domingo, 17

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outubro

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2021

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Denúncia contra prefeito de Bela Vista inclui dinheiro na cueca e 12 empresas envolvidas

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Adelmo Alberti é acusado de contratar laranjas para representar empresas que eram suas

O JMais teve acesso com exclusividade a parte da peça acusatória do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) contra o prefeito de Bela Vista do Toldo, Adelmo Alberti (PSL), o vereador Vilson Stelzner (PSL), o empresário Josiel Dembinski e um aliado político de Alberti. Os quatro estão presos preventivamente acusados de fraudes que envolvem principalmente os setores elétrico e de construção civil.

A denúncia envolve valores em torno de R$ 6,5 milhões e 12 empresas, a maior parte delas suspeitas de serem de propriedade de Alberti, mas comandadas por laranjas que, inclusive, teriam vencido processos licitatórios da prefeitura de Bela Vista do Toldo e de outras cidades da região. Dembinski e Stelzner, inclusive, são acusados de serem prepostos de Alberti.

O esquema começou a ser investigado durante a Operação Et Pater Filium, que levou à prisão do ex-prefeito de Major Vieira, Orildo Severgnini e de seu filho, Marcus Vinicius Severgnini em agosto do ano passado.

Conforme o JMais já havia adiantado, despacho do desembargador Sérgio Antonio Rizelo, que justificou a prisão de Severgnini e do filho, há uma citação direta a Bela Vista do Toldo. No curso do cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram encontrados fortes indícios de que os investigados – Orildo e o filho – usavam uma empresa de propriedade de uma pessoa chamada Rodrigo dos Santos para prestar serviços a municípios vizinhos. Na casa de Orildo foi encontrado um contrato de credenciamento da empresa de Rodrigo dos Santos para fornecimento de horas máquinas ao município de Bela Vista do Toldo.

Já na casa de Marcus foi localizada uma procuração do Rodrigo dos Santos para que gerisse a empresa “da maneira que lhe aprouver”. Também foram localizadas na casa de Marcus anotações com um endereço de e-mail, com senha, no nome de Rodrigo dos Santos. Contudo, ao diligenciar para obter provas desse e-mail, constatou-se que todas as mensagens haviam sido apagadas e havia como e-mail cadastrado o de Marcus.

Foi só a ponta de um iceberg que se revelaria gigantesco. Um servidor da prefeitura de Major Vieira prestou depoimento apontando mais indícios de corrupção envolvendo negociações entre Severgnini e Alberti. Foi dessa forma que o Ministério Público chegou em um dos acusados de ser laranja de Alberti. Um empresário que topou fazer delação premiada. Dessa forma, ele preparou um pacote com R$ 10 mil e levou até a prefeitura de Bela Vista do Toldo para entregar a Alberti. Na filmagem, entregue ao MPSC, o empresário deixa claro que o dinheiro é fruto de propina. Ele tinha um contrato no valor de R$ 19 mil com o Município. Do valor recebido da prefeitura, R$ 10 mil iriam para Alberti. Na filmagem, Alberti apanha o envelope com os R$ 10 mil das mãos do empresário e coloca dentro da cueca.

A denúncia traz outras evidências de corrupção que levaram à prisão de Alberti.


O VEREADOR

Vilson Stelzner (PSL)

Vilson Stelzner foi preso porque tinha uma empresa que prestava serviços à prefeitura de Bela Vista do Toldo. A Legislação veda a participação de qualquer agente político em processos licitatórios para contratar com entes públicos. O MPSC ainda levanta a suspeita de que a empresa de Stelzner, de fato, seria de Alberti, que teria proposto ao vereador que ele representasse a empresa.



RECEPTAÇÃO

Durante a operação que prendeu o prefeito, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também apreendeu duas caminhonetes clonadas e armas de fogo em Bela Vista do Toldo.

Um dos veículos estava na garagem da casa do prefeito e o outro na casa de Dembinski. Por essa suspeita, a Justiça da comarca arbitrou fiança no valor de R$ 11 mil, mas mesmo que pague este valor, Alberti não consegue a liberdade porque a acusação de corrupção corre em outra esfera, em outro processo que está nas mãos dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado.

Ao cumprir o mandado de busca e apreensão referente a crimes contra o patrimônio público na casa do prefeito, uma Toyota Hilux, de cor branca, foi encontrada e, ao verificar o chassi do veículo, constatou-se que se tratava de produto de furto ou roubo.

A esposa de Adelmo, Maria Emília, afirmou que seu marido havia adquirido o veículo há aproximadamente dois meses, mas não sabia de quem ele havia comprado. Em depoimento ao delegado, Alberti afirmou que havia emprestado o veículo de Dembinski, que, inclusive, é seu primo.

No mesmo dia, na localidade de Serra do Lucindo, interior de Bela Vista do Toldo, durante o cumprimento de mandado de busca referente a mesma operação que prendeu o prefeito, foi encontrada uma caminhonete Mitsubishi Triton, de cor branca, em posse de Dembinski. O veículo também era clonado e produto de furto ou roubo. Além disso, na propriedade de Dembinski foi encontrado um revólver calibre 32 e várias munições.

Dessa forma, além de terem sido presos preventivamente na operação do Gaeco, que versava acerca de crimes contra a administração pública, foi lavrado auto de prisão em flagrante contra Alberti por receptação e ocultação de veículo furtado ou roubado e, no caso de Dembinski, por posse ilegal de arma de fogo e por receptação.



MAIS REVELAÇÕES

O MPSC teve negado o pedido de quebra de sigilo do processo. A peça acusatória traz, além do que a reportagem do JMais conseguiu apurar, vários outros indícios e provas que, segundo quem teve acesso ao processo, devem complicar a situação de Alberti. Ele e Stelzner tiveram negados os pedidos de relaxamento da prisão em audiência por videoconferência ocorrida na quarta-feira, 7. Os dois seguem presos em Caçador. Já Dembinski e o aliado político de Alberti seguem presos na Unidade Prisional Avançada de Canoinhas.