I May Destroy You trata do consentimento sexual com a complexidade que o tema exige


HBO/Divulgação

Série da HBO está sendo festejada como uma das mais originais do ano

 

 

 

SOBRE CONSENTIMENTO

Arabella (Michaela Coel) percebe pelo olhar que está rolando mais que uma relação profissional com Zain (Karan Gill). Segundos depois eles estão na cama. A cena é quente. O sexo parece bom. De costas, Arabella não percebe quando Zain furtivamente retira a camisinha e ejacula dentro dela.

 

 

 

Logo em seguida ele confessa o que fez e, cinicamente, diz acreditar que ela tinha percebido. Chocada, mas levando na esportiva, Arabella faz Zain pagar pela pílula do dia seguinte.

 

 

 

A cena pode soar banal para muitas mulheres que já passaram por igual situação, mas não é, pela legislação trata-se de estupro. Arabella vai descobrir isso mais tarde quando se vê na Delegacia denunciando uma situação bem mais séria. Com crise criativa (ah, ela é uma bem-sucedida escritora), em uma noite ela topa o convite de um amigo para uma bebedeira. Lá ela conhece outro cara e, aparentemente, apaga. Acorda no outro dia sem saber muito ao certo o que aconteceu. As lembranças vão ressurgindo e de repente ela tem um insight: um rosto masculino que, ao que tudo indica, a teria estuprado.

 

 

 

 

 

Paralelamente, um amigo de Arabella, Kwame (Paapa Essiedu), vive às voltas com aplicativos de encontros. Ao se ver no apartamento de um desconhecido, topa logo de cara fazer sexo com ele. Tudo muito bom, até que ao dizer que vai embora, o cara o agarra a força e o estupra.

 

 

 

São dois momentos chave dessa nova série de 12 episódios (seis episódios já foram exibidos e estão na plataforma HBO GO) que vem sendo apontada pela crítica como uma das mais originais do ano. A dubiedade e complexidade de tema tão delicado é tratado de maneira certeira pelo roteiro que a própria protagonista tentou vender para a Netflix. O negócio só não foi fechado porque ela exigia participação nos lucros. A BBC topou e, em associação com a HBO, a série foi gravada.

 

 

 

Michaela, além de um roteiro certeiro e cortante (diz-se que ela conta a própria experiência), é boa de negócios e sabe muito bem o tamanho do seu talento.





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