Breve balanço político de 2018

Ano foi marcado por eleições que dividiram o País e esquentaram os ânimos na região

 

 

O ANO DA INVERSÃO  DA POLÍTICA

Jair Bolsonaro éo 38º presidente do Brasil/Arquivo


2018 foi marcado, claro, pelas eleições quando o assunto é política. Aliás, dá pra dizer que, depois da Copa do Mundo, foi o assunto que dominou o País, provocando discórdia entre amigos e fazendo muita gente evitar os almoços de domingo em família.

 

Foi o ano da divisão. Ou você era Bolsonaro, ou era PT. Pobre coitado de quem tentou se mostrar isento. Levou pau dos dois lados.

 

A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) representa um marco na história política nacional. Ele pode não ser o melhor presidente que este País já teve, até porque vai enfrentar chumbo grosso, como a inadiável Reforma da Previdência, logo de cara, mas sua eleição é uma vitória do Brasil quando se fala na tão ansiada conscientização política. Quem ignorou as fraquezas do deputado, ao menos frisou a ojeriza a política tradicional. Quem foi para a disputa pensando que o povo continuava alienado, quebrou a cara. Está aí o PT, que por anos dominou a política nacional, decepcionou, não reconheceu a roubalheira que promoveu e, agora, perdeu protagonismo por vontade popular.

 

 

O que vem por aí é uma incógnita. Ninguém sabe exatamente o que Bolsonaro conseguirá fazer. No pós-campanha o presidente eleito continua se comportando como candidato, criticando um PT combalido, prometendo livrar o País de uma ideologia marxista (tenho sérias dúvidas se ele sabe o que realmente é isso), impondo outra. Estão aí os ministros das Relações Exteriores e da Cidadania como prova.

 

 

No campo de costumes, no entanto, não é bem assim que Bolsonaro vai fazer prevalecer sua visão de mundo. Interessa muito mais entender o que ele fará no campo da economia, e aí ele acertou em cheio na equipe. É praticamente uma unanimidade o respeito dos especialistas ao time montado pelo presidente eleito. Se conseguir avançar nas pautas que prega para o setor, já teremos um bom início de governo. A conferir.

 

 

A ZEBRA MOISÉS

A zebra do ano foi, sem dúvida, Carlos Moisés da Silva (PSL) eleito pela onda Bolsonaro, governador de Santa Catarina. O bombeiro militar deu seu nome para a disputa a fim de marcar presença, certo de que a disputa ficaria polarizada entre Mauro Mariani (MDB) e Gelson Merisio (PSD). As pesquisas, inclusive, mostravam isso. Quando Moisés começou a crescer na apuração foi uma surpresa e quem disser que previa isso (inclusive Moisés) corre sério risco de ouvir uma gargalhada na cara.



 

 

Pois aí está. Embalado na onda da renovação política, o eleitor catarinense mandou a política tradicional pastar e deu ao outsider a maior votação da história de SC.

 

 

Moisés aparenta ser uma pessoa inteligente, ponderada e justa. Parece, mas é difícil dizer se é. Evitando entrevistas, sua gestão é uma incógnita maior que Bolsonaro. A equipe de governo, anunciada até agora, não diz muita coisa, porque a maioria tem inexperiência com a gestão pública. Ao que tudo indica, Moisés tem consultado bastante a atual equipe de governo. Quer sentir o terreno antes de qualquer coisa. Nisso, está certo. Resta saber, depois de eleito, quanto tempo ele precisará para saber exatamente onde está pisando. A conferir.

 

 

BETO PASSOS ENTRA EM NÁRNIA

Prefeito Beto Passos em seu gabinete/Priscila Noernberg/Divulgação

O ano não foi dos melhores para Beto Passos (PSD), que passou um 2017 de lua de mel com o povo, salvo alguns atritos com os mais radicais. 2018 não foi assim. Passos decidiu parar de se defender de acusações nas redes sociais e entrou no armário de Nárnia, vivendo em um Município de festas e comemorações. Nas suas postagens, só coisa boa. O povo, no entanto, não estava vendo as coisas pela mesma ótica do prefeito.

 

A reação a aprovação do aumento da Cosip, no fim do ano, foi a prova cabal de que algo não vai bem na gestão municipal.

 

Num erro de cálculo que pode custar sua reeleição, Passos ignorou os protestos e apostou no tempo como o melhor remédio para apagar a poeira deixada pela aprovação. Ao analisar as redes sociais nestes últimos dias do ano, não está funcionando. Resta saber qual será o impacto quando oposicionistas requentarem o assunto na campanha de 2020.

 

 

ATÉ MAIS

Dou um descanso de duas semanas ao nobre leitor. Volto no dia 12 de janeiro. Feliz ano novo! Que tenhamos um 2019 inspirador!

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