Moisés dobra a aposta ao peitar poderes na redução de repasses

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Sem base formada na Assembleia, governador tenta emplacar uma reforma administrativa aliada a redução de repasses

 

 

DOBRANDO A APOSTA

Sem base formada na Assembleia Legislativa, governador Carlos Moisés da Silva (PSL) dobrou a aposta em seu governo ao mandar para a Alesc nesta semana projeto de lei que reduz os repasses para os demais poderes em 2020.


 

 

Conforme a proposta da LDO, no artigo 24, Assembleia receberá, no ano que vem, 3,91% da receita líquida do Estado, ante 4,34% previstos para este ano. O Judiciário terá 8,47% em 2020; para 2019, estão previstos 9,41% da receita líquida.

 

 

O percentual para o Tribunal de Contas (TCE) caiu de 1,66% para 1,49%, enquanto o Ministério Público terá 3,58% ao invés dos 3,98%. A Udesc, por fim, terá garantidos 2,24% da receita ao invés dos 2,49% previstos para este ano.

 

 

Trata-se de uma ousadia. Por mais que seus antecessores quisessem tentar algo parecido, recuavam diante do desgaste político. E olha que Raimundo Colombo (PSD), por exemplo, tinha uma frágil oposição de três dos 40 deputados.

 

 

Ousadia que, frise-se, tem de ser aplaudida e acompanhada de perto pelo eleitor. O comportamento dos deputados diante do projeto responderá a uma pergunta que já fiz aqui na coluna semanas atrás: o discurso que elegeu muitos dos parlamentares, de responsabilidade e racionamento dos recursos públicos a fim de aumentar os investimentos foi só para ganhar a eleição ou vai se provar de fato?

 

 

Essa é a grande chance de os senhores deputados provarem que a atual legislatura veio para fazer a diferença. A conferir.

 

 

 

MOISÉS NA INTIMIDADE

O colunista do Diário Catarinense, Cacau Menezes, conseguiu arrancar algumas declarações interessantes do governador Moisés durante jantar que teve com ele na Casa d’Agronômica. Revelou, por exemplo, que Moisés não vai tirar o presidente da Celesc, Cleicio Martins, sob hipótese alguma, apesar dos protestos internos.

 

 

Revelou, também, que o canoinhense coronel da PM, Araújo Gomes, será seu candidato a prefeito de Florianópolis, e que Moisés não morre de amores por Jair Bolsonaro, apesar de ter sido eleito no seu rastro.

 

 

O governador pretende escrever um livro contando como, por ação divina, nas palavras dele, saiu do nada e se tornou governador do Estado.

 

 

DÍVIDA PESADA

Com a aprovação na Câmara de Vereadores do parcelamento de dívidas dos governos Leoberto Weinert e Beto Faria (ambos MDB), prefeito Beto Passos (PSD) reconheceu uma dívida de quase R$ 4 milhões que não sabia que tinha. Vai parcelar a perder de vista.

 

 

 

PRESTÍGIO

O juiz catarinense que atuou por dois anos em Canoinhas, Márcio Schiefler Fontes, será o coordenador da comissão que vai revisar o plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

 

 

 

DISPUTA INTERNA

A encrenca entre a secretária de Saúde, Zenici Dreher, e o presidente da Câmara de Vereadores, Célio Galeski, ambos do PR, esconde uma disputa interna com vistas às eleições do ano que vem. Galeski gostaria de alçar voos mais altos depois de cinco mandatos como vereador. Soube, no entanto, que o PR articula para lançar Zenici como candidata a vice-prefeita na chapa de Beto Passos. E Renato Pike, como ficaria? Não se sabe.

 

 

 



 

“Nenhuma pessoa da iniciativa privada chegou ao cargo, infelizmente”

observação do candidato a governador derrotado nas últimas eleições, Mauro Mariani (MDB), comentando o desempenho do governador Moisés. Para ele, falta uma visão empresarial ao governador

 

 

 

 

MAIS MILHAS

Deputados federais e senadores viajam, em média, duas vezes por semana de seus Estados para Brasília e de volta para casa em voos pagos com a cota parlamentar da Câmara e do Senado. A cada passagem emitida, as companhias aéreas convertem os valores dos bilhetes em milhas, que, sem legislação ou norma que regulamentem o uso, podem ser utilizadas pelos parlamentares em viagens pessoais.

 

 

Um levantamento do Instituto Reclame Aqui com empresas do setor estima que tenham sido geradas 27,9 milhões de milhas no ano passado. Por não haver legislação que defina o que deve ser feito com as milhas dos parlamentares, o Reclame Aqui criou a iniciativa “Milhas do Povo” para que cada deputado e senador devolva os pontos acumulados para pessoas que precisam viajar, seja por motivo de saúde ou para representar o Brasil em torneios esportivos fora do país.

 

No ano passado, os gastos de deputados e senadores com passagens chegou a R$ 53 milhões. Nos dois meses deste ano, já são R$ 7,9 milhões.

 

 

 

ERRO POLICIAL

O assassinato por policiais de um rapaz que brincava com uma arma de pressão no pátio de sua casa em Florianópolis ontem chama a atenção para a letalidade policial no Brasil. Desde 2013 o número de pessoas mortas por policiais em serviço aumentou de 2.202 naquele ano para 5.159 no ano passado. No mesmo período, o número de policiais mortos em serviço caiu de 407 para 367.

 

 

 

BOA IDEIA

Enquanto o Congresso avança para dar mais poder aos parlamentares na definição dos recursos do Orçamento, o Ministério da Saúde estuda um manual para orientar deputados e senadores e evitar que Estados e municípios recebam recursos longe das prioridades. A ideia é criar até agosto uma espécie de lista de sugestões, que poderá ser usada pelos parlamentares no momento da formulação das emendas impositivas.

 

 

APOIO DO INTERIOR

A recente pesquisa Datafolha sobre o governo Bolsonaro aponta que o interior do País dá maior credibilidade ao presidente. Quando os dados são filtrados de acordo com a natureza do Município, a nota média dada ao governo nas cidades interioranas é 5,6. Nas regiões metropolitanas a média é 5,1.

 

 

 

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movimentos buscam a criação de novos Municípios em Santa Catarina

 

 

 

DÁRIO NO COMANDO

O senador Dário Berger deve mesmo assumir o comando do MDB catarinense. Mauro Mariani não quer mais presidir o partido. Em nota, Dário confirmou a disposição em assumir o cargo.

 

 

QUEDA NO CONGRESSO

Pesquisa da consultoria Arko Advice mostra queda na avaliação do presidente entre deputados federais. Saiu de 22,95% em fevereiro para 33,95% em março o porcentual de quem avalia o governo Jair Bolsonaro ruim ou péssimo. 60,55% avaliaram a relação entre o Executivo e o Legislativo como péssima. O levantamento foi feito com 109 deputados de 25 partidos entre 26 e 28 de março.

 

 

 

Outro mau sinal é para a reforma: caiu o número dos deputados que defendem a Previdência (68,8% para 55,96%) e a maioria deles acha o projeto dos militares ruim ou péssimo (59,64%).

 

 

 

 

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