Deputados eleitos têm o dever de reduzir os próprios privilégios

Plenário do Congresso. Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo Agência Brasil

Os brasileiros não devem aceitar menos que medidas imediatas para reduzir os privilégios dos próprios legisladores

 

 

A HORA DA VERDADE

O otimismo dos brasileiros com o próximo Congresso Nacional é o mais alto dos últimos anos. 56% dos ouvidos por pesquisa Datafolha têm uma expectativa otimista ou boa com relação aos próximos congressistas. Essa visão não deve estar muito distante quando o assunto são as Assembleias Legislativas.


 

Cansados de tantos conchavos para pilhar o Estado brasileiro e de tantas mordomias, os brasileiros veem nos eleitos em outubro passado a oportunidade de moralizar a corroída política brasileira. Resta saber se o esforço dos eleitos em demonstrar ética e probidade vai se refletir nas suas atuações nas casas legislativas.

 

Os brasileiros não devem aceitar menos que medidas imediatas para reduzir os privilégios dos próprios legisladores. Na maioria das casas legislativas a renovação passou dos 50%, portanto os novatos não podem usar a desculpa de que a “velha política” continua predominando.

 

Começa pelos altíssimos salários, que até se justificariam, não fossem os inúmeros penduricalhos que os acompanham. Um deputado estadual ter 25 assessores não tem o menor cabimento, assim como não há lógica em os deputados federais e senadores ganharem auxílio-paletó. Terem praticamente todas as suas despesas pagas pelo dinheiro público é outra obscenidade.

 

O Brasil votou por mudança em 2018. Se os deputados e senadores não captaram que isso significa mais respeito e responsabilidade com o que é público, é porque têm sérios problemas cognitivos. Fingir que eles não são um problema quando a maioria dos brasileiros veem as casas legislativas dessa forma, não será um bom caminho. O que se tem visto em entrevistas e postagens dos eleitos são discursos inflamados, se colocando como a fina flor da moralidade, ungida pela coletividade. Propostas concretas para reduzir os próprios privilégios até agora não se viu.

 

As medidas para cortar privilégios têm de começar pelas casas legislativas. Só assim, os que assumem ganharão de fato alguma moral com o eleitorado. Do contrário serão mais do mesmo. Vão viver a glória dos primeiros dias de trabalho para, em seguida, cair na vala comum da política que impera neste País desde o surgimento da República.

 

 

A FESTA CONTINUA

Reportagem do Estadão de ontem mostra que deputados federais contrataram 124 assessores somente para o mês de janeiro, quando nada acontece no Congresso Nacional. São os suplentes, que ocupam a vaga dos titulares, que estão de férias. Além de garantirem um gordo salário para eles mesmos, ainda levam a patota. Só um deles, Gustavo Mitre (PHS-MG), contratou 22 assessores.

 

 

 

ESPELHO DA SOCIEDADE

Na reforma que está sendo feita no Senado Federal, o gabinete de número 24 foi extinto, pula do 23 para o 25.

 

 



 

AS DEMISSÕES DE MOISÉS

Até sexta-feira, 11, o governador Carlos Moisés da Silva (PSL) exonerou 720 servidores. Em contrapartida, nomeou 375 novos cargos de confiança para ocupar parte das funções. No saldo geral, até o momento são 345 postos extintos. A promessa de Moisés é de cortar 922 comissionados e funções gratificadas nos primeiros 90 dias de trabalho.

 

 

TENSÃO NO PSL

O presidente da executiva estadual do PSL, Lucas Esmeraldino, está desafiando os três deputados federais do partido que pedem sua destituição. Marcou para hoje, às 20h, a posse da nova executiva. A alegação é de que Esmeraldino montou a executiva sem ouvir ninguém. Está sendo acusado de ser autoritário e de defender somente interesses pessoais.

 

 

 

FUSÃO DESCARTADA

O médico veterinário Luis Carlos Hessmann, presidente da Epagri, descartou em entrevista ao jornal Diário Catarinense, que a estatal vá se fundir com a Cidasc, hipótese aventada desde a campanha eleitoral, não só por Moisés da Silva (PSL), mas também por Gelson Merisio (PSD).

 

A informação foi confirmada pelo secretário de Agricultura, Ricardo de Gouvêa.

 

 

MENOS HERMANOS

Dados dos primeiros 10 dias do ano mostram redução na entrada de estrangeiros na divisa entre Brasil e Argentina. A redução nos voos foi de 11,3% em Florianópolis e 9,9% em Navegantes.

Já pela estrada, enquanto que em 2018, 15.104 hermanos entraram por Dionísio Cerqueira nos 10 primeiros dias do ano, neste ano foram 4.822.

 

 

MILITARES

Ancorados na simpatia de Jair Bolsonaro (PSL), os militares pedem que não sejam inseridos na Reforma da Previdência. Alegam periculosidade e que não recebem horas extras, por isso têm de ser tratados de modo diferenciado.

 

Reportagem do Estadão da semana passada mostrou que o déficit da Previdência dos militares cresce mais que a dos servidores civis e o do INSS. Hoje, 90% dos militares se aposentam antes dos 54 anos, sendo que 50% o fazem antes de 49 anos. Mais da metade do orçamento da Defesa é destinado ao pagamento de pensões e aposentadorias.

 

As alegações dos militarem podem ter sua razão, mas se concessões começarem a ser feitas, a reforma se tornará um queijo suíço, cheia de buracos.

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