Capitã Marvel é manifesto feminista que reverbera #metoo

Divulgação

Filme segue em cartaz neste fim de semana em Canoinhas

 

 

CAPITÃ MARVEL

Quando os escândalos envolvendo o magnata da indústria cinematográfica Harvey Weinstein estouraram, fagulhas da bomba atômica chegaram até o Brasil com o banimento de José Mayer da TV Globo. Era só o começo de uma verdadeira revolução na indústria do entretenimento, que teve no cinema seu epicentro.


 

Os grandes estúdios foram ágeis em catalisar os ventos destes novos tempos ao jogar no fogo milhões de dólares investidos em filmes com outros acusados de abuso sexual. Logo a DC Comics apresentou Mulher Maravilha, uma das cinco maiores bilheterias de 2017.

 

 

A Marvel, precursora dos super-heróis no cinema, não poderia ficar atrás. Chega agora aos cinemas Capitã Marvel, em cartaz no CineMax Canoinhas. Com um cenário hipnótico de um planeta super evoluído, o filme começa nos apresentando a heroína (Brie Larson, vencedora do Oscar por O Quarto de Jack) que tem habilidades impressionantes, mas é acusada por seu mestre (Jude Law) de não ter maturidade o suficiente para dominar seus poderes. Ok, um homem dizendo a uma mulher que ela não pode fazer isso ou aquilo você vê toda a hora no cinema, assim como você vê, desde sempre, a volta por cima do protagonista. O que vem ao final é a catarse prenunciada.

 



 

A capitã é sequestrada por outra civilização extraterrestre que chama sua atenção para a sua origem: a Terra, o que ela desconhecia. De volta ao seu planeta de origem, em plenos anos 1990 (True Lies bombava nas videolocadoras como mostra a divertida cena de aterrisagem da heroína na Terra), a capitã vai em busca de suas origens.

 

Ao contrário de Mulher Maravilha, a Capitã Marvel não precisa de um par romântico. Tem na sua independência um orgulho, olha para os homens de cima para baixo, com um certo desprezo. Seu par principal de cena é um policial negro atrapalhado interpretado por Samuel L. Jackson.

 

O filme é um verdadeiro manifesto feminista em tempos de Hollywood pagar seus pecados pelas décadas de tratamento desigual, misógino e revestido da pretensa superioridade masculina. Não que isso ocorra de maneira sincera. É muito mais uma questão mercadológica. A indústria se mostra simpática a uma causa que para ela nunca foi importante, mas que, pautada pela sociedade, mostra potencial de faturamento, diagnóstico acertado se vermos a impressionante bilheteria de Mulher Maravilha.

 

Quem não ligar para toda essa questão política, vai se divertir bastante com a trama engenhosa que nos apresenta a heroína. Quem liga também se diverte.

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