Divagações em torno de meu novo livro


Adair Dittrich autografa um dos exemplares/Fotos: Fátima Santos

“Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias”

 

 

 

Assim escreveu Pablo Neruda

 

 

E é isto mesmo. Vamos deitando letras num berço. Berço que já fora de papel, transformado hoje em uma tela de computador. Fácil, mas dolorido demais, muitas vezes. Porque, letra após letra, lágrimas da alma são derramadas. Lágrimas que no mais fundo dos escaninhos ficaram enclausuradas e, de repente, brotam como se fossem cascatas, em forma de poemas, em forma de versos, em forma de prosa, em forma de rabiscos. Porque a alma precisa expurgar o que nela pesa.

 

 

 

Depois de encharcadas as páginas, de poemas e da umidade que verte lá dos escombros dilacerados da memória, preciso é retornar ao concreto do mundo e reler e rever as palavras que, a esmo, foram atiradas. Letras trocadas, palavras desencontradas, imperfeições de linguagem, solavancos de concordância… tudo à espera de uma acurada revisão.

 

 

 

Semanas e meses são passados nestas agruras. Na busca de um som mais perfeito. De um ritmo mais ameno. Porque cada frase deve ter seu brilho. Porque cada linha deve ter sua cadência.

 

 

 

Chegada é a hora de enviar a um revisor. Que seja alguém letrado em nossa portuguesa língua. Porque não somos perfeitos. Erros sempre serão encontrados. Só que você não espera que sejam chuvas torrenciais de incorreções. Faltam ou sobram vírgulas. Faltam ou sobram letras… faltam ou sobram palavras…

 

 

 

Depois de tudo visto, revisto e revisado, montam-se as páginas. Faz-se a diagramação. Que a nós retorna. E outra e mais outra revisão.

 

 

 

E a capa? Como faremos a capa? Com que nome batizaremos nossa novel obra? Alguém para elaborar o texto da contracapa. Para escrever o prefácio. Porque eu gosto de prefácios. Nem todos gostam…

 

 

 

Enfim, meses são passados desde o dia em que eu havia dado como finalizado o meu livro. Hora de enviar para a editora. Os dias correm. Chega o boneco para o que seria a última revisão. Ler, uma vez mais, lentamente, com atenção, todas as páginas. Anotar, uma vez mais, o que ainda restam, de incorreções. Refazer a diagramação. E o carrossel continua até que tudo, a nosso ver, esteja, de fato, como deveria estar.

 

 

 

Enfim o livro chega. Alguém, aleatoriamente, abre-o em alguma página. E é exatamente lá que um erro salta à vista. E a festa desmorona… porque é como se lhe cravassem um potente punhal, diretamente, em seu coração.

 

 

 

Acredito que, quando eu estiver lá pelo meu décimo livro. estas apunhaladas na alma já não mais me perturbarão…

 

 

Mas há a parte linda, a parte boa, a parte das pessoas que também escrevem e que em seus blogs, em suas páginas, em seus sites, tecem comentários como os que vi e li nestes dias que se sucederam ao lançamento de “Retalhos perdidos no Tempo”. Ei-los:

 

 

 

 

Livro Retalhos Perdidos no Tempo – de Adair Dittrich

 

 Os trilhos que ligavam longínquas terras ao nosso Planalto Norte catarinense fizeram uma estação de trem mudar a vida de milhares de pessoas que por aqui passaram. Uma estação de trem que trouxe não só movimento a Marcílio Dias, mas esperança a toda uma gente simples e batalhadora. 

 

 

Uma mãe abnegada, um pai ferroviário, uma avó com ideais dourados e um trem, sempre o trem, moldaram o ser que desembarcou de outras esferas da existência aqui em nossa amada região.

 

 

 A locomotiva trouxe uma chama de ouro pelos trilhos da vida de uma menina predestinada a cuidar de outras vidas. Hoje, cuida de nossas almas… pois a cada linha escrita, por mais dorida seja a memória descrita, somos arrebatados por um lirismo que transcende. 

 

 

 

As linhas de cada página são trilhos que trazem os fatos, a história, as memórias pelo olhar de quem as vivenciou e sentiu todos os seus efeitos. Linhas que interligam estações da alma, mostrando retalhos preciosos perdidos no tempo, como se nós juntos estivéssemos a experienciar o costurar de cada parte destes retalhos da memória.

 

 

 

Um deleite literário ora permeado de lágrimas amargas, ora envolto nas mais puras e doces lembranças de uma mulher que merece o nosso mais profundo respeito e reconhecimento. Retalhos Perdidos no Tempo é mais um presente a todos nós trazido pelas mágicas mãos de Adair Dittrich.

 

 

Boa leitura a todos!   

 

 

 

Publicado pelo escritor Dione Grein da Cruz em sua página “Mocorongo das Letras

 

 

Comentário de Lenita Fuc K 

Todos deveriam ler – com a racionalidade de cada um (uma) cada vez mais aflorada e as emoções sendo deixadas de lado, a leitura se faz ainda mais importante nos dias de hoje; a leitura, principalmente a da Dona Adair é terapêutica… na leitura a gente desacelera, presta atenção e se identifica – é um processo natural, pois a gente encontra a sensibilidade, a criatividade, um vocabulário diferente, um modo diferente de ver as coisas escritas por outra pessoa.

 

 

 

Às vezes encontramos uma frase, um fato que eternizamos em nossa mente, outro que nos remete ao nosso passado e lembramo-nos de momentos que ficaram inesquecíveis – com alguém – em algum lugar… leitura é uma viagem de graça, sem uso de passagem ou passaporte…

 

 

 

 

Lendo alguns relatos de D. Adair – do tempo do internato no Sagrado – o estilo como escreve é gostoso de ler – nos remete ao mesmo lugar citado no texto. Há na leitura inspiração, algo que toca, uma percepção diferente – inteligente – bem colocada e bem estruturada de cada situação… esse ‘olhar’ de Adair sobre as coisas, fatos, momentos é encantador – traz reflexões sobre o momento – dá vontade de começar a escrever também.

 

 

 

Na escrita de Adair há uma construção ordenada (que faz a gente “viajar” para aquele lugar e conseguir enxergar o ambiente descrito) … é um jeito único (só de Adair) de fazer assim – uma leitura gostosa… Adair tem o dom de tocar as pessoas com suas palavras – mexe com o imaginário do leitor, descrevendo cenários, sons, cheiros, movimentos e outros elementos que os envolva entre as palavras… em suas leituras há “luz” para todos nós, leigos no assunto, há referência…

 

 

Fico imaginando quanto serviço foi dado até a obra ficar pronta – uma busca constante pelas palavras que poderiam se encaixar no sentimento – como expressar em palavras o desejo que estava brotando naquele momento – como escrever algo para inspirar, fazer pensar, emocionar, adoçar a vida, tirar o leitor por alguns minutos da realidade – um serviço que para o escritor é fascinante e viciante; escrever é muito mais que uma atitude perante a vida – para a Doutora Adair é uma exigência, uma intervenção, uma necessidade e para nós leitores é cultura, significância – apropriação de conhecimentos. 

 

 

 

Por que ler os livros de Adair? Simplesmente para você – na sua individualidade – ter sossego – fugir um pouco dos percalços da vida – ficar livre da realidade exigente – refletir e ser feliz.

 

 

 

…………………………………………………sucesso Doutora Adair!!!!





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