Em Essen, empresário recebe seguro emprego para não dispensar trabalhador

Comitiva na Secretaria de Trabalho de Essen/Fotos: Edinei Wassoaski/JMais

Missão catarinense na Alemanha terminou nesta sexta-feira, 28

 

BOLSA EMPREGO

Aqui na Alemanha o governo paga uma Bolsa Emprego para o empresário em crise. Assim que o negócio começa a dar sinais de fraqueza, assim como no Brasil, a primeira providência é reduzir custos. Isso, invariavelmente, compreende demitir.

Computadores estão a disposição dos desempregados na Secretaria de Trabalho de Essen


Para que isso não ocorra e que o governo tenha de pagar seguro desemprego por até um ano, nos mesmos moldes do modelo brasileiro, o Governo criou aqui o Bolsa-Emprego. Para que o empresário não demita o empregado, o Governo banca o salário do cidadão por até seis meses. Se nesse tempo o empresário não se recuperar, não há o que se fazer, porém, na maioria dos casos há recuperação.

 

Vereadora de São Lourenço do Oeste, Loreci Catarina de Oliveira e o marido Volmir Pinto de Oliveira, da Epagri, entregam material da Facisc a Sefer Öncel, que nos recebeu na Secretaria de Trabalho

Esse é um bom exemplo que pode ser colocado em prática em qualquer lugar do Brasil. Trocar um seguro pago sem qualquer retorno e um que mantém empregos parece, e é, genial.  Mas isso, você sabe, depende de lei federal, longa discussão e uma ala que acharia que o sistema fere os direitos trabalhistas conquistados com muito suor.

 

Homem usa computador na Secretaria de Trabalho de Essen

 

Descobrimos estas informações visitando nesta quinta, 27, a Secretaria de Trabalho de Essen, aqui na Alemanha. Trata-se de um local onde circulam desempregados e refugiados. Aqui eles podem não só requerer o seguro desemprego como também preencher currículos em busca de uma nova colocação no mercado de trabalho. A Secretaria oferta cursos de qualificação, nada muito diferente do Brasil. Temos o Serviço Nacional do Emprego (Sine) e entidades como o Instituto Federal de SC com câmpus em Canoinhas e tantas outras oportunidades pagas total ou integramente como Senac, Escola Técnica Dama e Senai. Nesse quesito não devemos nada para os alemães. Iniciativas não faltam, falta é força de vontade de quem precisa se qualificar.

 

 

 

RELAÇÃO ENTRE PAÍSES

À tarde, ainda na Secretaria de Trabalho de Essen, tivemos a grata surpresa de ouvirmos um alemão que foi criado no Brasil. Holger Hei morou até a vida adulta em São Paulo, se casou com uma brasileira e, agora, mora em Essen, mas nunca se desligou do Brasil. Dedica seu tempo a, entre outras coisas, estreitar as relações entre Brasil e Alemanha.

Holger Hei foi criado no Brasil

 

Bastante franco e falando em português, Hei nos deixou claro que nossa imagem na Alemanha não é das melhores. Ele criticou a imprensa alemã que, para ele, é condescendente com bobagens ditas por Donald Trump, por exemplo, mas ressalta Jair Bolsonaro (PSL) como “ex-militar de extrema direita, filho adotivo de Trump”. Para ele isso dificulta o ambiente econômico entre os dois países dado o perfil bastante conservador e cuidadoso do investidor alemão.

Deputado Valdir Cobalchini entrega material da Facisc a Hey ao lado dos prefeitos de Timbó e São Lourenço do Oeste, Almir Guski e Rafael Caleffi respectivamente

 

Conhecedor da realidade brasileira, Hey é um entusiasta do potencial do país, Para ele, os alemães estão perdendo oportunidades. Citou o setor de energias renováveis como um exemplo. A Alemanha avançou bastante no tema que, ainda, é impopular no Brasil. “Os alemães acham o mercado brasileiro difícil”, disse o alemão que faz parte da Câmara de Comércio e Indústria de Essen.

Missão na Secretaria do Trabalho de Essen

 

Assim como no Brasil, a maioria (93%) dos investimentos vêm das micro e pequenas empresas. “Eu só vou ter acesso a outro mercado se outros mercados tiverem acesso ao meu mercado”, vaticinou.

 

Missão na Secretaria do Trabalho de Essen

Há anos acontece o Encontro Brasil Alemanha, uma excelente oportunidade para iniciar e aprofundar negócios. Em 2020 será em Joinville (SC). Uma excelente oportunidade de estreitarmos as relações entre alemães e os catarinenses na visão de Hey.



 

 

Presente na comitiva, o deputado estadual Valdir Cobalchini (MDB) falou da importância em se envolver o alto escalão do Governo do Estado nessa conversa. O deputado se comprometeu a fazer a ponte entre os alemães e o governo Carlos Moisés (PSL). “Quero relatar o que ouvimos e vimos aqui. Temos respeito enorme pela Alemanha. Há um grande número de descendentes de alemães vivendo em Santa Catarina. A Alemanha ignora isso. Quero marcar uma missão do governo e empresários catarinenses para logo aqui para a Alemanha”, afirmou.

 

MARKETING

Encerrando nossa passagem por Essen visitamos nesta sexta-feira, 28, a Agência de Marketing de Essen que não por acaso funciona no mesmo prédio da Agência de Desenvolvimento Local. O trabalho da Agência de Marketing não é nada muito diferente do que qualquer outra assessoria de comunicação de prefeituras de grandes cidades do Brasil, mas tem como grande diferencial essa cooperação com a Agência de Desenvolvimento. O trabalho é integrado entre jornalistas, relações públicas, publicitários e administradores de redes sociais. O trabalho é intenso. Só no ano passado, entre eventos promovidos por meio de parcerias ou somente pela iniciativa privada chegou a 5.500.

Missão na Agência de Marketing de Essen

 

Essen é uma cidade de compras e de eventos, portanto necessita de uma funcional rede hoteleira. São 2 milhões de pernoites por ano, 80% são pessoas em viagem de negócios. Entreter e encantar essas pessoas é um dos desafios do setor de marketing.

Empresários de São Lourenço do Oeste, Aldo Luis Pann, e de Canoinhas. Thiago Kohler, com o executivo da agência de marketing de Essen

 

À tarde conhecemos o complexo no qual funciona a prefeitura de Essen. Para se chegar na prefeitura passa-se por uma galeria de lojas que oferecem os mais variados produtos. Há restaurantes, onde quem trabalha no centro encontra preços bastante populares. Almoçamos em um restaurante japonês incrível que oferecia buffet livre a 7,99 euros.

 

Missão na Agência de Marketing de Essen

Depois conhecemos a opulenta prefeitura. Do último andar tivemos uma vista panorâmica da cidade.

 

 

 

COLÔNIA

Passamos a semana trocando uma sala de reuniões por outra aqui em Essen. Foram horas e mais horas ouvindo diferentes setores responsáveis pelo desenvolvimento da cidade depois da crise do carvão no final dos anos 1980. Para darmos um respiro, nossos anfitriões nos brindaram com uma visita a Colônia, cidade a 80 quilômetros de Essen, na tarde de ontem.

Cadeados na ponte sobre o rio Reno em Colônia

 

O contraste é gritante. Enquanto Essen é uma cidade de clima estranhamente tranquilo, com poucas pessoas nas ruas, prédios com poucos andares, amplamente horizontalizados e pouca variação arquitetônica, Colônia é uma explosão visual. Começa pela vista deslumbrante do rio Reno contrastando sua beleza com as pontes que o cortam. A mais bonita é crivada de cadeados. Diz a lenda que um rapaz para jurar amor eterno a sua amada escreveu seus nomes em um cadeado, prendeu na grade da ponte e acredite se quiser, pegou  a única chave existente e as arremessou no Reno, sendo assim, a única forma de acabar com o amor deles seria achando a chave e abrindo o cadeado. Desde então milhares de casais apaixonados têm deixado seus cadeados por lá e jogado a chave no rio também. Desculpe o antirromantismo, mas fiquei pensando em quantos dos casais donos dos cadeados já se separaram. Mas, enfim, antes que me detonem, melhor pensar que seja eterno enquanto dure.

 

Catedral de Colônia

A Catedral de Colônia é um espetáculo a parte, uma das cinco catedrais mais altas do mundo. A construção da majestosa igreja começou em 15 de agosto de 1248 e foi finalizada em 15 de outubro de 1880.

 

 

Para além disso, a capital alemã LGBTI tem um farto roteiro de compras e uma gastronomia tão boa quanto a de Essen. Destaque para o joelho de porco (o maior que já vi e comi) delicioso que encerrou nossa missão aqui na Alemanha. Neste sábado, 29, estamos voltando para o Brasil. Na segunda-feira, faço um balanço geral da missão aqui na coluna. Até!

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