Game of Thrones da Amazon, Carnival Row se perde nas intenções

Amazon/Divulgação

Série recria um passado em que fadas e faunos convivem com humanos

 

 

BOAS INTENÇÕES


As intenções eram as melhores possíveis. O resultado, nem tanto. Estreou na semana passada na Amazon, Carnival Row, apontado pela crítica como a tentativa da empresa de Jeff Bezos de criar sua própria Game of Thrones. E quem não quer?

 

 

 

Vamos a intenção. Em um começo de século 20 distópico, faunos e ninfas convivem com humanos em clima de tensão. Imagine as madames em seus vestidos ostensivos e os cavalheiros asseados, as “pessoas de bem” tão em voga hoje, tendo de dividir seu espaço com mulheres de asas e homens de chifres curvados. Claro que não daria certo. As ninfas, ou fadas, como queiram, são tratadas como prostitutas – e boa parte delas é mesmo – e os faunos são hostilizados nas ruas.

 

 

 

Para aumentar ainda mais esta tensão, uma série de assassinatos violentos desperta a atenção da polícia. Orlando Bloom interpreta Philo, policial destacado para investigar os crimes. A investigação o afeta mais do que ele gostaria e ganha contornos pessoais quando ele reencontra a fadinha Vignette. Eles vão reviver um romance que achavam sepultado anos antes quando se envolveram e foram separados durante uma guerra que arrasou a terra das fadas.

 

 

 

 

Carnival Row começa muito promissora. São perceptíveis as intenções de compará-la a GoT quando não existe um Deus, mas “o Mártir”, venerado com uma imagem de um enforcado nos espaços religiosos e orfanatos; a ambientação em uma época reconhecível, mas incerta; a inevitável história de amor impossível e a disputa política.

 

 

 

GoT destruiu toda essa atmosfera interessante construída a partir da obra de George RR Martin só no final da última temporada, o que não afetou completamente sua imagem. Carnival Row, que já tem segunda temporada confirmada, no entanto, desanda antes. Já no terceiro de oito episódios a coisa já começa a cheirar a novelão das nove, com intrigas familiares e revelações que todo mundo já sacou, mas que o roteiro só vai desaguar no derradeiro episódio.

 

 

 

 

Preciso registrar a forma como a série trabalha o preconceito contra o diferente. Talvez esse seja seu maior trunfo. Não apresenta nenhuma novidade, no entanto. Se há uma certeza chata nesse mundo é que nunca viveremos totalmente em harmonia. Seja na ficção, seja na realidade.




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