Derrota dos bolsonaristas não é resposta líquida e certa para 2022


Carolina Antunes/PR

Eleitor vota muito mais pragmaticamente em eleições municipais

 

 

 

SOBRE NUVENS

O brilhante articulista da coluna O Brasil como nos parece, Walter Knaessl, emulou ontem aqui no JMais o político mineiro da genuína direita, Magalhães Pinto (1909-1996), que dizia que política é como nuvem: tu olha, tá de um jeito; olha de novo, tá de outro.

 

 

 

Empresto a citação do colega para analisar a evidente derrota do bolsonarismo nesta eleição, findado  o segundo turno que só atestou essa evidência.

 

 

 

 

Em 2000, o PT aumentou em 64% seu número de prefeitos eleitos, vencendo em capitais como São Paulo, Recife e Porto Alegre. Resignado, o então presidente do PFL (atual DEM), Jorge Bornhausen, foi obrigado a reconhecer: “Não podemos contrariar a matemática. O PT ganhou a eleição. Nós perdemos”. Na eleição seguinte, de caráter nacional, a dose se repetiu. O partido conquistou a Presidência, com Luiz Inácio Lula da Silva, e elevou a presença na Câmara dos Deputados em 54%. Até hoje, petistas dizem que a vitória presidencial de 2002 deve-se muito à onda vermelha municipal de dois anos antes, até porque a campanha do partido usava a experiência em prefeituras como antídoto para a acusação de falta de preparo de Lula.

 

 

 

 

 

Nem sempre é possível enxergar com clareza, no entanto, os efeitos de uma eleição municipal sobre o cenário nacional. A eleição municipal é muito mais pragmática, com o eleitor preocupado com o buraco na rua, com a vaga no Centro de Educação Infantil para seu filho e com o médico presente no posto de saúde. Nada tem a ver com ideologia de gênero, liberalismo econômico e diminuição do Estado que pautaram a eleição presidencial que elegeu Jair Bolsonaro. Com lógica própria e centrados em temas locais, os pleitos para prefeito e vereadores em geral servem mais como birutas de aeroporto, sinalizando para que lado o vento político sopra, como muito bem indicou reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 22 de novembro.

 

 

 

 

 

Com este raciocínio, o bom desempenho de partidos de centro no primeiro turno da atual eleição indicaria um desejo por mais moderação em 2022 e um rechaço de opções extremas à direita e à esquerda. O ícone do centro, o PSD, elegeu três dos dez prefeitos no Planalto Norte. Mas, como evoca Birkner, a política é tão dinâmica quanto o movimento das nuvens.

 

 

 

 

O que vem por aí nos próximos dois anos é imprevisível. O impacto da pandemia ainda indefinida é incerto. As falas de impacto de Bolsonaro acenam para uma militância que ainda não está bem clara se continua sendo os anti-PT ou são uma parcela restrita de extremistas que apostam no caos.

 

 

 

 

Tenho a impressão que a maioria dos votos conquistados por Bolsonaro foram dos anti-PT. PT que, por sinal, foi mal nas urnas neste 2020. O sentimento antipetista segue mais forte do que nunca, mas basta para reeleger Bolsonaro?. Pode ser o suficiente se as forças de centro não conseguirem capitalizar essa moderação das urnas em 2020 e apresentar um representante com musculatura o suficiente capaz de catalisar esse vento de moderação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Se isso vai se traduzir em um candidato competitivo para o centro depende de encontrar esse candidato”

do cientista político Jairo Nicolau, estudioso de eleições e pesquisador da FGV-CPDOC, sobre o resultado das eleições municipais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ELEIÇÕES MUNICIPAIS X ELEIÇÕES NACIONAIS

PT

    • Onda vermelha
      Em 2000, partido aumenta em 64% número de prefeitos
      Em 2002, bancada de deputados federais cresce 54,2%
      Em 2004, partido aumenta em 119% número de prefeitos

 

 

  • Declínio
    Em 2014, bancada de deputados federais cai 20,9%
    Em 2016, número de prefeitos cai 59,8%
    Em 2018, bancada de deputados federais cai 20,6%

 

 

 

 

PSDB

    • Na oposição
      Em 2002, bancada de deputados federais cai 29,2%
      Em 2004, número de prefeitos cai 12%
      Em 2006, bancada de deputados federais cai 5,7%
      Em 2008, número de prefeitos cai 8,9%
      Em 2010, bancada de deputados federais cai 18,2%
      Em 2012, número de prefeitos cai 12,2%

 

 

    • Recuperação
      Em 2016, número de prefeitos sobe 13,9%

 

 

  • Efeito Bolsonaro
    Em 2018, bancada de deputados federais cai 46,29%
Fonte: Folha de S.Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESCALDO

Adelmo Alberti/Arquivo

Para o prefeito reeleito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti (PSL), os ataques que sofreu durante a campanha tornou a conquista mais difícil. Mesmo depois da eleição, Carlinhos Schiessl (PDT) disparou ataques a Alberti, o ofendendo nas redes sociais. Alberti optou pelo silêncio.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Eu sou anti-PT, sempre fui”

do prefeito reeleito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti, afirmando que é bolsonarista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FAÇANHA

Vitória de Lademir em Irineópolis/Divulgação

A eleição de Lademir Arcari  (PSDB) como prefeito de Irineópolis é façanha do atual prefeito Juliano Pereira (PSDB). Secretário de seu governo, Lademir chegou há apenas três anos na cidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

R$ 440 milhões

movimentados durante a eleição municipal tiveram indício de irregularidade neste ano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BASE

Prefeito reeleito Luiz Shimoguiri (PSD) terá base estreita na Câmara, com seis governistas ante cinco opositores. Deve sentir mais turbulências no seu novo governo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PASSADO 

Questionada sobre qual a garantia que a população tresbarrense tem de que Luiz Shimoguiri e sua vice Ana Claudia Quege (PP) não entrarão em atrito como aconteceu com o marido de Ana, Eloi Quege, a vice de Shimoguiri diz que não haverá ruptura. “Quem nunca brigou e se reconciliou?”, questiona.

 

 

 

 

 

 





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