Em eleição protagonizada por coxinha, propostas ficaram em segundo plano


Beto Passos comemora vitória nas urnas/Moisés Gonçalves

Eleição acabou polarizada em embate de narrativas

 

 

 

AO VENCEDOR, AS COXINHAS

Quais as propostas de Beto Passos (PSD) para a Saúde e a Cultura para o segundo mandato? Poucos sabem, mas se a pergunta for qual o papel da coxinha nestas eleições, poucos dirão que não tomaram conhecimento dos antológicos vídeos de Beto e Norma Pereira (PSDB) lutando para convencer dona Maria, que por sua vez deve ter votado em Ivan Krauss (PRTB) – dado o fato de seu filho ter sido candidato a vereador pelo PRTB -, de quem tem razão.

 

 

 

 

Passos, político hábil e um comunicador incomparável por estas plagas, soube fazer da coxinha um banquete. Norma levantou suspeitas sobre a compra da casa do prefeito, que teria valor de mercado de R$ 1 milhão, e que, segundo dava a entender a desastrosa peça de campanha, seria incompatível com os ganhos de um prefeito que – e aí vai o grande desastre – foi vendedor de coxinhas e radialista.

 

 

 

 

Passos provou que a casa vale de fato R$ 700 mil, mas isso já nem tinha mais relevância quando o prefeito levantou a bandeira de vítima de preconceito. “Então um vendedor de coxinha não pode realizar o sonho da casa própria?”. A campanha de Norma, que vinha de mal a pior, sem uma linha clara de ação, teve de correr contra o tempo para tentar estancar o prejuízo. Não conseguiu. Quando sua campanha ganhou um rumo, falando a cada dia diretamente para um bairro ou localidade diferente, a eleição já estava definida.

 

 

 

 

 

A perda da eleição deve ser interpretada como uma grande lição para qualquer pessoa que se apresente como candidato. É nos detalhes que se perde. A estratégia de usar Paulinho Basilio (MDB) para seguir nos ataques a Passos, isolando Norma que focaria em propostas, não deu certo, e a campanha patinou até o final. Norma é pessoa séria, correta, uma empresária de sucesso e de uma biografia admirável, uma candidata perfeita. Jogada na cova dos leões para duelar com Passos, demonstrou que não tem estômago para protagonizar um jogo de ataques criado para ela pelo MDB, bem mais aguerrido e disposto a (quase) tudo para ganhar uma eleição. Beto Faria (MDB) já não tinha demonstrado a mesma disposição em 2016. Mas não foi esse o fator que levou à derrota tanto de um quanto de outro. Foram vários os equívocos. Começaram com uma campanha de rádio insossa, de sinais trocados (quando um eleitor reclamou da demora em se fazer exames, levando sua mãe a morte antes de ser examinada, Norma prometeu a reabertura da Policlínica, pra ficar em um exemplo contraditório) e seguiram com o caso das coxinhas que, talvez, tivesse o efeito desejado se fosse tirado do bolso nas vésperas da eleição, nunca três semanas antes. Seguiu por uma incompatibilidade de métodos entre Norma e sua equipe de campanha, especialmente do pessoal do MDB, e de uma forma totalmente desfocada de bater em Passos.

 

 

 

 

A saber: Norma foi faxineira no Colégio Santos Anjos, em Joinville. Se não bate um vendedor de coxinhas no jogo da humildade, pelo menos a iguala.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PROTAGONISMO DO RÁDIO

Por ser radialista, Passos demonstrou zelo pelo programa de rádio desde a primeira veiculação. Acertou. Quando muita gente – eu mesmo – achava que o rádio tinha perdido seu protagonismo nas eleições municipais, o velho aparelho se mostrou fundamental para disseminar as ideias dos respectivos candidatos. O que se falou no rádio ecoou nas redes sociais e não o contrário.

 

 

 

 

Dessa forma, com uma equipe sem marqueteiros profissionais, Passos foi claro nas mensagens. Mérito da jornalista Priscila Noernberg, que já havia demonstrado talento incomparável como assessora de imprensa de Passos ao longo dos quatro últimos anos. Ela se demitiu da prefeitura para, entre outras coisas, roteirizar os programas de rádio e gerenciar as redes sociais de Passos. Nasce, agora, uma marqueteira de primeira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

KRAUSS

Sem programa de rádio e com equipe voluntária, Ivan Krauss (PRTB) fez uma campanha da qual pode se orgulhar. Sem nada que o desmerecesse, chamou a atenção de uma fatia do eleitorado que queria uma proposta diferenciada do que se viu nos últimos anos, porém, é incontestável que havia aprovação suficiente ao governo Passos para lhe garantir continuidade. Em 2024, terá mais chances de viabilizar seu nome se for de seu desejo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAUSA ANIMAL 

Em Canoinhas, Tatiane Carvalho (MDB) e Marcos Kucarz (Podemos) traziam a causa animal entre suas respectivas bandeiras, mas não foi só aqui que os melhores amigos do homem deram uma forcinha nas urnas. Em São Paulo, por exemplo, colégio eleitoral mais disputado do País, o policial civil Felipe Becari (PSD) foi eleito vereador pautando a causa animal. “A gente vai tentar desenvolver um trabalho na Câmara para ter um controle maior, e para que não existam tantos animais de rua. Que a gente consiga disseminar o que são maus-tratos”, disse o vereador paulistano, discurso muito parecido ao de Tati e Kucarz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LUTO

Candidato a vereador de Canoinhas pelo PSL, Celio Schulka (foto) faleceu nesta sexta-feira, 20, vítima de uma parada respiratória no Hospital São Vicente, de Mafra. Schulka tinha conseguido 144 votos e ficou na quinta suplência do PSL. Seu colega de partido, Dercílio Schmidt (PSL), levou um voto a mais que Célio, ficando, portanto, na quarta suplência do PSL.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PANDEMIA

Um dos mais procurados fotógrafos de Canoinhas e região nestas eleições, Fernando Gonçalves, o Ferpa, está internado em estado grave na ala Covid do Hospital Santa Cruz de Canoinhas. Acometido de covid-19, Ferpa faz uso de respirador. Em Canoinhas, Ferpa trabalhou na campanha de Norma Pereira (PSDB).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DINHEIRO NÃO É TUDO

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dos 30 candidatos a prefeito que mais investiram em impulsionamento no Facebook e no Instagram nos últimos três meses, 19 deles não avançaram ao segundo turno das eleições municipais.

 

 

 

Representantes das capitais Porto Alegre, Rio de Janeiro, Aracaju, Florianópolis, Manaus, Belo Horizonte e Curitiba que aparecem na lista dos que mais gastaram verba nas redes sociais foram derrotados nas urnas no primeiro turno.

 

 

 

 

A maioria vem de partidos nanicos, com pouco tempo de propaganda na TV e em posições ruins nas pesquisas eleitorais do início da campanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16%

de professores de escolas públicas dizem ter internet adequada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TRÁGICO

Antônio Claret Mota Esteves (PV), então prefeito de Passa Quatro (MG) e candidato à reeleição, morreu aos 62 anos no sábado, 14, véspera do pleito, mas terminou reeleito com 60,8%, o equivalente a 5.638 votos.

 

 

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, o PV apresentou pedido de substituição ainda no sábado, indicando o atual vice-prefeito da cidade, Henrique Nogueira Gonçalves, como novo candidato a prefeito.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCURSO

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa autorizou a contratação de empresa especializada para planejar, organizar e executar um concurso público para ingresso de novos servidores na Casa. Este é o primeiro passo para a realização do certame, que terá 29 vagas – todas para analista legislativo, que exige formação em nível superior.

 

 

 

A realização de concurso para provimento de pessoal foi um compromisso assumido pelo presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD), em tratativas com o Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Sindalesc).

 

 

 

 

Ainda não há previsão de datas para lançamento de edital, inscrições ou realização dos exames, que terão uma prova objetiva e uma de títulos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEPUTADOS

13 deputados e um senador passam para o segundo turno

Dos 67 deputados e dois senadores que disputaram o primeiro turno das eleições neste ano para prefeito e vice-prefeito, 51 foram rejeitados pelos eleitores. Entre os congressistas candidatos, somente quatro deputados federais foram eleitos em primeiro turno. Outros 14 ainda concorrem a uma vaga de prefeito ou vice-prefeito no segundo turno, em 29 de novembro.

 

 

 

 

 

Na lista dos deputados eleitos estão Roberto Pessoa (PSDB), para o município de Maracanaú (CE); Alexandre Serfiotis (PSD), em Porto Real (RJ). Já Paulinho (PL) e Juninho do Pneu (DEM) conquistaram as vice-prefeituras de Caxias (MA) e Nova Iguaçu (RJ), respectivamente.





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