Famílias terão mais 14 dias para deixar casas da vila da Esquadrias São José


Acordo foi feito na quinta-feira, 13/ Elisandra Carraro

Prefeito Beto Passos se comprometeu a buscar recursos para pagar aluguel social às famílias

 

 

 

As 11 famílias que se recusam a deixar as casas da antiga Vila da extinta Esquadrias São José terão 14 dias (até 28 de junho) para deixar o local. A ação de reintegração de posse deveria ser cumprida nesta quinta-feira, 13. O prefeito de Canoinhas, Beto Passos (PSD) esteve no local e anunciou que o Município vai pagar aluguel social para os moradores deixarem o local. Projeto de lei para que o Município subsidie o aluguel por pelo menos seis meses deve ser encaminhado para a Câmara de Vereadores com urgência.

 

 

 

A negociação se deu sob forte tensão, com a presença da Polícia Militar. Passos chamou os moradores para dentro de uma igreja e propôs para eles estender o prazo de permanência nas casas até que ele consiga articular o pagamento do aluguel social junto à Câmara de Vereadores. Passos propunha prazo de um mês. Os moradores concordaram, mas a oficial de Justiça Juliana Cidral disse que o acordo só poderia ser colocado em prática se a juíza que cuida do caso concedesse medida liminar.

 

 

 

NEGOCIAÇÃO

A oficial de Justiça frisou que “ninguém está sendo tirado de casa da noite para o dia”. Ela explica que houve várias visitas às famílias para conscientizá-las da situação nos últimos meses.

 

 

Passos entrou em contato com o advogado que representa o empresário que arrematou o terreno da antiga esquadria em um leilão. O advogado Guilherme Dreveck entrou em contato com o arrematante que concordou em dar prazo de mais 14 dias para as famílias deixarem o local. Um acordo foi assinado entre as partes.

 

 

AGILIDADE

O presidente da Câmara de Canoinhas, Célio Galeski (PR), disse que a Câmara deve se reunir nesta sexta-feira, 14, em sessão extraordinária, para apreciar um projeto de lei para beneficiar as famílias com aluguel social por alguns meses até que a prefeitura encontre uma forma para alocar as famílias de forma definitiva.

 

 

“É uma questão particular envolvendo uma reintegração de posse, mas é também uma situação social bastante delicada porque aqui estão famílias que têm suas crianças. Conseguimos lograr êxito em conseguir esse prazo. Tem famílias que residem há 30 ou até 40 anos. Me coloco na situação deles porque já estive em situação semelhante. Estamos aqui para resguardar que essas famílias sejam menos machucadas do que já estão sendo”, disse Passos.

 

 

 

LONGA HISTÓRIA

As famílias que trabalhavam na Esquadria São José tinham como um dos benefícios a moradia cedida pela empresa. Com o fechamento da Esquadria, muitos ficaram nas casas. Algumas dessas residências foram destruídas pela ação do tempo e os moradores passaram a pagar aluguel ou compraram outras propriedades. Ficaram no local 16 famílias, que viveram sem serem incomodados nos últimos 20 anos, segundo eles. Alguns, inclusive, desmancharam as casas de madeira e reconstruíram em alvenaria. Outros emendaram e até construíram outra casa para os filhos no mesmo terreno. Cinco dessas famílias deixaram o local recentemente, restando, portanto, 11.

 

 

Ocorre que o terreno nunca deixou de pertencer aos proprietários da extinta esquadria. Com débitos tributários, a área de 43 mil metros quadrados foi à leilão judicial. O empresário José Fuck arrematou o terreno. Isso aconteceu em julho de 2018. Desde então ele já limpou a maior parte da área, mas o espaço onde ficam as 12 casas segue ocupado. “Arrematei a área sem ônus e quero o que a Justiça me garante”, resumiu em conversa com o colunista Edinei Wassoaski, do JMais. As famílias relatam que não têm para onde ir.

 

 

 





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