Eleitor leva em conta biografia, favores e exposição para escolher vereador


Candidatos a reeleição levam vantagem, mas são só quatro neste ano, o que aponta possibilidade de grande renovação

 

 

CORRIDA LIVRE

Como era de se esperar, as perspectivas lançadas pela coluna aqui na segunda-feira sobre a disputa pela Câmara de Vereadores de Canoinhas provocou manifestações raivosas, choro e ranger de dentes. Compreensível, afinal são mais de 140 pessoas que estão de sol a sol atrás do suado voto do eleitor que se sentem depreciados por uma análise que se apoia tão somente no palpite do articulista. Como pouco escrevi sobre o método que usei para chegar aos nomes ali elencados, aceito a pecha, mas volto ao assunto na coluna desta quarta, até em respeito a quem se sentiu injustiçado.

 

 

 

 

Primeiramente, a coluna tem intenção zero de influenciar o eleitor e não se trata de turfe em que só importa apostar em quem tem chances de ganhar. As nuances em uma eleição são muito maiores. Portanto, seria encher muito minha bola dizer que meus palpites ditarão quem de fato será eleito. Se o eleitor, conforme raciocinam as mesmas pessoas que atacaram a coluna, quer renovação e vai “varrer os atuais vereadores” da Câmara, nas palavras de quem reclamou, seria incompatível que meu texto os fizesse mudar de ideia já que, conforme o mesmo raciocínio, privilegiei quem pertence “a tudo que está aí” e merece ser defenestrado.

 

 

 

Pois bem, pra começo de conversa são quatro candidatos a reeleição, então, inevitavelmente a renovação será maior mesmo. Historicamente, 50% da Câmara de Canoinhas se renova. Dessa forma, teríamos dois reeleitos, já que seis dos atuais dez vereadores não se candidataram. Os mais raivosos não admitem que nem dois vereadores se reelejam, ok, então teríamos dez novos vereadores, ainda seguindo este raciocínio.

 

 

 

 

Sem que deixem claro, presumo que o raciocínio sobre a renovação nasça do triunfo do bolsonarismo nas eleições de 2018. Eis um fenômeno a ser explicado futuramente por historiadores menos comprometidos com o presente, mas um sinal já vem sendo dado. Em apenas três das 26 capitais candidatos a prefeito alinhados a Jair Bolsonaro aparecem à frente nas pesquisas. O Instituto Paraná fez pesquisa que mostra que 44,8% do eleitorado brasileiro acham que o apoio do presidente não influencia seus votos. 23,2% dizem, inclusive, que Bolsonaro atrapalha. Que diga Celso Russomanno que, coincidência ou não, despencou nas pesquisas depois que o presidente declarou apoio a ele. 29,5% dos eleitores, registre-se, dizem que o apoio de Bolsonaro contribui. Ivan Krauss (PRTB), candidato que sempre se apresentou como bolsonarista, pouco tem usado o presidente na campanha.

 

 

 

 

 

Estes sinais mostram que uma eleição municipal é diferente da nacional. Discutir temas que para quem se identifica com as demandas reais das cidades soam distantes como aborto, armar a população e liberalismo econômico – temas que pautaram a eleição de 2018 – cabem muito bem em uma eleição presidencial, mas pouco dizem para o eleitor que vê na eleição municipal a possibilidade real de mudar o funcionamento do posto de saúde, de ampliar o horário de atendimento da creche e que pode ser o divisor de águas para melhorar o acesso viário a sua casa. É muito mais real que as firulas bolsonaristas. É na saúde, educação e infraestrutura que se polariza a disputa municipal. Mas isso pouco diz sobre os candidatos a vereador.

 

 

 

 

Quem sai na frente na disputa pelo Legislativo é quem já tem um serviço prestado à comunidade. O que fez o recordista de votos na eleição passada para se reeleger? Gil Baiano (PL) sempre teve desempenho mediano na Câmara, pouco fala durante as sessões, mal discute projetos, mas passa o dia atendendo seu eleitorado. São pequenos favores que o fazem ser adorado por muitos. Tem tudo para se reeleger. Zenici Dreher (PL), sua colega com boas chances de se reeleger, trabalha há anos como assistente social do Município, conhece como poucos a Saúde pública e tal qual como Telma Bley, atual vereadora que decidiu não concorrer a reeleição, atendeu muita gente na Secretaria de Saúde. Gente carente, desesperada, prostrada diante dos infortúnios. Basta um atendimento compreensivo, uma recepção com um sorriso para a pessoa se tornar fã do servidor público. A vereadora, claro, pode ser acusada de usar o serviço público com fins eleitorais. Está errado? A defesa óbvia é de que ela e tantos outros servidores públicos que se elegem estão fazendo o serviço para o qual são remunerados. Outro exemplo é Juliana Maciel (PSDB), que fez um trabalho que se sobressaiu à frente do Procon de Canoinhas. É elogiada por muita gente que viu seu problema resolvido pela servidora. Está na mesma situação de Zenici. Fez o trabalho pelo qual é remunerada e pode colher frutos político-eleitorais por isso.

 

 

 

 

Se o candidato tem um serviço prestado à população – vejam outros casos que destaco na coluna de segunda como Tati do Grupo Resgate, que tira dinheiro do bolso para tirar animais da rua e evitar que muita gente não durma com barulho de cachorros abandonados, e Alisson do Sopão da Madrugada, que distribui comida a moradores de rua – já chama a atenção do eleitor. O restante é biografia limpa e uma boa dose de exposição já que é muito comum o eleitor decidir o voto no dia e votar no primeiro santinho que lhe cair na mão. Não se espantem, candidatos, se ouvirem, depois da eleição: “Não sabia que você era candidato”.

 

 

 

 

 

Há, claro, candidatos que não saem distribuindo favores, mas tem um desempenho intelectual relevante. É o caso dos professores, que vez ou outra se elegem. Na eleição passada o saudoso professor Ederson Mota, que pouca campanha fez, chegou bem perto, sendo barrado pelo quociente eleitoral. Cel Mario Erzinger, que embora tenha ganhado visibilidade comandando a Polícia Militar, é mestre e publicou alguns artigos que pensam a cidade, por isso pode ser encaixado nesse rol.

 

 

 

 

Osmar Oleskovicz, que já foi vereador, tem chances de voltar neste ano pela exposição que teve como secretário de Educação (assim como todos os outros ex-secretários apontados no texto) no período em que o governo devolveu o direito ao triênio e gratificação por graduação aos professores, só para ficar em um exemplo atual. André Ramon Flenik (Podemos), que cito no texto de segunda, e seu colega de partido, Marcos Hommer, ambos professores, apostam nesse filão e podem surpreender.

 

 

 

Outra questão importante que explica porque citei nomes: vereadores não são escolhidos por partidos, porém, um partido que consegue formar uma nominata que preenche os quesitos elencados acima têm mais chances de elegê-los, obviamente. São os nomes que fazem os partidos e não o contrário.

 

 

 

Dito isso, espero ter deixado meu raciocínio, que será escrutinado em 15 de novembro, mais claro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MAS E OS PROJETOS?

De projeto bom o inferno está cheio. Inverto o dito popular para constatar algo triste, mas bem real. O eleitorado pode até achar relevante os projetos apresentados pelo candidato, mas os mais sintonizados sabem que em primeiro lugar o vereador vai ter de se alinhar com o prefeito para fazer vingar qualquer projeto. Em segundo lugar há um abrangente limitador que restringe consideravelmente o papel do vereador: ele não pode fazer propostas que gerem despesas ao Município. Oposição, em 2018 Camila Lima (MDB) apresentou projeto que permitia a transmissão ao vivo das licitações no site da prefeitura. O site já existe e o setor já tem um câmera de vigilância. Mesmo assim o prefeito alegou custos para vetar o projeto. Com maioria na Câmara, Beto Passos tratou de garantir que o assunto não voltasse nem às rodas do cafezinho da Câmara.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REVERSÃO

A defesa da coligação de Norma Pereira (PSDB) conseguiu reverter dois indeferimentos de candidatura a vereador por ausência de filiação partidária.

 

 

 

 

No caso de  Wanderley Rogério Metzger (MDB) ele havia sido equivocadamente filiado ao Podemos mesmo já estando filiado no MDB. Já no caso de Roberto Junior Cornelsen (Podemos) o candidato havia sido indeferido por teoricamente estar filiado no Cidadania. “Os documentos juntados aos autos demonstram sua regular filiação ao Podemos”, deferiu o Tribunal Regional Eleitoral.  Atuou na defesa o advogado Keiny Burgardt.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PELAS REDES

Beto Passos postou vídeo com apoiadores. “O nosso governo realizou obras que eram promessas de uma vida toda! E uma delas é a pavimentação da Avenida Julio Budant Neto, no Campo d’Água Verde. Com Beto e Pike é dito e feito! O coração enche de alegria e de orgulho ao ouvir os relatos de moradores que esperavam por mais de 20 anos a obra!”

 

 

 

 

Norma Pereira (PSDB) postou vídeo sobre sua visita ao bairro Cristo Rei. “A corrente do 45 só aumenta!!! Vocês nos inspiram, vocês nos motivam e nos fazem ter certeza que estamos no caminho certo; o novo caminho para Canoinhas!!! Se você quer a Mudança, quer alguém que saiba fazer gestão para te representar, vote 45.”

 

 

 

 

Ivan Krauss (PRTB) postou sequência de fotos de visita ao distrito do Campo d’Água Verde. “O nosso muito obrigado ao bairro Campo d’Água Verde, pela boa acolhida, seguimos cada dia mais confiante na vitória, agora é 28”, postou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APORTE

Se dinheiro faz a diferença em uma campanha, Norma Pereira (PSDB) tem tudo para deslanchar na reta final. Ela acaba de receber R$ 150 mil do Fundo Partidário do diretório estadual do PSDB.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NÃO É HORA

O deputado estadual Dr. Vicente Caropreso (PSDB)  fez um desabafo durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa de Santa Carina desta terça-feira, 3. Ele criticou  de forma dura iniciativas que têm como objetivo estimular a desobediência das normas sanitárias e de distanciamento social fixadas pelas autoridades estaduais e municipais para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.  “É hora de  incentivar o uso de máscaras e o distanciamento social. Responsabilidade a toda prova. Ser coerente na defesa de nossa população. Para isso estamos aqui, para proteger a população e não enganá-la ou querer subir no palanque e tentar ganhar notoriedade induzindo ao caos sanitário.”

 

 

 

A fala do deputado ocorreu no momento em que Santa Catarina volta a registrar aumento de mortes e  casos de pessoas contaminadas pelo vírus –  nos últimos 10 dias houve aumento de 38% de casos, sendo 78% na grande Florianópolis. No fim de semana, o deputado estadual Jessé Lopes (PSL) usou suas redes sociais para incentivar o descumprimento das normas sanitárias.

 

 

 

 

 

“A liberdade de expressão não é maior do que as leis que protegem a vida. A liberdade de expressão não pode estimular a desobediência das normas sanitárias, criadas para proteger a saúde e a vida da população. Afrontar estas normas é um crime contra a saúde pública. Não é hora de pormos em risco tudo que conquistamos com muito trabalho e sofrimento”, afirmou o deputado, que é médico neurologista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Esperamos que a governadora saiba do grau de responsabilidade que o cargo lhe confere e que nos proteja, inclusive, e principalmente, da mediocridade”

do deputado Vicente Caropreso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

COORDENAÇÃO

Paulo Bossle é o novo coordenador de Divulgação da Secretaria Executiva de Comunicação do Governo de Santa Catarina. Especialista em Marketing Estratégico, com diversos cursos na área, Paulo Bossle vai integrar o núcleo executivo de comunicação vinculado ao chefe da Casa Civil, general Ricardo Miranda Aversa.

 





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