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Município de Três Barras chega aos 60 anos como polo industrial regional

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Arrecadação de ICMS do Município já ultrapassou Canoinhas e se aproxima de Mafra

 

 

A edição do dia 7 de janeiro de 1961 do jornal Correio do Norte estampou na capa a seguinte manchete “Três Barras e Major Vieira já são municípios”. De acordo com a matéria, Três Barras já sonhava com a emancipação há vinte anos. “Quando funcionada a antiga Lumber, já os homens se embalaram com o lindo sonho. Passou quasi uma geração e a vontade também foi se firmando no conceito dos jovens tresbarrenses”, descreve o jornal na grafia original.

 

Reprodução

 

Segundo a agenda do então governador de Santa Catarina, Heriberto Hülse, durante visita à Canoinhas, Major Vieira foi instalada no dia 22, uma hora antes da inauguração do Grupo Escolar João José de Souza Cabral. No dia 23, aconteceu a instalação de Três Barras. Por motivo não esclarecido, os dois Municípios comemoram aniversário no dia 23.

 

A Emancipação Político-Administrativa de Três Barras começou com eles: o GRUPO DOS ONZE (que eram doze). Com a liderança de Cyríaco Felício de Souza, o grupo lutoupela Emancipação do distrito.
Da esq.para a dir: Pedro Arbus dos Santos, João Bedretchuk, Ivã da Costa, Cyríaco Felício de Souza, Ricardo de Oliveira, Emiliano Uba, Pedro Flores, João Batista Pacheco, Boleslau Polanski, Carlos Schrann, Pedro Merhy Seleme e Alfredo Soares/Imagem: Três Barras Passado Presente Futuro

 

Na época, Canoinhas era o quarto maior Município do Estado em extensão. “Tem localidades que nunca viram uma máquina da prefeitura nem receberam qualquer assistência. Chapecó, por exemplo, 16 municípios foram arrancados da sua gleba. Blumenau está reduzido a zona urbana e Joinville nas mesmas condições. Mas, nem por
isso, deixaram de progredir. Chapecó, Blumenau e Joinville são importantes células do Estado, A criação de Municípios, pelo que se observa, tem sido fator de progresso para Santa Catarina”, defendia o jornal.

 

Jornal Correio do Norte relatou a fundação do Município em 28 de janeiro de 1961/Reprodução

 

 

Com a divisão, Canoinhas ficou com uma população de 39.235 habitantes, Major Vieira contava com 9.690 habitantes, e Três Barras, com 4.117.

 

Reprodução/Jornal Correio do Norte

 

 

Sessenta anos, depois, completados neste sábado, 23, Três Barras conseguiu quase quadruplicar sua população. Segundo o IBGE, são 19.366 habitantes em 2020, número facilmente superado pela população flutuante que está na cidade para as obras de expansão da WestRock. Essa é a segunda vez na em menos de dez anos que a empresa que mais contribui com a arrecadação do Município promove expansão de grande vulto. Nos últimos meses, Mili e Brasnile também promoveram obras de grande vulto, elevando a cidade ao patamar de maior arrecadadora de ICMS do Planalto Norte, atrás somente de Mafra. Já em 2014, o município registrou um PIB (soma de todas as riquezas) de R$ 890 milhões, montante que o coloca na 46ª posição estadual. Em 2018 ultrapassou a barreira do R$ 1 bilhão pela primeira vez.

 

 

 

Dados extraídos do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que em 2015, a média salarial dos empregos de carteira assinada em Três Barras era de R$ 2.447,00. Um valor acima da média catarinense (R$ 2.243,00) e pouco abaixo da nacional (R$ 2.451,00). Neste quesito, Três Barras ocupa a 5ª posição estadual. Considerando o agregado das atividades econômicas, a média salarial dos homens foi de R$ 2.738,65 e a das mulheres, R$ 1.637,25 (40% abaixo da média salarial dos homens).

 

Posse do primeiro prefeito de Três Barras Emiliano Uba em 23 de janeiro de 1961/ Três Barras Passado Presente Futuro/Arquivo de Félizinho Silveira

 

GÊNESE

O nome de Três Barras se originou dos três rios que o cercam (Negro, São João e Canoinhas). Em 1893, vieram tomar posse das terras cedidas pelo imperador D. Pedro 2º o casal Maria Cordeiro e Bemvindo Pacheco Lima, que acabaram fundando a localidade.

 

 

 

Naquela época, Três Barras pertencia ao Paraná, que vinha há tempos brigando com Santa Catarina pela questão de limites territoriais. Porém, a chegada da Souther Brazil Lumber & Colonization Company gerou revolta no povo, impulsionando a Guerra do Contestado, da qual o distrito teve protagonismo.

 

 

 

Em 1917, com o fim da guerra, firmou-se o tão esperado acordo de limites entre os governadores Felipe Schimidt, de Santa Catarina, e Afonso Camargo, do Paraná. O ato foi oficializado pelo então presidente Wenceslau Braz. Pelo acordo, Três Barras juntava-se ao território catarinense como distrito de Canoinhas.

 

Antigo cinema da Lumber foi ao chão com temporal em 2014/Fátima Santos

 

O impacto da Lumber na história de Três Barras é sentido até hoje. Na tentativa de repetir padrões estadunidenses no até então distrito, a empresa construiu um dos primeiros cinemas da América Latina no espaço onde hoje está o Campo de Instruções Marechal Hermes. Ali também funcionou o setor administrativo, serraria e um hospital construído pela empresa.

 

Vista parcial da serraria da Lumber, em Três Barras

Se por um lado a Lumber trouxe destruição e tirania, por outro, Três Barras jamais veria tamanho desenvolvimento. A maior serraria de todos os tempos montou além do cinema e do hospital, uma vila com aquecimento elétrico. Tudo o que havia do bom e do melhor em termos de tecnologia nos Estados Unidos aqui estava.

 

Uma das fotos mais antigas mostra o então distrito de Canoinhas em 1920/Reprodução

“Sinto saudades do cinema. Tinha cinema no Rio de Janeiro e em Três Barras no tempo da Lumber. Era muita coisa boa. Tinha o Três Barras Esporte Clube que era muito bacana também. Era o time de Três Barras de futebol. Eu era torcedora fanática”, contou Miriam Madalena Ulba da Silveira ao especial 100 anos da Guerra do Contestado feito pelo JMais em 2016.

 

 

 

Amélia Euba, tia de Miriam, falou no mesmo especial dos “bons tempos da Lumber”. Contou que o pai veio do Líbano em 1919 e abriu uma pequena loja no centro de Três Barras, onde ela nasceu.

 

Estação ferroviária no centro da cidade teve papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade/Fátima Santos

“Tive uma infância muito alegre. Os americanos faziam muitas festas. Vinham muitas pessoas de fora”, contou. Nessa época, a estação ferroviária movimentava o então distrito. Era por meio da estação que os chefes da Lumber se locomoviam e muitos materiais da empresa chegavam ao distrito.

 

 

 

Depois de décadas nas mãos do Exército, a prefeitura de Três Barras reivindica ao menos parte da área entregue por Getúlio Vargas ao Exército depois da falência da Lumber na década de 1970, visando a expansão do centro do Município. Para o ex-prefeito Elói Quege (PP), o Campo de Instruções atrapalha o desenvolvimento da cidade, opinião compartilhada pelo prefeito reeleito Luiz Shimoguiri (PSD).

Imagem: Três Barras Passado Presente Futuro

Para Miriam, a extração como única fonte de renda não fez bem para Três Barras: “Deixaram de fazer lavoura, essas coisas que o pessoal tinha aqui e deixou de desenvolver a cidade. As cidades que têm agricultura são muito mais desenvolvidas do que a gente. Às vezes cidade menor que a nossa”.

Imagens: Três Barras Passado Presente Futuro

“(Três Barras, na comparação com a época da Lumber) decaiu muito, principalmente para o nosso comércio aqui na Vila e a sociedade também era muito boa. Vinha gente de fora para as festas aqui. Os estudantes de Curitiba vinham em bailes aqui. Era um tempo muito bom na nossa mocidade”, corroborou Amélia.