Com 108 anos, Canoinhas continua procurando sua vocação


Setor leiteiro poderia ser uma boa alternativa/Arquivo

Frase antológica de Esperidião Amin ainda faz sentido

 

 

 VOCAÇÃO

O finado radialista Mauricio Nascimento não perdia a oportunidade de fustigar o então governador Esperidião Amin (PP), hoje senador, por uma fala dita em uma visita a Canoinhas. Perguntado sobre a oportunidade de investimentos na cidade, Amin disse: “Já falei que Canoinhas precisa encontrar sua vocação”.


 

 

 

Mauricio via na fala do governador uma forma desavergonhada de fugir de suas responsabilidades com Canoinhas. Vale lembrar que foi Amin quem pavimentou o caminho de Canoinhas a Porto União, dando sequência a rodovia que o governo federal não quis fazer. Até 2014 essa rodovia era uma SC, hoje é BR em toda sua extensão.

 

 

 

 

Não se trata de uma defesa de Amin, apenas uma observação que mostra que ele foi um dos poucos que fez algo significativo para a cidade.

 

 

 

Deixando de lado os motivos legítimos para o saudoso radialista cobrar atitudes do então governador, a questão me parece mais viva do que nunca, afinal, qual a nossa vocação econômica?

 

 

 

Agricultura, dirão os mais afoitos. De fato, hoje o JMais publica reportagem que mostra que no ano passado, as principais atividades agrícolas movimentaram R$ 60 milhões na economia canoinhense. É um valor que aqueceu, este sim, o setor que mais circula dinheiro dentro de Canoinhas, o comércio. São as nossas lojas, que atendem moradores de Canoinhas e pelo menos cinco cidades da região, que mais contribui com o PIB canoinhense. Os dados mais recentes são de 2016 e apontam faturamento de R$ 627 milhões com serviços. Em segundo lugar, a indústria fatura menos da metade deste valor, R$ 251 milhões. Contudo, não é uma atitude sensata depender do comércio, já que este é o setor mais sensível em uma crise.

 

 

 

Sem ter empresas para produzir, contratar e gerar riquezas, quem vai gastar no comércio?

 

 

 

 

A explicação para nosso comércio continuar na ponta do PIB está nas cidades vizinhas. Os investimentos da WestRock e da Mili em Três Barras, para se dar um exemplo, seguramente contribuem para o comércio canoinhense, de onde intui-se que se depender da indústria canoinhense, o comércio vai a falência, causando uma convulsão na economia canoinhense.

 

 

 

 

 

A agricultura é a terceira atividade econômica a contribuir com valor mais elevado para o PIB canoinhense. Em 2016 foram R$ 234 milhões. Poderia faturar mais. Hoje, há vários produtores de leite espalhados pelo interior da cidade integrados da Aurora. Caminhões da cooperativa chapecoense passam diariamente recolhendo leite dos nossos agricultores. Por que ainda não se pensou em implementar cooperativa semelhante em Canoinhas, visando circular a riqueza que o leite produz dentro da cidade? Mistério.

 

 

 

 

Pegando o exemplo de Chapecó, a cidade hoje é conhecida como polo avícola. Brusque é famosa pelo comércio de malhas. Canoinhas tem potencial para se tornar referência nestes dois nichos. Contudo, contenta-se em comercializar produto in natura quando o assunto é agricultura. No comércio, não há uma marca. Seria difícil criar uma? Certamente. Impossível, contudo, jamais.

 

 

 

 

 

 

280

Falando na BR-280, quem circula entre Porto União e Mafra se espanta com o estado da rodovia no trecho de Porto União a Canoinhas. Por outro lado se encanta com a qualidade do asfalto e sinalização de Canoinhas a Mafra. O curioso é que desde 2014 tudo está sob responsabilidade do Departamento Nacional de de Infraestrutura de Transportes (DNIT), ligado ao Governo Federal. De Canoinhas a Porto União tem buracos, rachaduras na pista, pontos defeituosos e em vários pontos faltam olhos de gato e a pintura está apagada. De Canoinhas a Mafra, no entanto, tudo 100%. Vá entender.

 

 

 

 

 

BRITADOR

Beto Passos (PSD) somou mais pontos nesta semana como a histórica compra do britador móvel, investimento de mais de R$ 1 milhão. Quem trabalha no setor avalia que a produtividade da Secretaria de Obras deve aumentar substancialmente, atacando uma das áreas mais sensíveis de qualquer governo: buracos e estradas intransitáveis.

 

 

 

 

 

FESMATE

Beto na abertura da festa com Amado Batista/Moisés Gonçalves/Divulgação

Passos fez questão de, seguindo a tradição, promover Fesmate nos três primeiros anos de seu governo. O recado é claro, em 2020, em pleno início da campanha eleitoral pela prefeitura, vai ter festa.

 

 

 

 

 

NOVOS FUNDOS

Governador Carlos Moisés da Silva (PSL) deve anunciar na próxima semana vários projetos de lei que criam o Fundo de Assistência Social, o Fundo do IGP e o rescaldo de incentivos de ICMS,este último tão aguardado. Expectativa de que o setor de erva-mate entre nesse rescaldo.

 

 



 

 

 

0,8%

dos brasileiros têm mestrado. Quando o assunto é doutorado o índice é ainda menor, de 0,2%

 

 

 

 

RAPOSA NO GALINHEIRO

A revista Veja abordou um tema que segue inexplicavelmente ignorado pela imprensa catarinense. O advogado Lucas Dantas de Souza foi nomeado superintendente do Ibama em Santa Catarina. Até pouco tempo ele atuava defendendo acusados de crimes ambientais. Defendeu vários empreendimentos imobiliários e de condomínios residenciais que levantaram obras irregulares à beira de faixas de praias, lagoas e manguezais.

 

 

 

 

Souza é sócio do escritório Buzaglo Dantas, descrito em seu site como “altamente especializado” nas áreas de “contencioso civil, administrativo e criminal ambiental”. Tem como missão, agora, defender o meio ambiente de muitos de seus antigos clientes.

 

 

 

 

 

 

 

1

em cada 4 brasileiros é a favor de privatizações, aponta pesquisa Datafolha

 

 

 

 

 

 

O FIM DOS JORNAIS?

Que os jornais impressos vivem se debatendo para encontrar uma forma de se tornarem lucrativos não é novidade para ninguém. Muitos apostam na sobrevivência destas empresas somente no virtual. Disposto a dar o golpe de misericórdia no setor, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou medida provisória que revoga a obrigação de publicação de editais de prefeituras e demais governos em jornais impressos. O Congresso defendia um período de transição. Valendo a MP, os jornais perdem uma das suas principais fontes de renda, principalmente os do interior.

 

 

 

 

 

 

“A tal ideologia de gênero nada mais é do que isso mesmo, um nada, uma coisa sem qualquer amparo científico, acadêmico, moral, humano e que nem os papagaios que a repetem sabem exatamente o que é, embora lhes empreste à homofobia um ar de suposta erudição”

do jornalista Ranier Bragon, na Folha de S.Paulo

 

 

 

 

 

ARMAS EM PUNHO

Por mais que Carlos Moisés ignore, os deputados de seu partido Jessé Lopes e Ana Carolina Campagnolo seguem em guerra virtual contra ele, conclamando a claque que mantêm nas redes sociais a detonar o governador.

 

 

 

 

 

 

CADEIRINHA

O jornalista Anderson Silva chama a atenção para dois acidentes ocorridos no final de semana passado em SC em que um menino de dois anos e um bebê de seis meses morreram. Um estava fora da cadeirinha e no outro caso, a cadeirinha tinha sido presa de modo incorreto. Ainda assim, para o presidente Bolsonaro, a cadeirinha não tem valor nenhum.

 

 

 

 

 

 

ANTES DA HORA

O Centro de Eventos de Balneário Camboriú foi inaugurado em dezembro de 2018, com a presença de autoridades, mas até hoje não está em funcionamento. Este é o exemplo mais recente, mas outros podem ser citados, como o Centro de Educação Integral Leonel Brizola, em Bombinhas, que foi inaugurado em dezembro de 2018, mas as aulas iniciaram somente em 2019, sem todas as condições; o Banco de Olhos, de Criciúma, foi inaugurado em dezembro de 2016, mas não captou nenhuma córnea até julho de 2018; no caso da Ponte do Vale, em Gaspar, o Ministério Público pediu a retirada da placa inaugural da travessia que foi entregue em dezembro de 2016, sem conclusão total da obra. A liberação ocorreu somente em junho de 2017; o Hospital de Biguaçu foi inaugurado em 2015, mas não oferecia todas as especialidades prometidas, profissionais, equipamentos, sem UTI e precisou passar por obras duas semanas após a inauguração, solicitadas pela Vigilância Sanitária.

 

 

 

 

 

Todas essas obras não seriam inauguradas se a Lei 17.772/2019, aprovada essa semana pelo Governo do Estado, já estivesse em vigor. Através da lei de autoria do deputado estadual Jair Miotto (PSC), fica proibida a inauguração de obras públicas, como hospitais, escolas e rodovias, sem estarem completas e em condições de atender ao fim a que se destinam. Segundo a nova lei, obra incompleta é aquela que não está apta a entrar em funcionamento por motivos como estrutura física inacabada, falta de licenças e alvarás, impossibilidade de uso imediato e inexistência de equipe mínima ou de equipamentos para prestar o serviço público.

 

 

 

 

 

A Câmara de Canoinhas aprovou lei semelhante no começo deste ano.

 





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