domingo, junho 20, 2021

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Academia de Letras do Brasil Canoinhas celebra seu sétimo aniversário

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Evento aconteceu na sexta-feira, 28 de maio

 

 

 

Há sete anos instalamos, solenemente, a nossa tão almejada e acalentada Academia de Letras do Brasil em Canoinhas. Um punhado de sonhadores reunia-se, quase diariamente, a fim de deliberar sobre seu estatuto, regimento, regulamento, a escolha de nossos patronos e nossas patronesses, o roteiro da Sessão Solene de Instalação e escolher seu estandarte e suas insígnias.

 

 

 

Era a nossa flor de lótus, das cinzas renascida de um tempo em que era nada mais que apenas um sonho. Era a nossa modesta Academia de Letras do Brasil – Canoinhas, aglutinadora dos poemas todos estagnados no interior de nosso eu.

 

 

 

 

Dentro de todo este triste panorama que envolve o nosso planeta temos a alegria —ainda que virtual—de podermos estar em comunicação diária e direta com nossos entes queridos, com nossos amigos e em contato com os luminares da literatura nacional e as notícias mundiais, no instante em que elas acontecem.

 

 

 

 

Há um ano, ainda acreditando que o nosso isolamento seria por pouco tempo —somos eternos otimistas— colocamos no éter a nossa primeira Sessão Solene Virtual, comemorando o sexto ano de existência de nossa Academia de Letras.

 

 

 

 

Hoje, tristemente, somos obrigados a aceitar que, ainda por muitas luas, continuaremos segregados e postergar os nossos abraços reais para um incerto futuro.

 

 

Foi uma dolorida sensação olhar três cadeiras vazias onde brilharam as luzes do Imortal Ederson Luiz Matos Mota, da Imortal Sinira Damaso Ribas e do Imortal Francisco Péricles Pazda. Sentimos os nossos corações pulsar em lá menor, o som das tristes baladas. Nossos Confrades não nos deixaram. Não estão mais conosco, mas suas obras literárias permanecerão.

 

 

 

Fizemos o esforço que estava ao nosso alcance para transformar esta Sessão Solene Virtual no sagrado santuário que usamos no decorrer dos primeiros cinco anos.

 

 

 

 

 

Mas estamos aqui. Com nossos poemas e nossas letras para harmonizar nossas mentes com o universo sadio que fica para lá, bem além das estrelas que brilham no longínquo espaço.

 

 

 

 

 

No momento em que os membros da Academia se apresentavam, falaram sobre os patronos e as patronesses de suas respectivas cadeiras. Falei sobre a eterna poetisa canoinhense, Isis Maria Tack Baukat.

 

 

 

Isis Maria, além de poetisa foi professora de Língua e Literatura Portuguesa.

 

 

 

 

Nasceu em Canoinhas em sete de Março de 1948, de onde partiu em três de Junho de 1984.      

 

 

 

 

E neste intervalo muito escreveu e pouco publicou.

 

 

 

 

 

Era etérea como etéreos são os seus escritos. Não ocupava o mundo. Flanava por ele. Pouco teve na vida e da vida. Seu mundo eram castelos de papéis, rabiscados de poemas em prosa e de poesias com as mais refinadas palavras da nossa portuguesa língua.

 

 

 

 

Deixava extasiados, com sua arte poética, até aquelas pessoas que diziam não gostar de poesia, pois seus escritos sempre mostraram aos leitores os caminhos para as nuvens.

 

 

 

 

Com sua pena transformava um banal amarelo e branco em inimagináveis ouro e neve.   Onde o comum dos mortais apenas enxerga o mar Isis tecia conchas, maresias, ondas, espumas cristalinas, respingos de prata, estrelas de diamantes submersas, o marulhar, brancos barcos, o corpo líquido, o corpo dela em águas diluído…

 

 

 

Aos Filhos do Éden”, único livro seu, foi publicado com poesias de mais três poetisas canoinhenses, em 1974.

 

 

 

 

Colaborou no jornal “Barriga Verde”, com a coluna “Interlúdio”, que mais que uma coluna era uma “Página Literária”, onde colocava poemas e tecia comentários sobre os mais variados livros.

 

 

Por algum tempo colaborou, também, no jornal “Correio do Norte”, no qual contava fatos que aconteciam na sociedade imprimindo um cunho diferente com palavras e frases que só ela sabia cinzelar.

 

 

 

 

Parecia que Isis puxava um fio invisível do espaço e o esparramava em poemas pelo papel.

 

 

 

O dom de bem escrever é dado a poucos. O de escrever com arte apenas a alguns seres iluminados. Isis era um destes seres!

 

 

 

Uma curta vida dilacerada por emoções que a consumiam e que extravasava em milhões de rabiscos espalhados por aí. O seu viver era de uma simplicidade franciscana. Era casada com Armin Baukat. Teve dois filhos. Talvez, mais que a seus poemas, amava Stella Valeria e André Luiz.    Ao simples contato e visão destas amadas crianças e de seus amigos, era um sorriso só, cativante de alegria e felicidade.”  

 

 

 

 

A palestra “História da escrita feminina” proferida por Renata Marque de Avellar Dal-Bó foi o ponto alto de nossa Sessão Solene. Falar sobre as mulheres na literatura, um tema que só quem sabe se aprofundar nas escavações literárias do mundo seria capaz. Renata falou sobre a dificuldade que as mulheres tiveram —e têm–, em todos os tempos, de publicar seus livros, precisando, em épocas passadas, usar pseudônimos masculinos a fim de serem aceitas.

 

 

 

 

Difícil falar sobre Renata. Foi com estas palavras que a apresentei aos internautas que nos honraram assistindo nossa Sessão ao vivo.

 

 

 

“Fazer parte da Associação das Jornalistas e Escritoras do Brasil foi um acontecimento marcante em minha vida. Conviver, no atual momento, ainda que virtualmente, com mulheres que participam ativamente da vida literária de nosso país, foi algo enriquecedor.

 

 

 

E foi assim, através da tela de um computador, que conheci Renata, presidente desta associação que congrega nomes valiosos da arte literária nacional. Sorriso fácil, um carisma de primeira hora. Uma pessoa que encanta.  

 

 

 

Feliz fiquei quando aceitou estar presente, hoje, aqui para nos brindar com suas palavras.          

 

 

Renata mora em Tubarão, cidade que produz e atrai talentos da escrita. Mora onde moram dois amigos meus que escritores também são. Um deles, muito conhecido de todos vocês, Mário Tessari, que em Canoinhas foi professor e tem um punhado de bons livros publicado.

 

 

 

 Outro amigo que lá eu tenho é colega de profissão e de especialidade médica. Falo de José Warmuth Teixeira que presidiu a nossa Associação de Anestesiologistas de Santa Catarina e a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, um escritor de renome nacional também.

 

 

 

Renata Marques de Avellar Dal-Bó é Jornalista e escritora. Graduada em Comunicação Social e Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Pós-graduada em Língua Inglesa, Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), onde atualmente é doutoranda. Há nove anos possui uma coluna semanal de crônicas no Jornal Diário do Sul, de Tubarão. É Presidente – Coordenadora da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB) –Coordenadoria de Santa Catarina, membro e Assessora Cultural da Academia Tubaronense de Letras (Acatul).

 

 

 

Apresenta o programa Bate-Papo Literário na Unisul TV, cujo objetivo é divulgar e incentivar a literatura e os escritores.

 

 

 

Em 2015 lançou seu primeiro livro, “Histórias, Sonhos e Imaginação”, uma coletânea de suas crônicas publicadas no jornal. Em 2018, lançou seu segundo livro, “Para ti”, crônicas de memórias sobre suas viagens em família.        

 

 

 

 

Participou das coletâneas da AJEB, “Palavras 2018” e “Palavras 2019”. Organizou as Antologias “A Arte do Encontro pela Palavra”, em 2019 e “Tecelãs Literárias – Histórias prováveis em um ano improvável”, em 2020, publicadas pela AJEB-SC.”

 

 

 

 

O escritor e jornalista  Confrade Fábio Rodrigues mostrou-nos, em sua Oração Acadêmica que

 

 

 

Nossa academia cresceu, mudou, amadureceu. E com isso nossas responsabilidades. Juntos, vimos crescer na comunidade o respeito pelo trabalho de nossos autores do Planalto Norte Catarinense. Todos aqueles que se dedicam por imprimir no papel suas emoções, por depositar na arte da escrita as suas vidas.

 

 

Vale lembrar que quando a vida imita a arte, o resultado nem sempre é agradável. A arte também se abastece de tristeza, de sofrimento e dor. Em nossas escritas, em nossos poemas, em nossas crônicas, nem sempre podemos falar apenas do colorido da vida. Todos passamos por momentos difíceis e é inegável o quanto isso nos fortalece enquanto artistas.”

 

 

 

 

Não poderíamos deixar de homenagear a nossa Escola “Sagrado Coração de Jesus” no ano de seu Centenário.

 

 

 

Antes da apresentação de nossos artistas da arte cênica e musical teci algumas palavras sobre o famoso educandário:

 

 

 

 

“Falar sobre o nosso Sagrado Colégio é como falar da casa de minha infância e adolescência, pois nele entrei com 10 anos de idade e só o deixei quando quase completava 16 anos.          

 

 

 

 

Lá estudei, como minhas irmãs mais velhas estudaram e também os meus irmãos e tantas gerações mais que me antecederam e outras tantas que nele entraram depois de mim.     

 

 

 

 

As Irmãs Franciscanas de Maria Auxiliadora chegaram a Canoinhas nos finais de 1920 e o Colégio teve suas portas abertas em 16 de janeiro de 1921.

 

 

 

Elas encontraram um território arrasado, apesar da ferrovia instalada, apesar das serrarias em franco desenvolvimento. Encontraram a desolação dos que tudo haviam perdido após serem enxotados de suas terras em prol de um fictício desenvolvimento. Encontraram pessoas nuas e descalças. Encontraram um mundo a ser desenvolvido e amalgamado com paciência e amor.

 

 

 

 

Vieram de além mar. Trouxeram luz à nossa terra. Mostraram o caminho da paz para muitos. E fizeram a tantos encontrar um lar. Mas sobretudo, trouxeram cultura aos que não tinham voz.  

 

 

 

Daquele vetusto educandário saíram gerações e gerações de jovens que levaram o ensino aos mais distantes rincões de nossa terra.

 

 

 

Creio que a elas devemos —todos nós que recebemos e os que ainda recebem —a luz do conhecimento. Porque são poucas, muito poucas as pessoas de nossa terra que não estudaram com elas. Ou que alunos foram das mestras e mestres formados em nosso Sagrado Colégio 

 

 

 

Eu lá entrei menina e saí pronta para a vida para ir além de qualquer limite jamais sonhado por mim. E assim como eu uma plêiade de jovens que expandiu cultura e conhecimentos por vários estados de nosso Brasil.”

 

 

 

Nossa Confreira, Imortal Maria de Lourdes Brehmer levou a fotógrafa do JMais, Fátima Neizer dos Santos, aos jardins do nosso Sagrado Colégio onde foi gravado um emocionante vídeo com nossa atriz declamando o Hino do Centenário. O vídeo foi enviado ao musicólogo e violinista canoinhense, Matheus Prust, que solou a melodia composta por Irmã Maria Carolina Gross.

 

 

 

Tivemos momentos de saudade em homenagem póstuma aos Confrades que nos deixaram. A Confreira Imortal Rosane Godoi apresentou fatos da vida, da obra e das palavras que Sinira Damaso Ribas nos deixou. A Confreira Imortal Maria de Lourdes Brehmer homenageou Francisco Péricles Pazda, falando sobre sua vida e sua obra e lendo um poema dele.

 

 

 

 

 

O violinista Matheus Theodorovitz Prust ainda nos brindou com a apresentação do Capricho para violino solo, de Federigo Fiorillo.

 

 

 

 

Para completar as emoções desta memorável noite o Acadêmico Imortal Francisco de Assis Vitoski dedicou seu poema, “Saudade”, aos que nos deixaram.

 

 

 

 

Antes de encerrar a Sessão Solene teci algumas palavras para enaltecer o Professor Ederson Luiz Matos Mota.

 

 

 

 

“Morrem-me as palavras com a morte do amigo. Exímio professor de língua portuguesa. Ensinou-nos muito. Mestre das revisões. Ao fazê-las operava como um clínico. Mostrava-nos o que fazer. O como fazer ficava por conta de quem escrevia. Não cortava as palavras com a afiada e fria lâmina de metal de um bisturi. Amalgamava-as com a suavidade de suas mãos. Quando era solicitado a nos dar o significado de uma palavra, de uma frase, recebíamos uma palestra como resposta. Ederson era a enciclopédia que andava pelas quebradas, pelas esquinas, espalhando sementes de conhecimento e sabedoria.”

 

 

 

 

 

 

Não poderia encerrar sem dizer “Obrigada” às pessoas que emprestaram sua arte e seu talento para deixar nossa Sessão Solene Virtual de Sétimo Aniversário da Academia de Letras do Brasil – Canoinhas, mais bela.

 

 

 

À Fatima Santos, que fez a gravação do vídeo nos jardins da Escola “Sagrado Coração de Jesus.”

 

 

 

Ao Matheus Prust e seu violino.

 

 

 

À Karin Aline Dittrich, pela decoração do cenário da Sessão Solene Virtual.

 

 

 

À Direção da Escola “Sagrado Coração de Jesus”, pela cessão do espaço para a gravação do vídeo.

 

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