Campanha durante a pandemia exige habilidade dos candidatos


Novos tempos: Beto Passos (C) em campanha com seu candidato a vice, Renato Pike, em 2016/Divulgação

Pedido de voto de porta em porta oferece grande risco

 

 

 

NOVOS TEMPOS

Durante a entrega de uma quadra ao 3º Batalhão de Polícia Militar na tarde desta sexta, 3, o prefeito Beto Passos (PSD) gastou mais tempo para falar dos riscos da pandemia de coronavírus e em lamentar a morte de um homem de 56 anos, a primeira vítima do vírus em Canoinhas, do quem em exaltar as benfeitorias de seu governo. Não foi por acaso. Político experiente, o prefeito já percebeu o campo minado que está trilhando.

 

 

 

Desde que o comércio foi fechado, em março, logo depois de declarada a pandemia, Passos e todos os prefeitos que embarcaram na recomendação sabiam do risco que corriam. Se a medida fosse considerada exagerada poderiam ter como consequência o limbo político. Se as medidas se mostrassem certeiras, pavimentavam o caminho da reeleição.

 

 

 

Até agora nem uma nem outra situação aconteceu. O Brasil tem 60 mil mortos, algo assustador, mas pouco mais de 300 morreram em Santa Catarina. Somente nesta semana, quase quatro meses depois da primeira morte confirmada no Brasil, Canoinhas registrou o primeiro óbito. A perspectiva é que o vírus avance cada vez mais sobre a região sul e os números tendem a piorar na nossa região.

 

 

 

Como tudo no Brasil, a pandemia foi relativizada e politizada. Quem apoia determinado prefeito acha que o isolamento social no começo da pandemia é que evitou que chegássemos hoje com um número expressivo de mortos e o sistema de saúde saturado (o Hospital Santa Cruz não passou de três pacientes simultâneos internados com covid-19). Seus detratores acham que houve exagero para ganhar verba federal.

 

 

 

 

 

Essa politização é apenas um dos prismas desta história que vai ser decisivo na campanha eleitoral, que deve se concentrar nas redes sociais, repetindo o que ocorreu em 2018, mas, agora, não por uma questão de tendência, mas de necessidade, dado o imperativo do distanciamento social. Como abordar um eleitor, cumprimentá-lo, expor seu plano de governo, quando todos estão preocupados em se manterem vivos? Este é o grande desafio dos candidatos.

 

 

 

 

Em tempos de politicamente correto e cancelamentos na internet, até mesmo uma postagem que exalte feitos de governo pode ser interpretada como desdém pela pandemia.

 

 

 

Diante disso, o melhor é ficar quieto? Evidente que não. Porém, cabe aos candidatos bolarem estratégias de campanha que, me parece, terão de ser concentradas quase que 100% no virtual e que foquem em projetos que contemplem o que os especialistas batizaram de “novo normal”. Não é algo fácil, porém, quem ignorá-lo ou tentar praticar o sistema de campanha típico das pequenas cidades pode até obter êxito, mas os riscos de ser reprovado são bem grandes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OUTSIDERS

O adiamento das eleições para novembro deve favorecer os chamados outsiders. Isso não só porque essa gente fora ou nova na política terá mais tempo para trabalhar seu nome. Com a perspectiva de que, especialmente aqui na nossa região, a pandemia vai arrefecer depois do forte do inverno, o eleitor vai prestar mais atenção nos candidatos se a pandemia diminuir seu espaço no noticiário.

 

 

 

 

 

 

 

 

RECEIO

Ministro Roberto Barroso /Roberto Jayme/ASCOM/TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luis Roberto Barroso, disse que o órgão estuda flexibilizar as punições para quem se ausentar do pleito e incluir o medo do vírus como uma das justificativas aceitáveis para não comparecer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FORA

A semana foi de despedida para servidores comissionados de segundo escalão na prefeitura de Canoinhas. Pelo menos 13 servidores deixaram seus postos com vistas a concorrer às eleições municipais.

 

 

 

Na quinta-feira, 2, saíram sete comissionados, entre eles, o assessor da Juventude, William Godoi, e o hoje suplente de vereador Nilson Cochask.

 

 

 

 

Ontem deixaram seus cargos o gestor da Fundação Municipal de Esportes, Jocimar Jubanski; o secretário de Desenvolvimento Rural, Itamar Zakaluzne, que já estava na interinidade do titular Edson Kuroli que, por sua vez, deixou o cargo em abril também para concorrer. Zenici Dreher também deixou a Secretaria de Saúde, onde é efetiva no cargo de assistente social, mas, neste caso, se licenciou. Ela vai disputar a reeleição. Outros três efetivos se licenciaram de olho nas eleições: Marili Pereira Ecker, viúva de Didi Ecker; o motorista Everton Ramthun e o vereador Célio Galeski, também motorista efetivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GANHOS

Os efetivos mantêm os salários em dia. O Estatuto do Servidor prevê que efetivos que se licenciem para disputar eleições não tenham um real descontado da folha de pagamento, mesmo sem terem trabalhado um dia sequer durante o período eleitoral.

 

 

 

Com a mudança no calendário aprovada nesta semana, há uma situação inusitada. Zenici, por exemplo, vai voltar ao trabalho na segunda-feira, 6, onde fica por mais um mês. A dúvida, no entanto, é se os demais querem ou vão voltar e se o Município pode obrigá-los a voltar dentro do novo calendário eleitoral. Mais importante: com a alteração eles ganham mais um mês de salário para não trabalhar?

 

 

 

 

 

 

 

 

VICE

O presidente do MDB, Paulinho Basilio, encara com tranquilidade a possibilidade de compor na vice de Norma Pereira (PSDB). Porém, muito tucano de pé quase roxo de tão vermelho não admite essa hipótese de jeito nenhum.

 

 

 

 

 

 

 

 

CONSELHO

A Câmara de Vereadores de Canoinhas aprecia na sessão de segunda-feira, 6, em segunda votação, a criação do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Canoinhas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONTAS

Todos os partidos políticos que tiveram vigência durante algum período de 2019 devem prestar contas à Justiça Eleitoral até a próxima segunda-feira, 6, mesmo que não tenham arrecadado recursos ou realizado gastos. Em Santa Catarina, o prazo foi prorrogado do dia 30 de junho para 6 de julho, considerando as indisponibilidades ocorridas no sistema PJe na terça-feira, 30, e o ciclone que atingiu o estado, interrompendo o fornecimento de energia elétrica, telefonia e internet em várias localidades do estado.

 

 

 

 

 

 

 

8%

da população catarinense recebe alerta por mensagem de texto da Defesa Civil sobre eventos climáticos. Para receber basta enviar o CEP de sua residência por SMS para o número 40199

 

 

 

 

 

 

 

 

DISPAROS

Marcello Casal Jr /Agência Brasil

Reportagem da Folha de S.Paulo desta sexta mostrou que as empresas contratadas para disparar mensagens em massa pelo WhatsApp durante a campanha eleitoral de 2018 estão de volta. Com outros nomes, elas oferecem pacotes de 5 mil créditos, por exemplo, ao custo de R$ 600. Isso é completamente ilegal, porém, acontece, como muita coisa ilegal no Brasil. Se a Justiça não frear esse tipo de “serviço”, mais uma vez teremos uma eleição afetada pelo poder econômico, ou, “poder de disparo”.





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