Cadela mutilada por trio em Canoinhas já está em lar adotivo


Moana com as voluntárias do Grupo Resgate, Bia e Tati/Divulgação

Eles abriram a barriga do animal sem anestesia e fecharam com fio de costura

 

 

 

O passado de sofrimento ficou para trás. Agora, Moana vai levar uma nova vida, em um lar com tutores que farão de tudo para que ela esqueça o trauma pelo qual passou. Na sexta-feira, 10, ela foi resgatada da Comunidade Terapêutica Caminhos do Sol (Arad), que atende dependentes químicos em recuperação em Canoinhas.

 

 

 

 

Três homens, um monitor e dois internos da comunidade, apanharam a cadela a força, abriram sua barriga com um estilete com o objetivo de castrá-la utilizando um alicate. Como não conseguiram o intento, costuraram a barriga de Moana com agulha e fio de costura. O caso chocou Canoinhas quando relatado pelas voluntárias do Grupo Resgates nas redes sociais, indignação amplificada por reportagem do JMais.

 

 

 

 

Na sexta-feira, as voluntárias foram até a Arad acompanhadas da Polícia Ambiental, que instaurou inquérito para apurar os maus tratos. A cadela foi resgatada e encaminhada para um médico veterinário, que fez, de fato, uma cirurgia de castração em Moana. Segundo as voluntárias do Grupo Resgates, havia um grande inchaço no local onde a cachorra foi mutilada. O veterinário, único profissional habilitado a proceder uma cirurgia em animais, conseguiu amenizar o sofrimento da cachorra com a cirurgia feita ainda na sexta.

 

 

 

ARAD

Sede da Arad em Canoinhas/Edinei Wassoaski/JMais

O JMais esteve na Arad na tarde desta segunda-feira, 13. Conversou com a gestora da comunidade, Maria Madalena Schiessl Moreira, o auxiliar administrativo Pedro França, a psicóloga Juliana Fiedler e a assistente social Rosangela Pazda Corte. Todos confirmaram a história relatada pelo Grupo Resgates, mas destacaram que a tentativa de castração ocorreu há quase um mês.

 

 

 

Juliana contou que assim que soube, no mesmo dia, do que os três haviam feito, entrou em contato com um amigo veterinário, que indicou medicação para aliviar a dor da cadela, que é bastante dócil e vivia na Arad há algum tempo, assim como outros cachorros que, segundo Madalena frisa, vez ou outra aparecem na comunidade abandonados por pessoas que se valem da área de mata próxima da Arad para extraviar animais. A comunidade fica na localidade da Pedra Branca.

 

 

 

 

Os quatro funcionários reprovaram a atitude dos três e lamentam que ela tenha colocado em evidência a Arad de modo negativo, manchando uma história de dedicação a melhorar a vida de dependentes químicos em recuperação. “Foi um choque para mim”, lamenta Madalena, que chamou a atenção do monitor que, no entanto, continua trabalhando na comunidade. Ela diz que não há como defender a atitude que foi totalmente reprovável, porém, diz que os três vêm do interior, onde, segundo eles, é comum se promover castrações de animais dessa forma. “Eu fiquei em choque”, conta Juliana que entrou em contato com o veterinário. Segundo ela, Moana havia dado à luz 12 filhotes e, por esse motivo, os três queriam evitar que ela voltasse a engravidar.

 

 

 

“Foi ignorância. Na cabeça deles estavam ajudando. Nosso papel é compreender as causas e ajudar. Mas isso foi uma lição para eles”, pondera Madalena, destacando que, agora, os três terão de prestar contas à Justiça.

 

 

 

A Arad trata de dependentes químicos depois que eles passam por clínicas de desintoxicação. Trata-se de uma iniciativa popular que com apoio de diferentes doadores foi erguida e inaugurada em 2006. Hoje com 14 internos (a capacidade é para 30, mas por causa da pandemia a lotação foi reduzida), tem cinco funcionários e vários voluntários. É mantida com recursos de convênios com os governos municipal, estadual e federal.

 

 





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