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Canoinhas celebra Santa Cruz nesta segunda-feira. Saiba o porquê

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Feriado municipal desde 2004, celebração não é unanimidade                                 

 

O dia de Santa Cruz foi declarado feriado em Canoinhas mediante lei municipal instituída em 2004 pelo então prefeito Orlando Krautler. Segundo a lei, a data está no calendário oficial da cidade pelo valor histórico e religioso que representa.

 

 

 

 

Segundo o historiador Fernando Tokarski, há duas versões para o 3 de maio em Canoinhas: a primeira afirma que a data é a que o fundador da cidade, Francisco de Paula Pereira, chegou aqui, em 1888. A segunda é de outro 3 de maio, sete anos depois, quando foi erguida a primeira cruz da cidade, no local onde foi construída a primeira capela, na Colina de Santa Cruz. “Quando foi criado o distrito, para reforçar a tradição religiosa, ele passou a se chamar Santa Cruz de Canoinhas”, diz Tokarski.

 

 

 

 

Em um incêndio na capela de Santa Cruz, o símbolo sagrado foi um dos únicos a permanecer intacto, reforçando ainda mais sua relação com Canoinhas, que a elevou a padroeira.

 

 

 

 

Diferentemente de outras cidades, que comemoram a data de santos e santas como protetores, ela é o símbolo religioso máximo e, costumeiramente, é festejada com a tradicional Festa de Santa Cruz, na Igreja Matriz Cristo Rei, o que não aconteceu em 2020 e neste ano por causa da pandemia. Outras celebrações também relembram as origens do município na mesma data como a Cavalgada, promovida pelo Clube do Cavalo, também cancelada neste ano.

 

 

 

 

 

POLÊMICA

Em 2006, pela quarta vez em três anos, a Câmara dos Vereadores de Canoinhas tomou uma decisão quanto à comemoração religiosa de três de maio. A data passou a ser feriado municipal, condição da qual havia sido destituída pela mesma Câmara um mês antes.

 

 

 

A nova decisão foi tomada por meio de votação secreta. O empate de cinco votos a cinco, conforme determina o regimento interno da Câmara, definiu a manutenção do veto do prefeito a Lei aprovada na Câmara, que tornava o dia de Santa Cruz, feriado móvel, sempre no primeiro domingo de cada mês.

 

 

 

 

O argumento do prefeito Leoberto Weinert (PMDB) para manter 3 de maio como feriado municipal se baseou em fatos históricos que remontam a criação do município. “Segundo levantamentos históricos tem-se que o dia 3 de maio seria uma das datas preferidas pelo monge João Maria de Jesus, que orientava os camponeses para que erguessem cruzes na referida data, sugestão que era acatada pelos moradores locais, que passaram a comemorar o dia 3 de maio como dia de Santa Cruz com a realização de festas que reuniam toda a comunidade”, diz trecho da justificativa apresentada por Weinert aos vereadores.

 

 

 

 

O resultado da votação provocou mal-estar entre os vereadores que mantiveram o voto aberto a favor do feriado móvel. Logo após a votação, Wagner Trautwein (PSDB) pediu que o regimento fosse revisto para que vetos como esse fossem votados abertamente. Paulo Glinski (PFL) acompanhou Trautwein na solicitação e até o presidente da Câmara à época, Silmar Golanovski (PMDB), aprovou a revisão do regimento, que classificou de “arcaico”.

 

 

 

 

 

A situação que colocou a Câmara em evidência fez com que o resultado da votação vazasse por meio dos próprios vereadores. Teriam votado pela derrubada do veto, Wagner Trautwein, Neno Pangratz (PP), Silmar Golanovski (PMDB), Juca Klempous (PMDB) e Juliano Seleme (PPS).

 

 

 

Nesta segunda, o Sindilojas Canoinhas, que é contra o feriado, emitiu uma nota publicada na coluna de Edinei Wassoaski, argumentando por uma nova abordagem da data.

 

 

 

 

 

 

CRONOLOGIA DO FERIADO

> Abril de 2004

Câmara aprova por 12 votos a dois a criação do feriado de 3 de maio. 12 de setembro passava a ser ponto facultativo

 

 

 

 

> Setembro de 2005

Vereador Paulo Glinski (PFL) revela que uma Lei de 1959 que determinava 12 de setembro feriado municipal não foi revogada

 

 

 

 

> Agosto de 2006

Prefeito Leoberto Weinert (PMDB) manda a Câmara, projeto de Lei que oficializava 12 de setembro como ponto facultativo. Os vereadores vetam o projeto

 

 

 

 

> Setembro de 2006

Pressionados por empresários, os vereadores decidem por oito votos a um, transformar o dia de Santa Cruz num feriado móvel (primeiro domingo de maio), mantendo 12 de setembro como feriado municipal

 

 

 

 

 

> Outubro de 2006

Vereadores voltam atrás e aceitam o veto do prefeito ao projeto. Dessa forma, três de maio volta a ser feriado municipal.