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Morte de ex-secretário de Major Vieira pode ter motivações políticas?

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Sérgio Roberto Lezan era pré-candidato a deputado estadual

RUMORES

COLUNA DE DOMINGO Em um contexto de ebulição político/policial, o assassinato à queima-roupa do ex-secretário de Obras de Major Vieira, Sérgio Roberto Lezan, suscitou todo tipo de especulação. Até a publicação deste texto o inquérito seguia em aberto, apenas com a prisão dos dois supostos executores que negam o crime. A Polícia acredita haver um mandante, o que aumentou as especulações: quem seria este ou esta mandante?

Lezan, quando secretário de Obras, era fiel escudeiro do prefeito Adilson Lisczkovski (Patriota) e, como tal, ajudou-o a denunciar o esquema promovido pela então contadora Marenize Brocco dentro da prefeitura. Mas não foi o único. Teve gente bem mais ativa para denunciar este que, conforme atesta sentença que motivou reportagem publicada ontem aqui no JMais, era o segundo esquema que Marenize promovia com poucas variáveis dentro da prefeitura.

Outro secretário foi quem desvendou este segundo esquema, que vinha sendo sistematicamente promovido pela ex-contadora mesmo depois de ter sido descoberta e ter assinado um acordo com o Ministério Público em abril do ano passado. Este secretário analisou planilhas e documentos e concluiu: não havia dúvidas, Marenize continuava desviando recursos da prefeitura. Cometeu a imprudência, contudo, de deixar as planilhas impressas em cima de sua mesa. Um servidor aliado de Marenize viu a planilha e acionou a contadora. Marenize correu ao Banco do Brasil tentar bloquear o acesso de outros servidores à conta do Município. Já era tarde demais. A documentação foi entregue ao promotor de Justiça, que ficou irritadíssimo com a dissimulação de Marenize, que tinha jurado não cometer mais desvios.

Conto essa história para demonstrar que são fracos os argumentos de que a morte de Lezan estaria vinculada com a operação Conta Zerada, que levou a ex-contadora e o marido para a cadeia. Como havia gente muito mais envolvida na denúncia, não seria Lezan um alvo se houvesse intenções obscuras por parte dos atingidos pela denúncia. A Polícia já destacou, inclusive, que essa linha de investigação, embora não descartada, é muito frágil.

E a E Pater Filium? Não há registro de que Lezan, que tinha boa relação com Orildo Severgnini e o filho, Marcus Vinicius, tenha qualquer participação como informante. Mais um caso onde há gente muito mais decisiva para as prisões que segue viva.

Lezan se preparava para concorrer a uma vaga na Assembleia, mas nem de longe representava ameaça a algum cacique regional a esse ponto. Tinha saído da prefeitura de maneira pacífica e ainda tinha envolvimento com assuntos do Município.

O que teria motivado, então, dois rapazes a montar tocaia de mais de um dia e, depois de trocar palavras com a vítima, assassiná-lo com quatro tiros?

Este é um enigma para a polícia investigativa. Como os detidos não colaboram começa agora um processo de quebra-cabeças, encaixando elementos que podem vir a ser descartados logo adiante, dependendo das informações que chegam. Há elementos bem contundentes, contudo. Um dos detidos tem uma tatuagem de palhaço enorme nas costas. Palhaços, na gíria criminal são símbolos de assassinos de policiais. Como Lezan era policial da reserva, pode ser um acerto de contas por alguma ação da qual ele participou como policial. Pode, ainda, claro, ser uma questão pessoal que foge ao conhecimento daqueles que não privavam da intimidade de Lezan.

Apesar de a Polícia ter avançado bastante nas investigações, ainda há muitas perguntas sem resposta.