Ministério Público pode ter papel importante na resolução da crise do Hospital Santa Cruz

Promotor Renato de Maia, /Arquivo

Intervenção do promotor Ricardo de Faria foi vista de forma positiva pelos vereadores de Canoinhas

 

 

INTERVENÇÃO BEM-VINDA

“Vejo como um divisor de águas a entrada do Ministério Público nesse processo”. A frase do vereador Célio Galeski (PR) resume o que parece ser consenso entre os vereadores sobre a recomendação do Ministério Público de que o Município não repasse valores ao Hospital Santa Cruz (HSCC) sem processo licitatório. Paulo Glinski (PSD) foi na mesma toada: “Com essa notícia de que o Município está impedido de repassar recursos ao Hospital, o Estado será obrigado a pagar o que deve”, afirmou.


 

 

De fato, a recomendação do promotor Renato Maia de Faria é salutar, mas um passo lá adiante poderia ser pulado. Explico: a recomendação acatada pelo Município de que se faça processo licitatório para contratar os serviços médicos hoje prestados de modo ilegal pelo HSCC tem tudo para fracassar. Isso porque já fracassou duas vezes, há pouco mais de um mês. Salvo o Município tenha uma carta na manga – há uma aposta na Coopemesc, que venceu o processo licitatório para administrar os serviços médicos do Pronto Atendimento – fica difícil imaginar que uma empresa sem a estrutura de um hospital vai prestar esses serviços a contento. É arriscado, se a Coopemesc quiser assumir essa empreitada, boa sorte para ela.

 

 

É óbvio que o HSCC tem a melhor estrutura para prestar os serviços de sobreaviso e maternidade. Embora cheio de críticas, é o que Canoinhas tem de mais adequado disponível. Fala-se em contratar o Hospital Félix da Costa Gomes, de Três Barras, mas a estrutura não é a mesma. Fantasiar que pode ser melhor é arriscado demais em se tratando de saúde.

 

 

O que ocorre é que com a grande chance de não haver interessado no processo licitatório, o Município terá de recorrer novamente ao HSCC, como fez em dezembro. O vereador Paulo Glinski, que também é advogado, deu a deixa: “Se o Hospital fechar amanhã, terá uma intervenção. Ele tem uma relevância enorme. Não podemos trabalhar com o temor de que vai fechar, temos de trabalhar para que isso não aconteça. A comunidade não pode ficar com medo de isso acontecer. Fecha a Câmara, fecha a prefeitura, mas não fecha o Hospital Santa Cruz.”

 

 

Concordo com Glinski e tanto o promotor quanto o prefeito Beto Passos (PSD) devem achar o mesmo. Então, poderia-se ir direto ao assunto. Se há uma crise dentro do HSCC (sempre teve, aliás), mas os repasses só aumentaram nos últimos anos, inclusive com a redução de serviços prestados, segundo o promotor, estabeleça-se de imediato uma intervenção no hospital. Nomeie-se um interventor com a missão de levantar todas as contas e apontar medidas para reduzir os custos e pagar as contas. Pagando as contas o HSCC recupera as certidões negativas de débito e, aí sim, pode participar das licitações do Município.

 

 

O Ministério Público é a instância mais adequada para mediar esse processo. Dispõe da imparcialidade que parece faltar a todos os atores envolvidos nessa polêmica.

 

 

DOCUMENTO DESMENTE EX-DEPUTADO

Logo depois que o ex-deputado estadual Antonio Aguiar (PSD) culpou o diretor administrativo do Hospital Santa Cruz, Derby Fontana, por Canoinhas ter perdido a referência em alta e média complexidade em traumato-ortopedia, circulou cópia de um documento assinado por três médicos ortopedistas de Canoinhas declinando de atender a pacientes pela referência “visto que após as explicações do número de atendimentos ambulatoriais e do valor das cirurgias, não temos interesse visto que somos em três ortopedistas que assumiriam essa responsabilidade”, diz o documento carimbado pelos três médicos e com o timbre da clínica de Aguiar.

 

 

 

GERÊNCIAS

Vereadores de Canoinhas aprovaram ofício a ser encaminhado ao governador Carlos Moisés da Silva (PSL), pedindo a manutenção das estruturas da Gerência Regional de Saúde e de Educação na cidade. Hoje elas funcionam com estrutura reduzida.

 

Segundo informado semana passada pelo governo, apenas a estrutura de Mafra será mantida na área da Saúde. Canoinhas teria de se reportar a essa regional.

 

O JMais questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre a estrutura de Canoinhas, mas eles não têm a resposta, pelo menos por enquanto. Dizem que nesta semana deve sair uma nota a respeito do destino dessas Gerências.

 

 

ABSURDOS DO INSS

Vereadores de Canoinhas voltaram a falar sobre o caos na agência do INSS de Canoinhas por causa da falta de um médico perito. Pensões por morte estão levando de seis a oito meses para serem aprovadas. “A população aumentou e o número de servidores se manteve”, informou a vereadora Norma Pereira (PSDB).

 

Como mudou o governo, os vereadores têm esperanças de obter respostas mais concretas sobre a situação. Novos requerimentos foram aprovados nesta semana.

 

 



PERITA

Vereadora Telma Bley (MDB) questionou o fato de a médica perita Isis Neli Pintado seguir há mais de dois anos licenciada do cargo. Ela segue trabalhando na agência de Canoinhas, mas em outra função. Alega sofrer de síndrome do pânico depois de ter sido maltratada por pacientes.

 

Telma lembrou que Isis atua como médica do trabalho na empresa Mili. “Se a médica pode emitir atestados médicos na Mili, porque ela não pode fazer a perícia dos cidadãos da região? Isso está mal explicado. É uma discrepância”, disse a vereadora. Coronel Mario Erzinger (PR) disse que vai acionar o Ministério Público, para ver o que é possível fazer na instância jurídica quanto a questão.

 

 

 

LEI É LEI

Governador Carlos Moisés da Silva (PSL) discorda da deputada do seu partido, Ana Caroline Campagnollo, que pede nas redes sociais que enviem vídeos de professores supostamente militantes para ela. Uma juíza deu esse direito à deputada. O governador lembrou que existe uma lei estadual que proíbe o uso do telefone celular dentro da sala de aula.

 

 

 

CONCESSÃO DE RODOVIAS

Moisés falou, na entrevista que concedeu na semana passada a NSC TV, que não descarta concessões de rodovias estaduais, mas ele mesmo questiona quem se interessaria por essas rodovias, que não têm grande potencial de lucro, como é o caso das federais.

 

 

 

QUESTÃO POLÍTICA

Na mesma entrevista, Moisés endossa a versão da Celesc de que não houve aumento nos valores das faturas de energia elétrica e que há exploração política da questão. O Ministério Público está investigando o caso.

 

 

ASSESSORA

A advogada Adriana Dornelles, suplente de deputada federal pelo Partido Novo de Santa Catarina pode deixar Mafra para integrar a assessoria jurídica do Ministério da Saúde do Governo Bolsonaro, em Brasília.

 

O convite veio da Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Mayra Pinheiro, que assim como Adriana, participou do curso de formação política do movimento RenovaBR.

 

A advogada ainda não confirmou se vai aceitar o convite.

 

Na última eleição, Adriana foi candidata e recebeu mais de 18 mil votos quando concorreu para deputada federal pelo Partido Novo.

 

 

 

PAVIMENTAÇÃO

Papanduva aderiu ao Financiamento à Infraestrutura e Saneamento (FINISA), uma linha de crédito da Caixa Econômica Federal direcionada aos municípios a fim de proporcionar melhorias na mobilidade urbana.

 

 

O empréstimo no valor de R$ 2,6 milhões será investido na pavimentação de ruas urbanas da cidade.

 

De acordo com o prefeito Luiz Henrique Saliba (PP), este recurso será empregado na melhoria de ruas do centro e alguns bairros da cidade. “Além de colaborar com o crescimento e mobilidade urbana da cidade, este pacote de obras que iremos executar em breve trará como consequência a valorização dos imóveis, mais qualidade de vida e saúde pública aos papanduvenses”; comentou o prefeito.

 

 

 

Deixe seu comentário:

Top