Município pode estimular energias renováveis dando consultoria gratuita à população

Delegação brasileira na Câmara de Ofícios de Oberhausen

Em Essen, comitiva catarinense visitou setor municipal que cuida somente do assunto

 

 

FUTEBOL E DESENVOLVIMENTO

No segundo dia em Essen, na Alemanha, conhecemos um pouco do que o Consenso de Essen fez pela cidade depois do arrefecimento da indústria do carvão que, como contei ontem, deixou milhares de desempregados na cidade. Logo pela manhã fomos recebidos no Estádio Essen Schönebeck. Lá funciona um complexo esportivo que, entre tantas atividades, destaca-se pelo futebol feminino. O time da cidade está há 15 anos na primeira divisão do futebol alemão. Cinco atletas da equipe estão disputando a Copa do Mundo na França.

 

Campo onde treina o time de futebol feminino de Essen, que tem cinco atletas na Seleção Alemã

 

 

Fomos ao complexo esportivo por um motivo especial. Ulrich Meyer, nosso simpático anfitrião, é presidente voluntário do time, seu grande orgulho. Por toda a manhã ouvimos ele nos contar detalhes sobre o Consenso de Essen, uma espécie de conclave que reuniu e as cabeças pensantes da cidade para buscar alternativas para investir, impulsionando e diversificando a economia local. Deu certo. Foram mais de 100 projetos que dali saíram. A maioria vingou.

 

Chegada ao Estádio Essen Schönebeck

 

 

Andreas Dohle, nosso guia e tradutor, deu dados mais exatos da população de Essen. Ontem escrevi que são 600 mil habitantes, mas segundo ele são 590 mil, destes pelo menos 100  mil são estrangeiros, boa parte refugiados do Oriente Médio. Como há um crescente de intolerância étnica em toda a Europa, perguntei a eles como os moradores de Essen se sentem ao acolher refugiados. Segundo Ulrich, pelo menos em Essen eles têm sido bem acolhidos. Lembra, no entanto, que 40% da criminalidade registrada vêm de estrangeiros, com destaque para o crime organizado liderado por libaneses.

 

Reunidos para ouvir Ulrich

 

Ulrich nos explicou como funciona o sistema político alemão, com foco nos municípios. Aqui, em cidades com menos de 30 mil habitantes o prefeito não é remunerado. A prefeitura é administrada basicamente por servidores concursados. Aqui vota-se no partido e no candidato, o chamado voto distrital misto que já se cogitou implementar nos Municípios brasileiros. Funciona? Aqui parece funcionar, mas se tem uma impressão muito clara para mim nesse segundo dia de imersão aqui em Essen é que boas ideias, tal qual como aqui, o Brasil também tem. O problema parece estar na execução, um dos grandes questionamentos feitos por todos os membros da missão.

 

Andreas, nosso guia e tradutor, ao lado de Ulrich e do empresário canoinhense Tiago Kohler

 

Ulrich explicou que aqui a administração pública é dividida em setores que são administradas por uma empresa pública com orçamento próprio. A empresa precisa se sustentar financeiramente. Não há estabilidade no emprego.

 

 

 

Em 2020, assim como no Brasil, tem eleições municipais na Alemanha, onde o mandato é de cinco anos. Ulrich chama a atenção para a ascensão do Partido Verde nas eleições para o Parlamento Europeu, o que deve refletir nas eleições municipais. A grande curiosidade dos alemães é o que os verdes farão agora que terão poder de voto.

 

 

 

ENERGIA RENOVÁVEL

Com um calor beirando os 35 graus, a manhã não foi fácil, mesmo para nós, tão acostumados com verões escaldantes. Logo depois de nos refestelarmos em um coquetel típico alemão, com direito a salsichas no molho de pimenta, bolinho de carne e outras iguarias locais, nos deslocamos para a cidade vizinha de Oberhausen. Aqui vizinho é de janela e não como na nossa região, onde é preciso trilhar pelo menos 10 quilômetros para chegar na cidade mais próxima. Basta atravessar uma rua e estamos na casa do vizinho.

 

Na Câmara de Ofícios de Oberhausen

Oberhausen mantém na sua Câmara de Ofícios um setor que cuida exclusivamente de meio ambiente. Ouvimos dois representantes desse setor ao longo da tarde não menos quente.

Um dos palestrantes

 

Eles nos explicaram que aqui o assunto é levado muito a sério. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre as energias renováveis. Membros do setor vão até a casa dos moradores da cidade para avaliar a implementação de placas fotovoltaicas. Esse modelo de energia limpa vem gatinhando no Brasil, mas em Canoinhas tem um modelo que vem sendo difundido pela Quantum Engenharia. A empresa tem se esforçado em conscientizar o empresariado local a implementar as placas nos seus respectivos negócios. Já há algumas empresas que toparam a ideia, mas o número ainda é tímido diante do potencial do modelo. O grande problema no Brasil e aqui é que o custo de implementação é alto e, portanto, demora para ser compensado. A longo prazo, no entanto, é unanimidade a ideia de ganho financeiro e para o planeta. Esse problema já vem diminuindo. O preço dos painéis fotovoltaicos diminuiu 25% em dez anos aqui na Alemanha.

 

Membros da delegação brasileira, João e Valmor entregam lembranças da Facisc aos dois palestrantes (no centro da foto)

 

Hoje, a energia fotovoltaica representa 7% na matriz energética da Alemanha, que ainda mantém oito usinas nucleares, das quais quer se livrar. 18,8% da energia é eólica, mas os alemães não gostam muito da ideia de ceder suas terras para implementação de parques eólicos e redes de alta tensão. Complica ainda mais considerando a alta densidade populacional da Alemanha, um país que demanda muita energia, assim como toda a Europa, por causa dos sistemas de aquecimento que todas as edificações têm para aguentar o inverno que chega a temperaturas próximas dos -15ºC.

 

 

Do que ouvimos nesta segunda, 24, me parece que a palavra planejamento traduz o sucesso dos alemães. Aqui nada sai do esquadro. Desde uma simples janela até uma calçada de pavers, tudo é muito bem montado e instalado, fruto de planejamento bem feito. Por que no Brasil não conseguimos planejar com eficiência? Há um segredo ou basta força de vontade? Vamos tentar responder a essas perguntas nos próximos dias, aqui, direto de Essen. Ah, nesta terça devemos ter o primeiro recorde de calor deste verão alemão. Haja água durante o dia e um chope semigelado (aqui não é trincando como no Brasil) à noite, depois do longo e rico dia de aprendizado.

 




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