Cinco Estações. Cinco Destinos em Cinco Épocas


Detalhe da contracapa do livro/Pedro Penteado do Prado

Muito faltou para da cidade natal dos meus nonnos eu conhecer

 

Ontem eu estava na faculdade. Não havia ainda o Hospital de Clínicas em Curitiba. Corríamos, alucinadamente, atravessando a cidade toda para chegarmos a tempo a fim de assistirmos a próxima aula. Os ônibus faziam roteiros e horários incompatíveis às nossas necessidades. E mesmo que a linha fosse exatamente aquela que precisávamos, nos últimos dias do mês era a pé mesmo que fazíamos os preciosos percursos…

 

 

 

Ontem eu estava na faculdade. No entusiasmo do último ano. Envolta nos preparativos de minha primeira viagem internacional. Um sonho de infância a ser realizado.

 

 

 

Conhecer a Europa e, em especial a Itália, terra de meus Nonnos Pedro e Thereza Gobbi era um anseio iminente, que foi concretizado quase trinta anos depois. Muito faltou para da cidade natal deles eu conhecer.

 

 

 

E então ano passado, já com minhas trôpegas pernas, passei alguns dias a visitar encantadores locais às margens do Trebia, do Pó e do Adige, rios que banham Piacenza e Verona.

 

 

 

Sessenta e dois anos separam estes dois ontens, estes dois mundos estas estações. Evoluímos nas comunicações. Os percursos tornaram-se mais rápidos. A indumentária que era rígida e formal ficou pra trás. Roupas e calçados esportivos tornam mais fáceis os movimentos. O que está bem perceptível à medida que o tempo vai passando e sucedem-se as paradas nas estações.

 

 

Uma síntese encontra-se na Orelha de “Cinco Estações”.

 

 

 

“Cinco estações. Cinco épocas na vida da autora. Cinco motivos para cinco diferentes cantos do mundo.

 

 

 

Na primeira, embarcou no avião com um tailleur de corte justo e saia bem abaixo dos joelhos. Blusa de seda. Casaco longo. Chapéu. Luvas. Sapatos de saltos altos. Bolsa combinando. Frasqueira. Colar simples de pérolas. Relógio a corda, manual, de pulso. Folhas de papel almaço, em branco. Caneta tinteiro e um vidro de tinta.

 

 

Na última estação, 61 anos depois, uma camiseta, agasalho esportivo e tênis. Mala de mão de rodinhas e uma despojada bolsa a tiracolo. Um tablet e um smartfone.

 

 

 

Não há mapas, nem roteiros. Há somente o olhar de quem sempre mais se vestiu de paisagens e peregrinou por estradas e vilas como se fora um eremita a viajar, despojada de tudo, em busca do infinito.”

 

 

 

 

Meu amigo e confrade professor Dione Grein da Cruz, membro da Academia de Letras do Brasil – Canoinhas, honrou-me com seu peculiar estilo em escrever o prefácio.

 

“Ler um livro, como este que aqui se apresenta, é, por si só, uma viagem. Cada linha percorrida transforma-se num caminho trilhado por diferentes destinos. Não apenas destinos físicos, mas aqueles que perpassam as fronteiras do material e aterrissam em lindos campos floridos ou picos nevados de nossas almas. Palavras que alçam voo e desenham nas nuvens o vislumbre das sensações mais nobres e aventureiras de um espírito que toca os céus com a ponta de seus dedos. Sob seu olhar lírico, sensível e sutil de alguém que sabe ver a beleza existente no mundo e descrevê-la, Adair entrega este presente a nós leitores. Não é um relato simples e raso senão o esmiuçar de memórias vivas, numa linguagem de notório saber e deleite.

 

 

Suas andanças iniciam aqui mesmo em terras brasileiras, com seus colegas de turma em final de curso. Eufóricos sonhadores que viajavam pelas linhas do conhecimento, agora, finalmente, rumavam à concretização de um sonho com destino internacional. Depois do cantar das quedas d’água em Foz do Iguaçu, partem para terras paraguaias, onde o deslumbrante azul de um lago encantado realça a poesia da paisagem. Montevidéu, Buenos Aires e Bariloche são degustadas nas mais fiéis expressões metafóricas pelo paladar literário apresentado no percurso que a pena da escritora traça neste livro. Dá-nos carona em um belo Dodge, faz-nos descer de trem pela esplendorosa Patagônia, além de nos deixar “Sonhando entre os Lagos Andinos”. 

 

 

 

A autora tem o poder de nos transportar no tempo, aos lugares por onde passou e nos enriquece culturalmente. Nas terras da América do Norte, junto com um casal amigo, relata suas aventuras trazendo-nos um retrato do final da década de sessenta. De carro pela costa leste americana, encanta-se com as belezas de Miami e segue caminho por muitos outros estados, igualmente bem desenhados com suas palavras. O destaque à cultura não apenas nos inspira ao conhecimento, como leva-nos a experienciar o momento por ela vivido.

 

 

 

A Expo67, no Canadá, simplesmente retratou o que o mundo tinha de mais belo, cultural e tecnológico à época. A revolução do televisor a cores foi uma das grandes novidades vista por nossa escritora na exposição que lá teve lugar. Confesso, fiquei a sonhar com a magia que lá ocorria, com as mentes geniais da época a engendrar o nosso futuro. Belas imagens do mundo lá foram vistas, além da histórica arquitetura canadense e sua natureza deslumbrante são passagens e paisagens magistralmente trazidas a nossas mentes. É possível ouvir os “Trovões de Águas” nas Cataratas do Niágara.

 

 

Washington, Nova Iorque e tantos outros lugares são vividos nesta obra. Nossa lindíssima América Latina, com sua geografia singular e povos culturalmente ricos, dá-nos a esperança de que há humanidade no ser humano. E conforme Adair vai apresentando o que sua alma vivenciou, o que seus olhos viram, nós vamos juntos igualmente fascinados. Mas o que mais me chama a atenção é o regresso. Seja de Fusca, de táxi ou de ônibus o abraço caloroso, cheio de amor e saudade da família, torna tudo mais lindo e significativo na sua volta ao lar.

 

 

 

Ler este livro é uma obrigação cultural e, acima de tudo, uma saborosa viagem onde, em tempos de pandemia, o livro torna-se nosso portal mágico a desbravar o mundo. É uma honra escrever este prefácio, é um sonho realizado. Porque Adair Dittrich é uma das minhas inspirações e, obviamente, de tantos outros. Obrigado por mais esta nobre obra literária.”

 

 

 

Neste ano nada peculiar em nossas vidas, diferente também será o lançamento de meu novo livro. A intenção seria mostra-lo ao mundo em breves dias. Mas estamos em tempos diferentes, em tempos de pandemia e não podemos colocar mais lenha na locomotiva que nos levará, pelos trilhos, a conhecer cada uma das minhas “Cinco Estações.”

 

           

 





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