Histórias de Meu Avô Osório – A Moça Bondosa


 Juarez Paiva de Campos

 

 

Uma história pra lá de misteriosa, sobrenatural mesmo, aconteceu com meu avô lá pelas bandas do cemitério da cidade de Cachoeiro. Lugar de muitas lendas contadas por muitos e motivo de medo para muitos.


 

 

Meu avô já estava morando em Cachoeiro e casado, já tinha dois filhos dos oito que viriam ao mundo posteriormente. O caso era que um estava doente e remédio nenhum dava efeito de melhorar a situação da criança. Minha avó pediu a meu avô que fosse chamar o médico da cidade, prontamente ele sai e apressado que estava em achar o doutor nem olhou para o tempo. Era noite adiantada e a distância até a casa do médico um pouco longa. No caminho ao passar por rua lateral ao cemitério da cidade avistou uma mulher de branco que parecia esperar por alguém e avistando meu avô indagou-lhe sobre o porquê de estar na rua tão tarde. Meu avô disse a ela sobe a situação de seu filho e que estava a caminho do médico para socorro deste.

 

 

De repente cai uma chuva torrencial e a mulher perguntou se meu avô como se abrigaria da chuva, ele disse que por sair apressado não pegou nem um guarda-chuva, ela como que sensibilizada com meu avô entrou numa casa e trazendo uma capa de lona ofereceu-lhe, mas meu avô disse não poder ficar com ela. A moça insistiu dizendo que se ele ficasse doente, quem cuidaria de sua família. Após esse argumento pegou a capa e seguiu para o médico já agradecendo a moça pela gentileza, perguntou a ela como poderia devolver a capa. A moça disse que ele poderia deixar com a dona da casa em que ela pegou. Não passou pela cabeça de meu avô em perguntar o nome dela mediante sua preocupação com seu filho.

 

 



Passada a noite e já com a medicação que o médico prescreveu meu tio já tinha saído da fase crítica e se restabelecia rapidamente. Meu avô então se lembrou da bondosa moça que o ajudou. E voltando à rua onde a encontrou procurou a casa da rua onde ela entrara e lá batendo uma senhora já idosa o atendeu. Meu avô disse o motivo da sua visita e para espanto seu a senhora ficou muito alterada disse que ele estava brincando com ela, sem entender meu avô explicou a ela o acontecido a noite passada, mas calma sentou com meu avô na sala e contou sua história.

 

 

 

Aquela capa pertencia ao seu marido que era cocheiro na época e a usava em tempo de chuva sua filha já moça só de ouvir o trotar dos cavalos corria para a rua para recebê-lo à noite. Infelizmente um dia de chuva ao esperar seu pai, vendo-o a chegar esperou-o como de costume na beira do meio-fio, mas um estrondoso trovão fez-se ouvir e os cavalos assustados correram em desembalada carreira causando o atropelamento da jovem filha. Muito abalado o pai foi definhando e morrendo de desgosto e com o passar do tempo morreu também. E em noites de chuva forte quem passasse por aquela rua veria uma moça de branco como esperando por alguém.

 

 

Informado da história meu avô foi ao cemitério rezar pela aquela alma bondosa que o ajudou e identificando o túmulo desta viu num retrato a estampa da daquela moça que falou com ele na noite passada. Rezando por ela foi para casa abraçar seu filho.

 

 





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