Euphoria e o retrato mais cru da geração Z


HBO/Divulgação

Série da HBO tem o mérito de desnudar uma das gerações mais complexas e controversas

 

 

GERAÇÃO Z

Abarcar a complexidade do que é ser adolescente na atualidade não é uma tarefa nem um pouco fácil. A chamada geração z (nascidos, em média, entre meados dos anos 1990 até o início do ano 2010), popularmente chamada de geração Nutella (tão mole quanto o doce) é muito mais que mimimi, baladas e shopping. Se Euphoria, que acabou de ter a primeira temporada encerrada na HBO, não consegue decifrar toda essa complexidade, chega bem perto. Ganha, ao menos, o título de mais honesto retrato dessa geração.

 

 

 

Rue Bennett (a cantora Zandhaya) é o eixo principal da série. Ela luta contra as drogas depois de ter sido internada por ter entrado em coma bem no meio da sala de casa, aterrorizando sua mãe que, agora, vive no seu encalço temendo uma recaída.

 

 

 

Rue, como todos os demais adolescentes da série, tem nas drogas o seu mundo secreto e é capaz de conseguir xixi da amiga careta para provar para a mãe que está limpa. A mãe de Rue, assim como os demais pais da série, teriam um troço se descobrissem o que os filhos fazem longe de suas vistas. É um retrato bastante cru do submundo adolescente.

 

 

 

Os pais superprotegem os filhos que, sob o manto da escola e da total falta de responsabilidade, fazem o que bem entendem.

 

 

 

Jules Vaughn (Hunter Schafer), uma adolescente transexual, melhor amiga de Rue, por quem ela desenvolve um carinho que se sobrepõe a amizade, tem um rosto angelical e o apoio do pai. Na rua, claro, não encara a mesma condescendência. Pulando de quarto em quarto de motel com homens casados em certo ponto da história responde ao ser questionada do porquê se expor dessa maneira: “Não sei, acho que preciso disso pra me sentir viva, sei lá”. Não saber o que os move talvez seja a grande conclusão que a série nos traz sobre a geração Z. 

 

 

 

Nate (Jacob Elordi), por exemplo, não sabe exatamente o porquê, mas apesar de suas inclinações curiosas sobre o mesmo sexo, precisa se firmar como o bad boy pegador da escola. Pressão do pai, que embora viva de aparências esconde desejos sexuais inconfessáveis? Pode ser, mas nada é simplificado em Euphoria. A série respeita a complexidade de uma geração nascida em meio ao caos tecnológico e político, que sabe que um dia precisará sair da bolha de proteção criada pelos pais e que justamente por isso busca viver intensamente, sem preocupações, sem pressões, sem rumo definido.





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