A relação com a comida em tempos de covid-19


Arquivo/Agência Brasil

Para acalmar a mente e o coração, a fuga através da comida se tornou bem recorrente

 

 

Patrícia Guebert*

 

A pandemia do novo coronavírus trouxe uma nova vida, uma nova rotina e uma nova relação com a comida para maior parte das pessoas em todo o mundo.

 

 

 

Uma pesquisa do Google, mostrou que a busca pela questão “como é ter crise de ansiedade” teve uma alta superior a 5.000% entre janeiro e julho de 2020, em comparação ao semestre anterior.

 

 

 

Para acalmar a mente e o coração, uma fuga se tornou bem recorrente: a fuga através
da comida. As pessoas nunca estiveram tanto tempo em casa – o que aumenta a disponibilidade alimentar -, nunca passaram tanto tempo com os familiares – o que pode aumentar o conflito familiar que gera descontrole alimentar – e, muitas vezes, sem disposição para a prática de atividade física – tornando o balanço energético positivo, tendo como consequência o ganho de peso.

 

 

 

 

FOME EMOCIONAL X FOME FISIOLÓGICA
Você já teve uma vontade imensa de comer brócolis ou um pé de alface? Pois é, eu
também não. Comumente, a ingestão de alimentos calóricos é maior em momentos como estes.

 

Pois as comidas calóricas são altamente palatáveis, com grandes quantidades de açúcar, sódio e gordura, gerando uma sensação imediatamente prazerosa. Por isso, é muito fácil confundir a fome emocional da fome fisiológica. Na dúvida, acabamos comendo.
Mas como saber a diferença entre elas?

 

 

 

A fome fisiológica é aquela que a barriga ronca, dá dor de cabeça, mal hálito e até mau
humor. Além do mais, ela não é específica (não é fome de chocolate, bolo ou pizza). Já a fome emocional não tem uma raiz física, ela desconta o tédio, a ansiedade, a tristeza e até mesmo a alegria na comida, e é uma fome específica.

 

 

 

Infelizmente, nosso metabolismo é impiedoso e o cálculo final é exato e, no fim da história, se alimentar por fome emocional trará um balanço energético desfavorável e o
resultado será o ganho de peso.

 

 

 

Portanto, quando identificamos o contexto da fome ou da vontade de comer, a relação com a comida se torna mais saudável e promove um comer sem culpa.

 

 

 

Mas como lidar com a alimentação diante de tanta ansiedade, estresse e falta de rotina?

 

1. Planeje todas as refeições, inclusive os lanches;

 

 

 

2. Vá ao supermercado com uma lista, evitando alimentos ultraprocessados;

 

 

 

3. Evite comer no piloto automático. A alimentação deve ser tratada como um momento
especial, procure não se alimentar em frente à TV ou ao celular. Hora da comida é hora
de comer;

 

4. Mastigue bem e coma devagar;

 

 

 

5. Tenha horários estabelecidos e uma rotina funcional;

 

 

6. Cozinhe! Resgate esse prazer e coma comida de verdade;

 

 

7. Coma de tudo, não coma tudo. É possível comer todo o tipo de alimento, desde que os
processados e ultraprocessados não sejam regra e sim uma exceção;

 

 

 

8. Não faça dietas. Algumas pesquisas apontam que o reganho de peso pode acontecer
com até 95% das pessoas que fazem dietas, e que 81% das pessoas que sofrem com
transtornos alimentares começaram com uma dieta restritiva;

 

 

 

Este não é o melhor momento para se adequar ao peso. E sim, para buscar saúde e maior qualidade de vida, garantindo uma relação saudável com a comida e investindo na prática de atividade física.

 

 

 

Seja carinhoso e cuidadoso consigo. Leve a alimentação como uma parte da sua vida e não a única. Todos são ótimos alimentos desde que consumidos com parcimônia.

 

 

 

Se perceber que seu comportamento alimentar é compulsivo e frequente, sentindo culpa após esses episódios e/ou tem algum tipo de comportamento compensatório como induzir o vômito, tomar diuréticos ou laxantes, ficar sem comer ou praticar o dobro de atividade física, procure um profissional especializado.

 

 

Tudo vai ficar bem, inclusive uns quilinhos que você ganhou na quarentena.

 

 

 

 

*Patrícia Guebert é nutricionista
CRN 8 12583/0147S





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