cai o pano e vemos os dois se reencontrando tempos depois já na faculdade. A realidade é outra. Marianne está anos luz à frente da sua insegurança juvenil. Connell tem mais perguntas que respostas. Os dois parecem mais certos do que sentem um pelo outro, mas as circunstâncias voltam a atrapalhá-los. Como conciliar os desejos com a realidade? Como anular tudo o que aconteceu? E como esquecer os ressentimentos?

 

 

 

 

Complexo, não? Sim, mas tudo isso é mostrado com uma simplicidade e delicadeza que não só nos toca como faz repensarmos nossa vida, nossas escolhas, os caminhos que trilhamos. E se?…





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